A malha aérea na Copa

Os preparativos para receber torcedores e comissões técnicas das 32 seleções do mundial, além da imprensa internacional. Pelo menos 80.000 voos foram alterados ou incluídos no período entre 6 de junho e 20 julho. Com 25 aeroportos coordenados

Por Vinícius Casagrande em 29 de Março de 2014 às 00:00

Desde que a FIFA anunciou o Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014, em outubro de 2007, as principais preocupações em relação à organização do evento recaíram sobre as condições do transporte aéreo no país. A poucos dias de a bola rolar nas 12 cidades que receberão as partidas do mundial, muitas dúvidas ainda permanecem sobre a mobilidade aérea dos milhares de turistas dos 32 países classificados. Embora o cenário esteja longe de ser catastrófico, como se pintou no passado, nem tudo está definido. Diversas obras em aeroportos ainda estão em andamento, a malha aérea das principais companhias não está completamente acertada e falta à aviação executiva mais clareza de como serão os procedimentos de operação durante os dias de jogos do mundial.

Para os passageiros e profissionais da aviação, a principal preocupação está relacionada às condições dos aeroportos brasileiros. De acordo com dados divulgados pela Infraero, entre os aeroportos administrados pela empresa, oito ainda seguem em obras de ampliação. Apesar de poucos deles estarem em estágio avançado de conclusão, a Infraero afirma que todos terão capacidade para atender os turistas durante a Copa.

O engenheiro aeronáutico e professor de transporte aéreo e aeroportos da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Jorge Eduardo Leal Medeiros, acredita, no entanto, que o principal gargalho será mesmo a infraestrutura aeroportuária do país. “O governo atrasou muito os investimentos em aeroportos achando que a Infraero poderia dar conta, mas não vai conseguir. Demoramos muito para permitir que o capital privado entrasse no setor. E isso vai fazer falta agora”, acredita.

Apesar das preocupações com a demanda específica da Copa do Mundo, o acadêmico ressalta que os investimentos são necessários para atender ao fluxo normal de passageiros no Brasil. “A nossa preocupação é com a demanda ao longo do ano. A Copa do Mundo é um evento temporário, que vai gerar um desconforto durante um mês. Mas a questão principal é com a demanda permanente”, sustenta Medeiros.

Novos voos

Para atender à procura pontual da Copa do Mundo, as companhias aéreas precisaram reformular a malha aérea do país de forma significativa, com alterações e ampliações de voos. As mudanças foram analisadas de acordo a capacidade de cada aeroporto. Segundo dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), 80.000 voos foram alterados ou incluídos no período entre 6 de junho e 20 julho (a partir de uma semana antes e até uma semana após a competição). Destes, exatos 1.973 são voos extras. Esses números, no entanto, poderão ser alterados de acordo com as necessidades das companhias aéreas. Ainda segundo a agência, as companhias estão analisando as autorizações concedidas para solicitar ajustes necessários e consolidar a malha. Novos slots também poderão ser pedidos de acordo com a capacidade dos aeroportos e os horários disponíveis poderão vir a ser alocados.

Aeroportos coordenados

Durante o período da Copa do Mundo, 25 aeroportos serão coordenados pela Anac, o que significa dizer que necessitarão de concessão de slots para operações de pouso e decolagem. Destes, 12 estão localizados nas cidades-sede e outros 13 estão a até 200 km de distância dos locais das partidas. Confira abaixo a lista dos aeroportos e o período de coordenação de cada um deles.

 Aeroporto Período de coordenação 
Brasília (SBBR) 06/06 a 20/07
Goiânia (SBGO)    06/06 a 20/07
Belo Horizonte/Pampulha (SBBH) 06/06 a 20/07
Belo Horizonte/Confins (SBCF) 06/06 a 20/07
Juiz de Fora (SBJF)    06/06 a 20/07
Rio de Janeiro/Galeão (SBGL) 06/06 a 20/07
Rio de Janeiro/Santos Dumont (SBRJ) 06/06 a 20/07
Cabo Frio (SBCB) 06/06 a 20/07
São Paulo/Congonhas (SBSP)    06/06 a 20/07
São Paulo/Guarulhos (SBGR)     06/06 a 20/07
Campinas (SBKP)  06/06 a 20/07
São José dos Campos (SBSJ) 06/06 a 20/07
Salvador (SBSV)    06/06 a 12/07
Fortaleza (SBFZ)    06/06 a 12/07
João Pessoa (SBJP)    06/06 a 12/07
Campina Grande (SBKG) 06/06 a 12/07
Recife (SBRF)    06/06 a 12/07
Caxias do Sul (SBCX)    06/06 a 12/07
Porto Alegre (SBPA)    06/06 a 12/07
Manaus (SBEG)    06/06 a 03/07
Cuiabá (SBCY)    06/06 a 03/07
Curitiba (SBCT)   06/06 a 03/07
Natal (SBNT) 06/06 a 03/07
Natal/São Gonçalo do Amarante 06/06 a 03/07
Joinvile (SBJV) 06/06 a 03/07

Fonte: ANAC

A Gol, que cuidará do transporte da seleção brasileira, afirma que solicitou 953 operações, sendo que 80 foram validadas exatamente nas datas e horários pleiteados, 298 ainda passarão por ajustes e 575 voos, que já integram a malha regular da Gol, serão ajustados ao longo dos próximos meses. Segundo a companhia, serão 4,5 milhões de assentos com destino às cidades-sede, o que corresponde a 85% da capacidade total dos estádios nos jogos da primeira fase. “Melhorias foram feitas nos aeroportos brasileiros nos últimos anos e eles estão prontos para receber os torcedores de todo o país e estrangeiros.  Nos últimos feriados, como Natal, Ano-novo e Carnaval a operação foi tranquila. Estamos confiantes de que a Copa do Mundo transcorrerá da mesma forma” prevê Alberto Fajerman, diretor de Relações Institucionais da Gol.

Na TAM, as mudanças representam um ajuste de 31% da malha da companhia, com a inclusão de 750 novos voos domésticos. Para colocar em operação a sua nova malha aérea, a TAM investirá mais de R$ 50 milhões. “Esta nova malha é necessária e começamos a planejá-la no último ano. Ela não é resultado de um aumento da demanda geral por voos no período do torneio, mas reflete a nossa capacidade de adaptar as operações aéreas a uma dinâmica de viagens totalmente diferente e específica”, destaca a presidente da TAM, Claudia Sender.

No caso da Azul, foram 342 voos adicionais para 12 cidades. “O maior desafio é equilibrar oferta e demanda, visto que não há um histórico conhecido que possa servir de base para avaliar o comportamento de cada mercado que servimos nesse período. Também temos que lidar com as limitações de infraestrutura existentes”, afirma o diretor de Planejamento e Alianças da Azul, Marcelo Bento.

Invasão argentina

As companhias afirmam que as mudanças solicitadas foram feitas de acordo com a demanda esperada em virtude das cidades nas quais ocorrerão os jogos, das datas das partidas e das seleções que irão se enfrentar. Com a expectativa de uma invasão argentina ao Brasil, as principais mudanças ocorreram na rota entre o Rio de Janeiro e Buenos Aires. São 262 voos entre Galeão e Ezeiza, com 59.756 assentos, e 242 voos entre o Galeão e o Aeroparque, com 30.100 lugares.

A Anac também divulgou as partidas que mais atraíram a atenção das companhias aéreas. Para o jogo de abertura da Copa, em São Paulo (SP), serão 20 mil novos assentos oferecidos para os aeroportos de Guarulhos e Viracopos nos dias 11, 12 e 13 de junho. O jogo entre Brasil e Camarões, em Brasília (DF), terá 15.155 novos lugares entre os dias 22, 23 e 24 de junho. O maior aumento de oferta ocorreu para a final no Rio de Janeiro, com 25.000 novos lugares entre os dias 12, 13 e 14 de julho no Galeão e no Santos Dumont.

Principais mudanças ocorreram na rota entre o Rio e Buenos Aires. São 262 voos entre Galeão e Ezeiza e 242 voos entre o Galeão e o Aeroparque

Faturamento e escalas

Apesar das expectativas de crescimento do setor da aviação com a competição da FIFA, a Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) não prevê um aumento no faturamento das companhias nacionais. Segundo a associação, isso se deve à mudança no perfil dos passageiros que irão cruzar os céus do Brasil durante o período da Copa do Mundo.

A tendência é que haja uma queda significativa das viagens realizadas pelo público corporativo, que, normalmente, paga tarifas mais alta, em substituição aos passageiros de lazer, que têm uma maior preocupação com o valor dos bilhetes. “A Copa do Mundo não trará nenhum benefício financeiro adicional para as empresas aéreas devido à forte retração nas viagens de negócios e de lazer dos brasileiros prevista para o período. A demanda adicional, fortemente concentrada nas cidades-sede e em dias específicos, não será suficiente para compensar a diminuição no tráfego regular”, acredita Marcelo Bento, da Azul.

Outra expectativa que não se confirmou com a proximidade da Copa do Mundo diz respeito à contratação de tripulantes para suprir o aumento da demanda do período. Os 1.973 voos extras representam apenas 1% de acréscimo nas operações normalmente realizadas durante o período e não devem ter grande impacto na escala de comandantes, copilotos e comissários de bordo.  “Grande parte da malha aérea regular será reduzida, abrindo espaço para os voos de reforço para a Copa. Assim, não haverá aumento significativo de horas a serem voadas pelos tripulantes de voo”, disse o diretor da Azul.

Com as mudanças das rotas dos voos para concentrar as operações nas cidades-sede da Copa, a maior preocupação das companhias aéreas está relacionada com os serviços de terra. A Gol deverá reforçar suas bases com um acréscimo de 1,1 mil funcionários, entre contratações temporárias e funcionários deslocados de bases menores e que terão as operações reduzidas no período. As demais companhias deverão usar a mesma estratégia para atender à demanda nos aeroportos que terão maior movimento.

Obras em andamento

As obras nos principais aeroportos que receberão os turistas seguem atrasadas em relação à data da Copa. Na maioria dos casos, as conclusões só devem ocorrer após a realização do evento. A Infraero, porém, avalia que todos têm capacidade para receber os passageiros durante o evento. Veja a situação de cada um deles.

Confins
Início das obras: setembro de 2011
Previsão de término: abril de 2014
Capacidade 17,1 milhões (passageiros/ano)
Demanda 10,2 milhões (passageiros/ano)
43,26% executados até janeiro de 2014
Galeão
Terminal 1
Início das obras: agosto de 2012
Previsão de término: abril de 2014 para o setor A
48% executados até janeiro de 2014

Terminal 2
Início das obras: novembro de 2008
Previsão de término: abril de 2014
65,85% executados até dezembro de 2013

Capacidade 30,8 milhões (passageiros/ano)
Demanda 18,9 milhões (passageiros/ano)
Cuiabá
Início das obras: abril de 2012
Previsão de término: abril de 2014
Capacidade 5,7 milhões (passageiros/ano)
Demanda 3,3 milhões (passageiros/ano)
50,92% executados até janeiro de 2014
Manaus
Início das obras: novembro de 2011
Previsão de término: abril de 2014
Capacidade 13,5 milhões (passageiros/ano)
Demanda 4 milhões (passageiros/ano)
83,69% executados até janeiro de 2014
Curitiba
Início das obras: maio de 2013
Previsão de término: maio de 2014
Capacidade 8,5 milhões (passageiros/ano)
Demanda 7,9 milhões (passageiros/ano)
16,4% executados até janeiro de 2014
Porto Alegre
Início das obras: setembro de 2013
Previsão de término: maio de 2014
Capacidade 16,3 milhões (passageiros/ano)
Demanda 10,7 milhões (passageiros/ano)
1,85% executados até dezembro de 2013
Fortaleza
Início das obras: junho de 2012
Previsão de término: março de 2014
Capacidade 6,9 milhões (passageiros/ano)
Demanda 6,8 milhões (passageiros/ano)
25,95% executados até janeiro de 2014
Salvador
Início das obras: abril de 2012
Previsão de término: abril de 2014
Capacidade 5,7 milhões (passageiros/ano)
Demanda 3,3 milhões (passageiros/ano)
50,92% executados até janeiro de 2014

Fonte: Infraero

Os aeroportos de cada seleção

FIFA vai disponibilizar oito aviões para garantir o deslocamento das equipes,
três a mais do que na África do Sul

Durante o congresso da FIFA, realizado em fevereiro último, em Florianópolis (SC), a entidade anunciou que irá fretar oito aeronaves para utilizar no deslocamento das 32 seleções durante a competição. Serão três aviões a mais do que foi utilizado durante a última Copa do Mundo, na África do Sul. O aumento do número de aeronaves disponíveis no Brasil será necessário em virtude das distâncias maiores e pelo fato de as seleções estarem mais espalhadas pelo território nacional (em 2010, as delegações ficaram concentradas na região de Johannesburgo). No Brasil, as seleções ficarão hospedadas em nove estados diferentes e poderão utilizar até 14 aeroportos como base de suas operações, o que exige um trabalho logístico mais complexo do que o realizado na África do Sul. A maior concentração será no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), utilizado por sete seleções. Confira abaixo as cidades-sede de cada país e o aeroporto mais próximo. As operações, no entanto, podem mudar de local de acordo com as necessidades da organização do evento.

País  Cidade-sede   Aeroporto mais próximo
Alemanha Santa Cruz Cabrália (BA)     Porto Seguro
Argélia Sorocaba (SP)   Campinas/Viracopos
Argentina Vespasiano (MG)    Belo Horizonte/Confins
Austrália Vitória (ES)     Vitória
Bélgica Mogi das Cruzes (SP)     São Paulo/Guarulhos
Bósnia e Herzegovina Guarujá (SP)     São Paulo/Congonhas
Brasil Teresópolis (RJ)     Rio de Janeiro/Galeão
Camarões   Vitória (ES)    Vitória
Chile Belo Horizonte (MG)    Belo Horizonte/Confins
Coreia do Sul Foz do Iguaçu (PR)    Foz do Iguaçu
Costa do Marfim Águas de Lindoia (SP)     Campinas/Viracopos
Colômbia Cotia (SP)    São Paulo/Congonhas
Costa Rica Santos (SP)  São Paulo/Congonhas
Croácia Mata de São João (BA)     Salvador
Equador  Viamão (RS)   Porto Alegre
Espanha Curitiba (PR)    Curitiba
Estados Unidos São Paulo (SP)    São Paulo/Congonhas
França   Ribeirão Preto (SP) Ribeirão Preto
Gana Maceió (AL)     Maceió
Grécia Aracaju (SE)     Aracaju
Holanda Rio de Janeiro (RJ)    Rio de Janeiro/Santos Dumont
Honduras Porto Feliz (SP)     Campinas/Viracopos
Inglaterra Rio de Janeiro (RJ)    Rio de Janeiro/Santos Dumont
Itália Mangaratiba (RJ)     Rio de Janeiro/Galeão
Irã Guarulhos (SP)    São Paulo/Guarulhos
Japão Itu (SP)     Campinas/Viracopos
México Santos (SP)     São Paulo/Congonhas
Nigéria Campinas (SP)    Campinas/Viracopos
Portugal   Campinas (SP)   Campinas/Viracopos
Rússia Itu (SP)     Campinas/Viracopos
Suíça Porto Seguro (BA)    Porto Seguro
Uruguai Sete Lagoas (MG)     Belo Horizonte/Confins

Fonte: FIFA

Aviação executiva

As incertezas sobre o impacto da aviação executiva durante a Copa do Mundo perduram às vésperas do início da competição. “O mercado ainda está tentando contabilizar o potencial ganho. Há otimistas e pessimistas”, diz o vice-presidente da Abag (Associação Brasileira de Aviação Geral), Ricardo Nogueira. Nem mesmo os requisitos para operações nos aeroportos das cidades-sede haviam sido definidos até o fechamento desta edição. Segundo a Anac, “os procedimentos para solicitação de slots para aviação geral nos 25 aeroportos coordenados serão divulgados posteriormente, tendo em vista que essa demanda é observada apenas em data próxima ao início do evento, assim como aconteceu na Copa das Confederações realizada em junho passado”.

O vice-presidente da Abag afirma que, para solucionar o problema, estão sendo promovidas reuniões de planejamento entre a Secretaria de Aviação Civil e os representantes da aviação geral desde novembro do ano passado. “Nessas reuniões, os representantes do governo estão informando o passo-a-passo e os efeitos das decisões da cúpula governamental. A SAC tem procurado, com essas reuniões, minimizar a insatisfação da aviação geral com as decisões tomadas na Copa das Confederações e na Jornada Mundial da Juventude. As regras gerais para a movimentação das aeronaves já foram definidas e devem ser publicadas em início de maio”, explica Nogueira.

O fator que mais preocupa o representante da aviação geral são as permissões de operação nos aeroportos coordenados durante a Copa. “A expectativa é que 10%, no mínimo, da capacidade dos aeroportos coordenados sejam reservados para a aviação geral”, calcula Nogueira. “Sobre a situação aeroportuária, sabemos das carências em infraestrutura dos principais aeroportos. Medidas paliativas estão sendo tomadas pelas administrações aeroportuárias para atendimento dos passageiros da aviação comercial regular, no entanto, nada foi oficialmente dito para a recepção das aeronaves e seus passageiros da aviação geral doméstica e internacional. A hipossuficiência permanece”.

Além dos aviões e helicópteros nacionais da aviação geral, o país deve receber um aumento significativo de aeronaves estrangeiras. “Ainda é cedo para sabermos esse número. Fala-se em centenas, distribuídas pelas cidades-sede e com uma preocupante concentração para o jogo final, no Rio de Janeiro, além da própria abertura”, alerta Nogueira.

As cinco rotas mais solicitadas

Origem Destino Voos Assentos
Rio de Janeiro/ Galeão Buenos Aires/ Ezeiza 262 59.756
Brasília São Paulo/ Guarulhos 288 45.558
Fortaleza São Paulo/ Guarulhos 205 35.214
Rio de Janeiro/ S. Dumont Campinas 284 33.512
Rio de Janeiro/ Galeão Buenos Aires/ Aeroporque 242 30.100

As cinco rotas mais pedidas entre cidades-sede

Origem Destino Voos Assentos
Brasília São Paulo/ Guarulhos 288 45.558
Fortaleza São Paulo/ Guarulhos 205 35.214
Rio de Janeiro/ S. Dumont Campinas 284 33.512
Natal São Paulo/ Guarulhos 105 23.459
Recife São Paulo/ Guarulhos 59 22.101

Aviação entra em campo

Já presente nos uniformes de alguns dos melhores times de futebol do mundo, Emirates integra o rol de patrocinadores da Copa do Mundo FIFA e consolida sua atuação no Brasil

Patrocinadora oficial FIFA, a Emirates Airline realizou seu primeiro voo para o Brasil no mesmo mês em que o país foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. Passados mais de seis anos desde então, às vésperas da abertura do torneio, a principal companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos se prepara para um período de fortes emoções, em todos os sentidos, já que terá sua marca superexposta no maior evento esportivo do planeta, ainda cercado de incertezas, por conta de dúvidas associadas, entre outros aspectos, justamente à infraestrutura aeroportuária. Mas a empresa está confiante e acredita que “o Brasil, a FIFA e todos os parceiros vão fazer uma Copa do Mundo inesquecível”. Segundo a companhia, “os riscos de se operar no Brasil não são diferentes dos riscos normais de operações aeroportuárias em qualquer outro lugar do mundo e a Emirates vai manter o mesmo padrão e os procedimentos de proteção e de segurança que se aplicam a suas operações em todo o mundo”.

A Emirates começou a voar para São Paulo com seis frequências por semana, operando um B777-200LR, em 1º de outubro de 2007. Foi a primeira do Oriente Médio a fazê-lo. Com o aumento da demanda, a rota passou a ser cumprida diariamente a partir de 04 de julho de 2008. Mais tarde, quando a ocupação dos voos aumentou, a Emirates atualizou a aeronave para um Boeing 777-300ER, operando em três classes – a “primeira” com oito assentos (1-2-1), a “executiva” com 42 (2-3-2) e a “econômica” com 304 (3-4-3) –, o que aumentou a capacidade de passageiros em 1.232 lugares por semana. Otimista com o mercado brasileiro, lançou um voo diário para Rio de Janeiro no dia 03 de janeiro de 2012, operado por um Boeing 777-200LR, oferecendo 3.668 lugares por semana de e para o Galeão (GIG). A expansão das operações da companhia no Brasil incluiu quatro voos de carga semanais para o aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), operado por um Boeing 777 cargueiro com capacidade de 103 toneladas. Hoje, a empresa liga o país a destinos de Oriente Médio, África, Extremo Oriente e Austrália. “O mercado brasileiro tornou-se significativo para a Emirates”, considera a empresa, que deve definir seu novo country manager no Brasil neste mês de abril. 

O futebol é parte integrante da estratégia de comunicação da Emirates, eleita a melhor companhia aérea do mundo de 2013 pela conceituada consultoria britânica Skytrax. Desde que se tornou parceira da FIFA, a empresa trabalha a exposição de sua marca em eventos relacionados ao esporte em geral e ao futebol em particular, como se vê no uniforme de alguns dos principais times da Europa. As ações promovidas pela companhia durante a Copa do Mundo de 2014 ainda são sigilosas. O que a companhia adianta é que “está olhando para meios de desenvolver uma conexão emocional entre os fãs de futebol e os da marca, se valendo de plataformas próprias”.

A380 em gru

Sobre o terminal 3 do aeroporto de Guarulhos, que será inaugurado em maio próximo (leia entrevista na p. 44), a Emirates diz que espera fazer uma transição suave: “Como nossas operações são orientadas por um padrão muito eficaz de qualidade e segurança, não haverá grandes mudanças na forma como a empresa opera em GRU”. Também no GRU, a empresa espera iniciar as inéditas operações regulares do A380 no Brasil. Por ora, continua a utilizar o Boeing 777-300ER nos voos para São Paulo, mas, como a maior operadora de A380 no mundo, com 45 em serviço, aguarda oportunidades para expandir a rede de seus superjumbos “em locais onde a infraestrutura e a necessidade comercial são adequadas”. Um sinal de que o início das operações do gigante da Airbus está próximo foi a realização de um Roadshow da Emirates para contratação de pilotos do A380 em São Paulo, conduzido pelo comandante Leonardo Herman, o único brasileiro a voar regularmente este avião no mundo. “Dos cerca de 600 aviadores brasileiros voando fora do país, temos 88 trabalhando na Emirates”, informa o piloto.

A estrutura do Aeroporto Internacional de Dubai (DBX), sede da Emirates, e a montagem do novo Al Maktoum, que deverá ser 10 vezes maior do que o DBX, mostram a preocupação dos Emirados Árabes Unidos com o planejamento de sua infraestrutura aeroportuária. Não por acaso, Dubai venceu São Paulo e será a sede da Expo 2020, feira centenária que reúne o melhor de cada país em áreas como arte, design e relações internacionais. A Emirates reconhece que Dubai é um exemplo para o Brasil e o mundo: “Os conhecimentos dos Emirados Árabes Unidos sobre planejamento e construção de edifício de aeroportos no ‘estado da arte’ vem de uma equipe de profissionais altamente graduados e de intercâmbios de conhecimentos entre profissionais de muitas nacionalidades. Cada país tem suas próprias maneiras de planejar e desenvolver a infraestrutura aeroportuária”.

A Copa do Mundo no Brasil acontece em um ano em que se imaginava a consolidação do regime de “céus abertos” no país. O assunto segue em discussão e um dos temais mais polêmico é a cabotagem, ou seja, a liberação de voos domésticos para companhias estrangeiras. A Emirates garante que não tem planos para operar quaisquer rotas domésticas no Brasil: “Continuamos focados em apoiar os nossos serviços de passageiros internacionais, existentes para o Rio de Janeiro e São Paulo a partir de Dubai. Como um ‘Parceiro Oficial FIFA da Copa do Mundo da FIFA de 2014’, estamos ansiosos para trazer os fãs de futebol de todo o mundo para o Brasil este ano, para comemorar o maior torneio de futebol do mundo”.

Por Giuliano Agmont


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Airbus, Nova Rival da Embraer

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