Paulo Mercadante

Os sites www.aisweb.aer.mil.br e www.redemet.aer.mil.br, criados recentemente pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), significaram uma importante modernização no sistema de troca de dados da aviação do país. Com um telefone celular conectado à internet, o piloto distante de uma sala AIS (Aeronautical Information Service) já pode obter informações atualizadas para a sua rota.

Os próximos anos prometem ainda mais inovações. No planejamento do novo sistema CNS-ATM (Comunicação, Navegação e Vigilância e Gestão do Tráfego Aéreo), por exemplo, está prevista a transmissão de dados meteorológicos precisos diretamente nos painéis das aeronaves equipadas com link de dados. Em poucos anos, pilotos que voam no Brasil poderão acessar as bases ATIS (Automatic Terminal Information Service) e o Volmet (Meteorological Information for Aircraft in Flight) em formato de texto em seus MFDs.

O otimismo, no entanto, precisa considerar a realidade. Enquanto uma parcela progressiva dos provedores de serviços aeronáuticos trabalha arduamente, parte do segmento que fiscaliza a aviação civil ainda não compreendeu a dinâmica dos tempos atuais. Em nome da segurança de voo, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) vem exigindo que pilotos mantenham a bordo as cartas de navegação originais do Decea. Afirmam estarem cumprindo as normas técnicas em vigor. A legislação como um todo, porém, deveria acompanhar a evolução tecnológica.

O uso de cartas eletrônicas facilita muito a atualização mensal porque dispensa longos processos de substituição de folhas de procedimentos nas pastas de navegação. Em voo, torna ágil o acesso à carta escolhida. Contudo, ainda não são reconhecidas em aeronaves que operam segundo o RBHA91. Nos Estados Unidos, o FAA (Federal Aviation Administration) já as aceita, desde que o piloto tenha um sistema alternativo, para o caso de pane da mídia eletrônica. O "back-up" pode ser igualmente eletrônico, por isso, lá, as aeronaves glass cockpit utilizam um EFB (Eletronic Flight Bag), que reproduz os procedimentos armazenados nos MFDs. É bom lembrar que a segurança das cartas eletrônicas está condicionada à ação do piloto em manter atualizadas as informações a bordo. Por isso, os Notam (International Notices to Airmen) continuam importantes.

A transição dos meios tradicionais para os digitais eleva ainda mais a importância dos notam

A implantação do CNS-ATM trará uma série de mudanças na infraestrutura que apoia os serviços ATS. Isto é, espaços aéreos serão redimensionados, o Rnav/RNP-GNSS substituirá procedimentos NDB e a vigilância ADS-B começará em breve a tomar lugar da vigilância radar. O contexto de transição dos meios tradicionais para os digitais propicia a volatilidade de informações e eleva ainda mais a importância dos Notam.


Plano de Voo

Artigo publicado nesta revista

NBAA 2016

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