O barril do petróleo acima de US$ 100, causado pela escalada militar no Oriente Médio, pressiona custos do combustível de aviação e amplia incertezas

A indústria da aviação enfrenta o ambiente operacional mais desafiador desde a pandemia de covid-19, após a escalada do conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos no Oriente Médio.
Nesta segunda-feira (9), o preço do petróleo ultrapassou US$ 100 (R$ 526) por barril pela primeira vez desde 2022, ampliando a incerteza sobre o custo do combustível de aviação e pressionando as tarifas aéreas e o desempenho financeiro das companhias aéreas.
A elevação do preço do petróleo afeta diretamente o custo do querosene de aviação (Jet A-1), um dos principais componentes da estrutura de custos das companhias aéreas.
Com a cotação acima de US$ 100 por barril, há um cenário de maior volatilidade para o preço do combustível utilizado por jatos comerciais, aeronaves de carga e de negócios. Esse movimento tende a impactar as tarifas pagas pelos passageiros, além de pressionar margens operacionais de empresas do setor aéreo global.
A escalada do conflito militar no Oriente Médio atingiu diretamente países estratégicos para a produção global de petróleo. Instalações em Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Iraque foram alvo de ataques com drones ou mísseis atribuídos ao Irã.
Em meio ao ambiente de instabilidade, alguns desses países reduziram exportações de petróleo, afetando a oferta global da commodity.
Outro fator crítico é o fechamento efetivo do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo no mundo. A interrupção da passagem ocorre desde 28 de fevereiro, após o início dos ataques relacionados ao conflito.
O impacto prolongado nos preços do petróleo pode levar companhias aéreas a reduzir capacidade operacional.
O Deutsche Bank avaliou que transportadoras aéreas em diferentes regiões podem ser obrigadas a manter milhares de aeronaves em solo caso os custos de combustível permaneçam elevados. Segundo o banco, empresas com maior fragilidade financeira correm risco de suspender operações.
Esse cenário afeta tanto operadores de transporte regular de passageiros quanto empresas de carga aérea e operadores da aviação de negócios.
No sábado (7), Israel realizou ataques contra cerca de trinta depósitos de petróleo no Irã. Segundo o site Axios, a ação militar foi mais extensa do que o governo dos Estados Unidos esperava.
“O presidente não gosta do ataque. Ele quer preservar o petróleo. Ele não quer queimá-lo. E isso lembra as pessoas de preços mais altos da gasolina”, disse um conselheiro do presidente Donald Trump à publicação.
Em declaração pública recente, Trump também minimizou o impacto econômico da alta do petróleo. “É um preço muito pequeno a pagar pela paz e segurança”, disse.
Apesar da volatilidade atual no mercado de energia, contratos futuros indicam uma possível redução do preço do petróleo nos próximos meses.
De acordo com informações publicadas pelo jornal The Guardian, um barril de petróleo bruto para entrega em novembro está cotado em aproximadamente US$ 80 (R$ 421). Esse valor é significativamente inferior ao preço atual acima de US$ 100.
A diferença entre os preços no mercado à vista e no mercado futuro sugere expectativas de normalização gradual da oferta global de petróleo, caso as tensões geopolíticas diminuam.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 09/03/2026, às 14h30
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