Aeroporto de Congonhas recebe parecer favorável da Secretaria Nacional de Aviação Civil para internacionalização

O Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, deu um passo relevante rumo à possibilidade de operar voos internacionais regulares após receber parecer favorável da Secretaria Nacional de Aviação Civil (SAC) ao pedido de internacionalização apresentado pela concessionária Aena.
A manifestação, vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos, reconhece a aderência do projeto às diretrizes da Política Nacional de Aviação Civil (PNAC) e ao Plano Aeroviário Nacional (PAN), com base em estudos técnicos de demanda e capacidade operacional.
Atualmente, a Região Metropolitana de São Paulo conta apenas com o Aeroporto Internacional de Guarulhos para operações internacionais regulares. A eventual entrada de Congonhas nesse segmento representaria uma mudança estrutural no sistema aeroportuário paulista, abrindo espaço para novas rotas regionais, especialmente de curta e média distância na América do Sul, além de potencial aumento da concorrência entre companhias aéreas, com reflexos possíveis sobre frequências, conectividade e tarifas.
A proposta está integrada ao amplo programa de modernização e ampliação de Congonhas, que prevê investimentos superiores a R$ 2 bilhões. Entre as obras em andamento estão a construção de um novo terminal de passageiros, ampliação das pontes de embarque de 12 para 19, novo pátio de aeronaves, hangares adicionais e melhorias de eficiência operacional.
Segundo a Aena, o projeto inclui a adequação da infraestrutura necessária para a atuação dos órgãos de controle migratório, aduaneiro, sanitário e agropecuário, requisito essencial para a certificação internacional do aeroporto.
A conclusão das obras está prevista para junho de 2028, data que também marca a expectativa de início das operações internacionais. A concessionária informou que já mantém tratativas com as autoridades responsáveis por essas áreas.
Apesar do avanço institucional, a internacionalização de Congonhas pode desencadear disputas jurídicas e regulatórias, especialmente relacionadas ao equilíbrio do sistema aeroportuário, à concorrência com Guarulhos e às condições previstas nos contratos de concessão. Debates sobre impacto operacional, ruído, capacidade do espaço aéreo e distribuição de tráfego também tendem a ganhar relevância nas próximas fases do processo.
Com o parecer favorável da SAC, o projeto segue agora para avaliação dos demais órgãos competentes. Caso avance conforme o cronograma, Congonhas poderá se tornar, a partir de 2028, o primeiro aeroporto central do país a operar voos internacionais regulares em conjunto com uma malha doméstica de alta densidade.
Por Marcel Cardoso e Edmundo Ubiratan
Publicado em 23/12/2025, às 10h07
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