A IATA atribuiu a estagnação da conectividade aérea no velho continente aos custos elevados, regulação e competitividade reduzida

A Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA) anunciou nesta quinta-feira (21), que a conectividade aérea europeia registrou crescimento líquido de apenas 1% em 2025, com expansão praticamente estagnada da malha de rotas no continente.
Segundo a entidade, o resultado ficou abaixo da média composta de crescimento anual de 1,5% observada na última década.
Os dados consideram tanto rotas intraeuropeias quanto ligações entre a Europa e outros mercados internacionais. A rede aérea europeia totalizou 14.797 rotas em operação após o saldo líquido de 154 novas conexões.
De acordo com a IATA, 1.127 rotas foram canceladas ao longo de 2025 na União Europeia, enquanto 1.281 ligações aéreas foram adicionadas. Desse total, 568 correspondem à retomada de rotas operadas em algum momento da última década, mas interrompidas por pelo menos um ano.
A associação avalia que o desempenho da conectividade aérea reflete tanto a demanda por transporte aéreo quanto o ambiente regulatório e operacional enfrentado pelas companhias aéreas europeias.
“A carga regulatória é onerosa, os custos são elevados e os problemas estruturais de competitividade da União Europeia não foram efetivamente enfrentados”, disse Thomas Reynaert, vice-presidente sênior de Relações Externas da IATA.
A entidade destacou a regulamentação europeia de direitos dos passageiros, conhecida como EU261, como um dos principais fatores de pressão sobre as companhias aéreas.
Segundo Reynaert, tentativas de revisão da norma podem ampliar dificuldades operacionais e financeiras das empresas aéreas europeias. “As falhas da regulamentação atual são conhecidas, mas as tentativas de corrigi-las parecem destinadas apenas a agravá-las”, disse o executivo.
A IATA também apontou aumento nos custos de combustível de aviação, infraestrutura aeroportuária e tarifas de navegação aérea como elementos que afetam a viabilidade econômica de rotas consideradas marginais.
A associação ressaltou que a aviação e o turismo relacionado ao transporte aéreo sustentam mais de 9,2 milhões de empregos e contribuem com 760 bilhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia.
Segundo a entidade, a conectividade aérea desempenha papel relevante na integração econômica regional, no turismo, na mobilidade corporativa e nas relações sociais entre países europeus e mercados internacionais.
A IATA defendeu uma série de medidas regulatórias e econômicas para estimular o crescimento da malha aérea europeia e reduzir custos operacionais das companhias aéreas.
Entre as prioridades citadas pela associação estão a reforma da regulamentação EU261, com ampliação dos limites mínimos de atraso para compensações aos passageiros; reforço da regulação sobre tarifas aeroportuárias e serviços de navegação aérea, maior flexibilidade para regras de slots aeroportuários em períodos de crise e eliminação de impostos federais sobre passageiros.
A IATA disse ainda que a revisão das regras de compensação aos passageiros representa a medida mais imediata para aliviar custos do setor aéreo europeu. Segundo a entidade, a regulamentação EU261 gera custo anual estimado em 8 bilhões de euros para as companhias aéreas.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 21/05/2026, às 08h38
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