A Emirates disse que recusará os primeiros Boeing 777-9 devido à idade dos aviões e às modificações acumuladas após atrasos

A Emirates avisou à Boeing que não aceitará as primeiras dez ou onze aeronaves de sua encomenda do Boeing 777X.
Segundo Tim Clark, presidente da companhia aérea, ontem (21), em uma coletiva de imprensa no Farnborough International Airshow 2026, os aviões terão aproximadamente oito anos de idade quando estiverem disponíveis para entrega, além de terem passado por diversas modificações ao longo do prolongado programa de desenvolvimento da aeronave.
A Emirates mantém um pedido de 270 unidades do Boeing 777-9, com a entrada em serviço da primeira aeronave prevista para o segundo trimestre de 2027.
De acordo com Tim Clark, as primeiras aeronaves destinadas à Emirates foram fabricadas em 2019, quando a entrada em serviço do programa ainda era esperada para 2020. Os sucessivos atrasos no desenvolvimento do Boeing 777X fizeram com que esses exemplares permanecessem armazenados durante vários anos.
Segundo o executivo, esse período representaria aproximadamente metade da vida útil operacional prevista para esses aviões na frota da companhia. "Eles não servem para ninguém. Comunicamos à Boeing que esse não é o caminho a seguir", disse Clark.
O programa do Boeing 777X acumula diversos adiamentos desde o início de seu desenvolvimento. A Emirates esperava incorporar o primeiro avião em 2020, mas o cronograma foi alterado em razão dos atrasos no processo de certificação e desenvolvimento, período que coincidiu com o início da pandemia de covid-19.
Com o novo calendário, a primeira entrega para a companhia está prevista para o segundo trimestre de 2027.
Durante a coletiva, Tim Clark afirmou que, se estivesse à frente do fabricante, consideraria registrar contabilmente a perda dos primeiros exemplares produzidos. "Em algum momento eu teria provisionado a baixa dessas aeronaves e registrado isso na demonstração de resultados. Não faz sentido mantê-las no balanço patrimonial", disse.
O presidente da Emirates acrescentou que a Boeing poderia tentar comercializar esses aviões para outra companhia aérea com desconto significativo, mas avaliou que a alternativa mais provável seria o sucateamento dessas unidades.
A Boeing não comentou as declarações durante o evento. Nos últimos anos, a fabricante promoveu mudanças em sua liderança executiva. Em 2024, Kelly Ortberg assumiu a presidência da Boeing Company, enquanto Stephanie Pope passou a ocupar os cargos de CEO da Boeing Commercial Airplanes e vice-presidente executiva da Boeing Company.
No início deste ano, o Boeing 777-9 recebeu aprovação de reguladores norte-americanos da FAA para a Fase 4B da Type Inspection Authorization (TIA), etapa considerada relevante no processo de certificação da aeronave.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 22/07/2026, às 08h46
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