Programa da Embraer alcança 2.000 entregas e ultrapassa 2.500 pedidos firmes, atrás apenas das famílias Airbus A320 e Boeing 737 em vendas

A Embraer entregou hoje (2), o E-Jet de número 2.000, consolidando o programa como o quarto mais entregue da história da aviação comercial, atrás apenas das famílias Airbus A320, Boeing 737 e DC-9/MD-80/MD-90/717. A aeronave que simbolizou a conquista, um E195-E2, foi entregue à Azul Linhas Aéreas.
Embora ainda esteja a pouco mais de 400 unidades de superar o veterano projeto do DC-9 — que evoluiu ao longo das décadas até chegar ao 717, já sob controle da Boeing, mas mantendo a mesma linhagem básica de certificação —, a família E-Jet se consolidou como o terceiro programa de aviões comerciais mais vendido da história, com mais de 2.500 pedidos firmes.
Desde sua entrada em operação, em 2004, a família E-Jet, considerando a primeira e a segunda geração, consolidou uma presença global significativa, operando em mais de noventa companhias aéreas de mais de sessenta países. A frota acumula aproximadamente 48 milhões de horas de voo e já transportou mais de 2,85 bilhões de passageiros em todo o mundo.
“A entrega do 2.000º E-Jet é um marco extraordinário para a Embraer e para a indústria global de transporte aéreo”, afirmou Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial.
Lançado inicialmente com foco no segmento regional de maior capacidade, o programa foi estruturado em dois modelos voltados sobretudo ao mercado regional dos Estados Unidos, o E170 e o E175, além de variantes maiores, concebidas principalmente para substituir aeronaves de gerações anteriores, como Fokker 100, BAe 146/Avro RJ, Boeing 737-200/-500 e MD-87.
“A família de E-Jets da Embraer teve um papel fundamental na trajetória da Azul. Desde o nosso primeiro voo, realizado em 15 de dezembro de 2008 em uma aeronave E190 de matrícula PR-AZL, as aeronaves da Embraer permitiram ampliar a conectividade aérea no Brasil, aproximando cidades, impulsionando mercados e criando novas oportunidades para milhões de Clientes”, disse John Rodgerson, CEO da Azul.
Com o lançamento da família E2, o projeto recebeu uma série de mudanças relevantes, incluindo novas asas e motores, além de aviônicos, sistemas e controles de voo atualizados. Ao mesmo tempo, seu posicionamento de mercado foi ajustado.
O planejado E175-E2 acabou suspenso, já que seu peso máximo de decolagem impede o modelo de atender às atuais scope clauses da aviação regional norte-americana. Diante disso, a Embraer optou por continuar aprimorando o E175 de primeira geração, que permanece particularmente importante naquele mercado.
Já o E190-E2 e, sobretudo, o E195-E2 avançaram para uma faixa superior do mercado, voltada a rotas de média capacidade e também a operações em aeroportos nos quais aeronaves maiores podem ser menos adequadas. Em capacidade típica de assentos, os modelos passaram a ocupar uma faixa anteriormente atendida por aeronaves como Airbus A318 e A319 e Boeing 737-300, 737-600 e 737-700 em diversos mercados.
Embora a Embraer tenha divulgado o E-Jet como uma das três maiores famílias de jatos comerciais da história, a posição muda quando a linhagem DC-9 é considerada como um único programa. Apesar de ter passado por três fabricantes — Douglas Aircraft, McDonnell Douglas e Boeing —, o projeto manteve uma continuidade técnica e regulatória ao longo das décadas.
O certificado de tipo básico FAA A6WE, originalmente concedido ao DC-9, foi sendo atualizado para incorporar sucessivas variantes e modificações, primeiro com a série DC-9-80, posteriormente comercializada como MD-80, seguida pelo MD-90 e, por fim, pelo MD-95, que passou a ser vendido como Boeing 717 após a incorporação da McDonnell Douglas pela Boeing.
Embora cada geração tenha recebido mudanças relevantes de estrutura, sistemas, aviônicos e motorização, todas permaneceram vinculadas ao mesmo certificado de tipo básico. Trata-se de um processo semelhante ao observado nas sucessivas gerações do Boeing 737 e na evolução da família Airbus A320 para as versões neo.
Por Edmundo Ubiratan
Publicado em 02/09/2026, às 17h01
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