Trem de pouso com esteiras

Os aviões militares que usavam trem de pouso com esteiras iguais aos tanques de guerra

Redação Publicado em 19/04/2016, às 11h30

Após o fim da Segunda Guerra, os militares dos Estados Unidos passaram a buscar uma solução para operarem aeronaves de grande peso em pistas não preparadas. Durante os anos do conflito, um dos entraves para operação dos bombardeiros B-17 Flying Fortress e B-29 Superfortress era a restrição no número de aeroportos com infraestrutura adequada.

A chegada de enormes bombardeiros nos meses subsequentes ao final da Guerra aumentou a pressão por uma solução para o problema.

Note a diferença de tamanho do B-36 (destaque) para o B-17 (a frente), o B-29 (esquerda) e o B-18 (fundo)

Aeronaves como o Convair B-36 Peacemaker com mais de 186.000 kg de peso máximo de decolagem e uma área alar total de 443.5 m² davam uma enorme dimensão ao problema.

Comparativamente o B-29, que foi o maior bombardeiro norte-americano na Segunda Guerra, tinha um peso máximo de decolagem de 60.500 kg e área alar de 161,2 m³.

Imediatamente, a solução mais óbvia era reduzir a pressão total da aeronave no terreno, o que gerou uma opção nada óbvia e muito menos convencional: o uso de lagartas.

Largartas (esteiras)

O sistema de lagarta, popularmente conhecido como esteira, é amplamente empregado em veículos que necessitam transitar em terrenos difíceis e despreparados, como tratores e carros de combate pesados.

A solução foi desenvolvida no início do século 18, e se tornou popular apenas no século 20 graças à Caterpillar Tractor Company. Por possuir uma área de contato maior, a esteira permitiria reduzir consideravelmente o chamado “foot print”, ou seja, a área de contato com o solo.

B-36 chegou a testar o uso de sistema de largartas nos conjuntos principais e de nariz do trem de pouso

 

A Caterpillar que já era referência global em tratores pesados foi contratada pelo Pentágono para desenvolver alguns protótipos de trem de pouso tipo lagarta. O objetivo era permitir que os aviões, independente do seu porte, operassem numa série de solos, incluindo areia, encharcados e grama.

Até mesmo o C-82 Packet testou o sistema

O foco do programa estava no B-36, que, devido a seu peso estava restrito a três bases aéreas americanas.

Porém, o sistema era extremamente pesado e complexo, sofrendo ainda com diversas limitações como baixa velocidade de táxi, problemas durante decolagem e pouso, exigência de manutenção constante, impossibilidade de ser retraído na maior parte dos aviões e por aí vai.

Versão usada no P-40 era mais compacta e simples, mas ainda assim, inviável

Ainda assim, entre as décadas de 1940 e 1950, diversos aviões receberam o estranho trem de pouso, como o Convair XB-36, Curtiss P-40, Fairchild C-82 Packet, Douglas A-20 e Boeing EB-50B.

Foi uma solução engenhosa, mas que mostrou trazer mais complicações e restrições aos aviões.

Mesmo o sistema de trem de pouso lagarta usado no caça P-40, que era menor e mais simples, comparado aos aviões maiores, do ponto de vista técnico era completamente inviável. O peso estrutural elevado e as limitações de velocidade continuam.

Anos mais tarde, as bases aéreas nos Estados Unidos estavam aptas a receber e operar todo o efetivo existente e futuro.

Hoje qualquer base aérea no país pode receber todo o arsenal da força aérea.

B-36 B-17 B-29