Mais de 3 anos após acordo com a Azul, fabricante de eVTOL encerra operações

Em dificuldades financeiras, o fabricante alemão de eVTOL Lilium encerrou suas operações

Por Marcel Cardoso Publicado em 24/02/2025, às 07h33

A empresa não conseguiu financiamento para continuar com o projeto de seus eVTOL - Lilium

O desenvolvedor alemão de aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical, os eVTOL, Lilium, anunciou na última sexta-feira (21), que entrou com um pedido de insolvência e encerrou suas atividades. 

A decisão foi motivada pela falta de concretização de opções de financiamento para se manter. Em agosto de 2021, Lilium e Azul Linhas Aéreas revelaram planos para firmar um acordo comercial de até US$ 1 bilhão (R$ 5,73 bilhões) para a aquisição de 220 unidades dos eVTOL, que iniciariam as operações comerciais este ano.

O pedido de insolvência da Lilium ocorreu após o parlamento alemão bloquear uma garantia de 50 milhões de euros (R$ 300,1 milhões) para um empréstimo conversível planejado de 100 milhões de euros (R$ 600,1 milhões) do banco estatal KfW. Além disso, a empresa e o estado da Baviera não chegaram a um acordo sobre a garantia da mesma quantia.

"Enquanto as negociações sobre soluções alternativas ainda estão em andamento, a chance de reestruturação neste momento é altamente improvável e, portanto, as operações serão interrompidas", segundo um comunicado divulgado pela empresa.

A Lilium estava em tratativas com o consórcio de investimentos Mobile Uplift Corporation GmbH, que havia prometido um aporte superior a 200 milhões de euros (R$ 1,2 bilhão). O objetivo era recuperar a empresa após o início do processo de recuperação, em outubro. Os investidores planejavam adquirir os ativos operacionais das duas de suas subsidiárias.

O fechamento da transação dependia da aprovação dos credores e de condições específicas, com previsão para ocorrer no início de janeiro, porém,. No entanto, em fins de dezembro, as subsidiárias rescindiram os contratos dos funcionários remanescentes conforme a legislação alemã. O consórcio havia manifestado a intenção de recontratar os profissionais após a conclusão da aquisição.

Fundada em 2015, a Lilium possuía aproximadamente quinhentos engenheiros aeronáuticos. A empresa planejava lançar seu eVTOL totalmente elétrico este ano, com o primeiro voo tripulado e entregas previstas para 2026. O financiamento da operação dependia de pré-pagamentos dos clientes e novos investimentos.

Antes da insolvência, a empresa mantinha uma carteira preliminar de pedidos de mais de 780 jatos eVTOL de operadores na América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia e Oriente Médio. Entre os contratos mais relevantes estavam até cem jatos para o Grupo Saudia, com 50 pedidos firmes e opção para mais 50, além de uma previsão de entrega a partir de 2026. 

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