Embraer deve concluir negociações com a Boeing ainda este ano

Expectativa é que novo governo não se oponha ao acordo

Por Edmundo Ubiratan Publicado em 01/11/2018, às 15h00 - Atualizado às 15h32

A Embraer espera concluir ainda este ano o acordo com a Boeing para a criação de uma joint venture para a divisão de aviões comerciais. Mesmo com a eleição do novo presidente, a Embraer acredita que não terá problemas para concluir o negócio.

Durante a teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre, o presidente da Embraer, Paulo César de Sousa e Silva, afirmou que a fabricante está perto de finalizar as negociações com a Boeing e que apresentará em breve a proposta ao governo brasileiro. A União possui uma cláusula contratual, dentro das chamadas ações Golden share, que permitem vetar negociações que considere contra os interesses nacionais. Por se tratar de uma indústria de alta tecnologia e com uma série de negócios estratégicos com o país, o Governo brasileiro manteve após a privatização a posição de direito a veto.

O contrato prevê que a Boeing assuma o controle operacional e estratégico da nova empresa, enquanto a gestão do negócio ficará no Brasil. Um novo CEO e presidente serão designados, ficando ambos subordinados ao CEO da Boeing, atualmente Dennis Muilenburg. As conversas até o momento mostram que toda a operação industrial e de engenharia continuará no Brasil, mudando apenas o controle acionário da companhia.

Após a aprovação em assembleia, o projeto entre os dois fabricantes deverá ser submetido a avaliação de órgãos antitruste do Brasil e Estados Unidos. A previsão é que, caso o governo brasileiro não se oponha ao projeto elaborado, o acordo será finalizado meados de julho do próximo ano.

A transação trará uma valorização nas ações da divisão comercial em US$ 4,75, com valor total previsto de US$ 3,8 bilhões para 80% de participação da Boeing na joint venture. Para o fabricante norte-americano a nova empresa poderá gerar lucros a partir de 2020.

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