A descarbonização da aviação não começa no ar, começa no solo. Em Confins, decidimos liderar essa transformação
Fred Vilaronga* Publicado em 24/04/2026, às 15h00
No Aeroporto Internacional de Confins, na região Metropolitana de Belo Horizonte, demos um passo relevante na modernização das operações de ground handling. A incorporação de 20 rebocadores elétricos BYD Green-Tug Q250LS eleva para 27 o número de equipamentos elétricos na frota de uma das empresas que ali opera. Desde 2022, já realizamos 90% das atividades com frota eletrificada, posicionando Confins como referência nacional em eficiência ambiental.
Com essa expansão, passamos a evitar a emissão de mais de 720 toneladas de CO₂ por ano. Cada rebocador a diesel geraria até 36 toneladas anuais do gás, impacto que conseguimos eliminar. Além da redução de emissões, os novos veículos trazem ganhos operacionais relevantes: maior disponibilidade no pátio, eficiência aprimorada e menor necessidade de manutenção. É um ciclo virtuoso que alia sustentabilidade à performance.
Para entender a profundidade dessa jornada, vale voltar a 2022, quando iniciamos esse movimento. Estruturamos um projeto-piloto em parceria com a LATAM Airlines Brasil e a BH Airport, com investimento superior a R$ 30 milhões. A iniciativa priorizou equipamentos 100% elétricos para atender exclusivamente os voos da LATAM. Já naquele momento, conseguimos migrar 50% da operação, equivalente a 10 voos diários, para energia elétrica, evitando 114 toneladas de CO₂ em 12 meses.
Desde o início, tínhamos uma meta clara: alcançar 100% dos voos LATAM (cerca de 25 diários) com operação em solo eletrificada até o fim de 2023. Para isso, adquirimos rebocadores, tratores de bagagens e esteiras elétricas, importados da França, enquanto a BH Airport investiu em infraestrutura, como subestação e pontos de carregamento, alinhando-se à certificação de Aeroporto Verde. Essa sinergia reforça um ponto essencial: parcerias estratégicas são determinantes para acelerar a descarbonização.
Na prática, vimos que a eletrificação não é apenas viável do ponto de vista ambiental, ela também se mostra eficiente sob a ótica operacional e econômica. Reduz emissões diretas, diminui custos de manutenção e aumenta a disponibilidade dos equipamentos, contribuindo para uma operação mais previsível e resiliente.
Em um setor historicamente dependente de combustíveis fósseis, essa transformação representa mais do que conformidade regulatória é uma mudança estrutural. Confins hoje não apenas acompanha essa evolução, mas ajuda a liderá-la, servindo de referência para outros aeroportos no Brasil.
A importância desse movimento é clara. As operações em solo representam uma parcela relevante das emissões aeroportuárias, e iniciativas como essa têm impacto direto na redução da pegada de carbono da aviação. Ao mesmo tempo, reforçam a competitividade das empresas que investem em inovação e sustentabilidade em um mercado cada vez mais exigente.
Tenho orgulho de demonstrar, na prática, que sustentabilidade não é apenas necessária, ela é também um vetor claro de eficiência e competitividade para o futuro da aviação.
Fred Vilaronga é CEO da Real Aviation Services