Tragédia

O avião que caiu com a delegação da Chapecoense é um quadrimotor fabricado pela British Aerospace

Modelo perdeu mercado com o surgimento da nova geração de aeronaves regionais da Bombardier e Embraer

Por Edmundo Ubiratan em 29 de Novembro de 2016 às 07:00

A avião que caiu com a delegação da Chapecoense enquanto viajava para Medellín, Colômbia, local do primeiro jogo da decisão da Copa Sul-Americana, era um BAe 146 (RJ-85) da empresa venezuelana Lamia (Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación). O avião, que desapareceu do radar nas cercanias da cidade de La Unión, transportava 81 pessoas, sendo 72 passageiros e sete tripulantes.


BAe 146 envolvido no acidente
Foto: Keithnewsome Airport-Data

A Lamia é uma empresa com sede na Velezuela com operações na Bolívia, onde foi registrado o avião envolvido no acidente. A aeronave, matricula CP-2933, realizou o primeiro voo em março de 1999, sendo entregue no mesmo mês para a norte-americana Northwest (Mesaba), pela qual voou até meados de 2006. No ano seguinte, foi repassado à CityJet, e vendido à Lamia da Venezuela em 2013. Em fevereiro de 2014, a aeronave foi transferida para a Lamia boliviana, onde operava desde então.

O BAe 146 é um avião regional quadrimotor produzido pela British Aerospace entre 1983 e 2002. A aeronave surgiu como uma das pioneiras no segmento, oferecendo capacidade inferior a 100 assentos, com propulsão a jato e custos operacionais ligeiramente superiores aos grandes turbo-hélices que ainda eram operados na época, como o Lockheed Electra. Ao longo de 17 anos, o fabricante lançou três gerações do modelo, que no total acumularam 387 aeronaves produzidas.

O BAe 146-200 surgiu em 1982, logo após o primeiro voo do BAe 146-100, contando com uma fuselagem alongada em 2,41 m e impulsionado pelos motores Textron Lycoming LF 507. Em 1993, já dentro da nova estrutura comercial da BAe System, a Avro International redesignou o modelo como RJ85, realizando algumas melhorias de projeto, assim como um novo layout de cabine que partiu o transporte de até 112 passageiros.

A família BAe 146 não resistiu à chegada de modelos mais econômicos, como a série CRJ da Bombardier e posteriormente os Embraer E-Jets. Embora tivesse uma capacidade ligeiramente superior em relação aos novos rivais, seus quatro motores e as dificuldades de venda dos britânicos levaram ao encerramento do projeto em 2002.

De acordo com informações iniciais, o Chapecoense havia tentado fretar o avião partindo de São Paulo, mas foi vetado pela ANAC. A Lamia é uma pequena empresa com sede em Mérida, Venezuela, sem tradição no transporte aéreo e que opera uma frota composta por três RJ-85, enquanto sua divisão boliviana operava uma aeronave, a que está envolvida no acidente.

No website da empresa existe um alerta para a busca de sócios, demonstrando a falta de recursos da pequena companhia aérea. Atualmente, a Venezuela não possui sequer alguma empresa de aviação regular expressiva e as poucas que mantêm sede no país sofrem com a falta de recursos e com a grave crise econômica.

O acidente

De acordo com as autoridades colombianas, chovia na região de Medellín e a aeronave caiu numa região de montanhas no entorno da cidade. Embora seja uma informação preliminar, as autoridades de aviação não descartam uma queda por pane seca. Por ora, as equipes de busca afirmam que a aeronave não explodiu na queda e que alguns sobreviventes já foram resgatados.

Embora alguns veículos de comunicação tenham afirmado que o piloto teria "alijado" o combustível, o BAe 146 em todas as suas versões não conta com o sistema de "dump fuel", que permite aliviar a quantidade de combustível presente nos tanques.

Os sobreviventes foram levados para dois hospitais da região próxima ao aeroporto Jose Maria Córdoba, em Rionegro, nas imediações de Medellín.

Site da empresa mostra a busca sócio


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