A320neo pronto para voar

Primeiro modelo da nova família da Airbus a ser submetido a testes em voo deve decolar em setembro

Por Santiago Oliver em 30 de Julho de 2014 às 00:00

A320

A Airbus concluiu a montagem do primeiro A320neo (nova opção de motores, na sua sigla em inglês) ao instalar os propulsores Pratt&Whitney PW1100G-JM e pintar a aeronave. O MSN6101, que será o primeiro modelo da família a voar, iniciará em breve os testes em solo na preparação para o voo inaugural. O programa de testes de voo do A320neo será iniciado em setembro deste ano, abrindo caminho para sua entrada em serviço, no quarto trimestre de 2015.

Em dezembro de 2010, o consórcio europeu lançou oficialmente a nova geração da família A320neo. Com 3.090 encomendas feitas por 57 clientes – a mais recente delas, até o fechamento desta edição, feita pela SMBC Aviation Capital, que adquiriu 110 unidades durante o Farnborough Air Show 2014 –, as aeronaves incorporam inovações em relação aos atuais A320. Desde o seu lançamento, a família A320neo já capturou mais de 60% do mercado de jatos de um corredor na faixa dos 124 a 240 passageiros.

O avião

O A320neo é a mais recente das muitas atualizações de produtos da Airbus, que continua a investir cerca de 300 milhões de euros por ano nessa família para ampliar a eficiente no consumo de combustível do jato. Os novos modelos A319, A320 e A321 foram anunciados em dezembro de 2010 e apresentam novos motores (Pratt&WhitneyPurePower PW1100G ou CFM Leap-1A), além de grandes dispositivos de ponta de asa conhecidos como ­sharklets. Juntos, eles resultam em uma redução de queima de combustível de até 15%, correspondendo a uma redução de CO2 anual de 3.600 toneladas por aeronave.

Os sharklets estão disponíveis desde o final de 2012 como uma opção de ajuste para os modelos anteriores, proporcionando atualmente até 4% de redução na queima de combustível em viagens longas, correspondendo a uma redução anual de CO2 de cerca de 1.000 toneladas por aeronave, segundo a Airbus.

A cabine

A família A320 foi projetada para otimizar a receita de empresas aéreas por meio da adaptabilidade da cabine de passageiros. A seção transversal de cabine permite configurações com assentos de 45,7 cm ou um corredor extragrande para o trânsito rápido, além de aceitar maiores compartimentos de bagagem superiores. Para a família A320, a Airbus desenvolveu uma nova opção de configuração do espaço disponível do piso, oferecido pela versão de fuselagem mais longa, a A321. Com a opção “Cabin-Flex”, a quantidade máxima de assentos da aeronave, baseada nos limites de saída, aumentou para 236. A fuselagem mais ampla também fornece uma capacidade de carga maior. Os modelos A319, A320 e A321 oferecem um sistema de carregamento de carga em contêineres, que reduz custos de manuseio e equipamentos no solo, além de diminuir a necessidade de carregamento manual de bagagens individuais.

Hoje, a Airbus oferece aos operadores dos primeiros modelos de aeronaves da família A320 a opção de efetuar o retrofit, com melhora significativa na capacidade de armazenamento dos compartimentos superiores de bagagem, iluminação de ambiente com diferentes níveis, além da redução de ruído.

A320

A Tecnologia

A Airbus também oferece aos operadores da família A320 o aprimoramento da tecnologia “Desempenho de Navegação Obrigatório – Autorização Obrigatória” (RNP-AR, na sua sigla em inglês) combinada com o gerenciamento de tempo do “Horário de Chegada Obrigatório” (RTA, na sua sigla em inglês), o que permite à aeronave realizar uma aproximação em descida contínua (CDA, na sua sigla em inglês), mais eficiente do que o tradicional “mergulhar e manobrar”.

Os benefícios práticos são a diminuição do ruído e do consumo de combustível, uma vez que exige menos empuxo dos motores. O RNP-AR também melhora a acessibilidade, permitindo a pilotos especialmente treinados e autorizados voar em altitudes mais baixas, em uma rota mais precisa e eficiente para o aeroporto, economizando combustível e diminuindo emissões de poluentes, além de ajudar a reduzir o impacto das condições meteorológicas desfavoráveis sobre os serviços.

A história

Os A318, A319, A320 e A321 compõem a família de aeronaves de um corredor mais vendida no mundo e se tornaram referência no crescente mercado de transportadoras de baixo custo. Eles concorrem diretamente com os Boeing 737NG e já disputaram mercado com os 717, 737-600 e 757, além da família Mc Donnell Douglas MD-80/90. O primeiro A320 foi lançado em março de 1984, fez seu primeiro voo em 22 de fevereiro de 1987, entrou em operação em abril de 1988 e rapidamente se estabeleceu nos segmentos de alcances curto e médio.

Normalmente configurado para 150 passageiros em duas classes ou até 180 em um layout de alta densidade, para operações de fretamento e baixo custo, o A320 está em serviço em todo o mundo, voando em rotas que variam de curtas distâncias na Europa a voos fretados de costa a costa nos Estados Unidos.

O maior membro da família, o A321, entrou em serviço em janeiro de 1994 com um alcance de 5.930 km (3.200 nm). Com um custo operacional por assento competitivo, normalmente transporta 185 passageiros em uma configuração de duas classes, ao mesmo tempo em que oferece uma economia imbatível com sua capacidade de alta densidade de 220 passageiros para fretamentos e operadoras de baixo custo. Para a próxima aeronave A321neo, a Airbus está oferecendo uma nova opção de interior que acomoda até 236 assentos, 16 lugares a mais do que o máximo permitido no A321, o que leva a uma redução nos custos por assento por km voado de 5%.

O A319 é ligeiramente menor do que o A320. O primeiro foi entregue em abril de 1996. Ele continua a provar sua versatilidade, permitindo que as companhias aéreas tirem proveito de suas opções de alcance e flexibilidade na configuração de assentos. Além disso, para complementar o modelo padrão de 124 assentos, que tem um alcance de 6,930 km (3.740 nm), a Airbus oferece uma opção – considerando os pedidos efetuados por um crescente número de companhias aéreas de baixo custo – que permite maior eficiência de assentos, com capacidade de até 156 lugares.

O menor membro da família A320 é o A318, que entrou em operação em julho de 2003. Essa aeronave, que não fará parte da família A320neo, tem alcance de até 5.750 km (3.100 nm) e normalmente acomoda 107 passageiros em configuração de duas classes, e até 132 passageiros em classe única. Ele tem desempenho imbatível de decolagem e pouso, exigindo menos pista do que aeronaves similares, o que proporciona aos operadores acesso a uma maior diversidade de aeroportos.

Pilotos poderão voar qualquer um dos membros da nova família A320neo depois de apenas um curso de formação

A comunalidade

A vantagem da família A320 vem dos benefícios oferecidos pela semelhança operacional da Airbus, que fornece uma enorme flexibilidade quanto à escolha da aeronave certa para os requisitos de cada rota específica. Todas as aeronaves da família A320 e A320neo compartilham a mesma qualificação de tipo, permitindo que os pilotos possam voar em qualquer um dos membros da família depois de apenas um curso de formação e também que a mesma equipe de mecânicos possa realizar a manutenção das aeronaves.

Com apenas um treinamento adicional mínimo, os pilotos podem fazer a transição para os widebody de longo alcance, como o A330 e o novo A330neo, graças ao conceito de família da Airbus voltado à comunalidade. Os bimotores A319, A320 e A321 poderão ser equipados por motores CFM International CFM56 ou International Aero Engines V2500 (além dos motores CFM Leap-1A ou Pratt&Whitney PurePower PW1100G, que, a partir de 2015, equiparão a família A320neo).

Os concorrentes

Assim como os Boeing 737NG (737-600/-700/-800/-900) foram a resposta da Boeing à família A320, que, por sua vez, foi lançada para concorrer com os Boeing 737-300/-400/-500 – os chamados “clássicos”. A reposta do fabricante norte-americano aos A319neo, A320neo e A321neo são os Boeing 737-700 MAX 7, 737-800 MAX 8 e 737-900 MAX 9, respectivamente, os quais serão equipados com os novos motores CFM International Leap-1B, que, segundo seu fabricante, reduzem a queima de combustível e as emissões de CO2 em 13%, quando comparado à maioria das aeronaves de corredor único mais econômicas da atualidade. De acordo com a Boeing, o desenvolvimento do 737 MAX cujo primeiro voo está previsto para 2016 com o início das entregas aos clientes em 2017. Boeing conta com 2.166 pedidos firmes, entre eles 464 aeronaves de variante não divulgada.

No Canadá está sendo finalizado o desenvolvimento da CSeries, composta pelo CS100 com 108/125 assentos e o CS300, com capacidade para 130/160 passageiros e, portanto, concorrente do A319neo. O fabricante, que conta com 564 encomendas do CS300, planeja realizar o primeiro voo da aeronave, equipada com dois motores Pratt&Whitney PW1500G, em meados de 2015.

Já o Comac C919 é a proposta chinesa para uma família de aviões comerciais de corredor único para 158 a 174 passageiros a ser construída pela Commercial Aircraft Corporation of China. O C919, do qual já existem 400 encomendas, será a maior aeronave comercial projetada e construída na China, desde o mal-sucedido Shanghai Y-10. Espera-se que o primeiro protótipo, equipado com motores CFM International Leap-X1C, realize seu voo inaugural em 2015, com as primeiras entregas planejadas para o final de 2018.

Especialistas consultados foram quase unânimes nas suas opiniões, considerando os principais concorrentes da família A320 os produtos da Boeing, já que, como já é tradicional, seus três modelos são equivalentes aos três aviões europeus. Em relação ao CS300, o que se diz é que as companhias aéreas ainda preferem as famílias de aviões, pois isso representa uma importante economia na manutenção e no treinamento de pilotos, e a aeronave canadense concorre apenas com o A319neo. Não por acaso o CS300, que pertence a uma família cujo outro integrante não concorre com nenhum dos modelos da Airbus, recebeu poucas encomendas, também por conta dos contínuos atrasos no projeto.

Quanto ao C919, a opinião é de que, assim como o modelo canadense, deverá concorrer apenas com um membro da família do consórcio europeu, neste caso o A320neo. Em princípio, não deverá ser competitivo, tecnológica nem comercialmente, quando entrar em serviço, devido à forte dependência de fornecedores estrangeiros, principalmente porque o preço dos motores é um dos fatores-chave nos custos de fabricação de uma aeronave.

Comparativos

Airbus conta com 3.090 encomendas firmes da família A320neo enquanto a Boeing totaliza 2.105 pedidos firmes do 737-MAX, incluindo 464 encomendas de variante não divulgada


Fontes: Fabricantes


Indústria A320neo Airbus Pratt&Whitney PW1100G-JM A319 A320 A321

Artigo publicado nesta revista

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