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Conflitos armados impactam voos internacionais no México

Morte de líder criminoso provoca cancelamentos de voos em dois dos maiores aeroportos mexicanos


MEX
Escalada de confrontos após morte de “El Mencho” leva companhias dos EUA e Canadá a suspender voos - AICM

A escalada de violência no estado mexicano de Jalisco, desencadeada pela morte de um dos principais líderes do narcotráfico no país, provocou cancelamentos em massa de voos e cenas de pânico nos aeroportos de Puerto Vallarta e Guadalajara, no último domingo (22).

Companhias aéreas norte-americanas e canadenses suspenderam operações em Puerto Vallarta, enquanto Guadalajara manteve funcionamento parcial sob forte esquema de segurança.

Violência em Jalisco impacta operações aeroportuárias

Confrontos armados entre integrantes de cartel e forças de segurança mexicanas foram registrados em múltiplos pontos do estado de Jalisco, incluindo áreas próximas aos dois principais aeroportos da região.

Imagens divulgadas nas redes sociais mostram passageiros correndo pelos terminais e áreas externas do aeroporto internacional de Guadalajara durante relatos de tiroteios nas imediações. Em Puerto Vallarta, vídeos registraram colunas de fumaça nas proximidades do aeroporto após a intensificação da violência na cidade litorânea.

A crise de segurança ocorre no principal reduto do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), uma das organizações criminosas mais influentes do México.

Cancelamentos e suspensão de voos

Diversas companhias suspenderam voos de e para Puerto Vallarta por tempo indeterminado, diante da deterioração do cenário de segurança. Entre as companhias que anunciaram cancelamentos estão American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines, Southwest Airlines, Alaska Airlines, WestJet e Air Canada.

As suspensões abrangem rotas internacionais e parte significativa da malha doméstica em Puerto Vallarta. Em Guadalajara, o aeroporto seguiu operando, embora algumas companhias — como a American Airlines — tenham cancelado integralmente suas frequências.

A interrupção das operações comerciais foi precedida por alertas emitidos pelos governos dos Estados Unidos, Canadá e outros países, recomendando que seus cidadãos evitem deslocamentos para a região e permaneçam abrigados caso já estejam no local.

Posicionamento dos operadores aeroportuários

O Grupo Aeroportuario del Pacífico (GAP), operador do aeroporto de Puerto Vallarta e de outros terminais no México, informou em comunicado que “o aeroporto não registrou impactos em suas operações internas nem na segurança dentro de suas instalações”.

Segundo a administradora, o fechamento a voos internacionais e à maioria dos voos domésticos foi motivado por decisões das companhias aéreas.

O aeroporto internacional de Guadalajara publicou nota em uma rede social dizendo que suas instalações “não foram palco de confronto armado” e que o terminal seguia operando normalmente.

O comunicado classificou as cenas de pânico divulgadas online como resultado de um momento de “psicose” gerado pela crise de segurança mais ampla, e não por risco direto às instalações aeroportuárias. De acordo com o operador, o aeroporto está “totalmente sob controle da Guarda Nacional mexicana e de outras agências de segurança”.

Contexto da escalada de violência

Os confrontos tiveram início após a morte de Nemesio Rubén Oseguera, conhecido como “El Mencho”, apontado como líder do CJNG. Segundo relatos, a operação que resultou em sua morte foi conduzida por forças de segurança mexicanas com apoio dos Estados Unidos.

A ofensiva desencadeou bloqueios viários, incêndios de veículos e confrontos armados em diferentes municípios de Jalisco, afetando infraestrutura urbana e logística regional, incluindo acessos aeroportuários.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 23/02/2026, às 08h21


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