O Brasil deve viver um dos anos mais aquecidos para viagens corporativas em 2026, com forte alta da demanda e crescimento contínuo da mobilidade de negócios

As projeções para 2026 indicam que o Brasil deverá registrar um dos períodos mais aquecidos da última década nas viagens corporativas, impulsionado pelo forte crescimento observado em 2025.
Dados de mercado mostram aumento consistente no volume de deslocamentos profissionais e no faturamento das empresas especializadas, reafirmando a recuperação da mobilidade de negócios no país.
O relatório da Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) posiciona o Brasil como o 10º maior mercado global em viagens de negócios, com fluxo anual estimado em US$ 30,5 bilhões.
A tendência ocorre em um contexto de queda no valor das ações de plataformas de reuniões virtuais, como o Zoom, que recuou de US$ 559 (R$ 2.968) em outubro de 2020 para cerca de US$ 73 (R$ 387) em agosto de 2025.
A redução do uso de plataformas de reuniões virtuais reflete a desaceleração desse modelo após o pico observado durante a pandemia. Com a retomada presencial e a necessidade crescente de encontros estratégicos, negociações sensíveis e visitas operacionais, as empresas têm migrado novamente para deslocamentos físicos. Esse movimento sustenta o aumento da demanda por viagens de negócios, alinhando o comportamento corporativo à expansão prevista para 2026.
A retomada presencial é observada de forma consistente no comportamento do viajante de negócios. Um estudo da consultoria VOLL, com base na movimentação de 750.000 usuários, apontou crescimento de 47% no volume de viagens entre janeiro e março de 2025, em comparação com igual período de 2024.
No mesmo ritmo, a Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) registrou faturamento de R$ 1,21 bilhão em agosto de 2025, alta de 2,41% na comparação anual.
Os serviços aéreos responderam por quase 60% desse valor (R$ 722 milhões), enquanto a rede hoteleira movimentou R$ 368 milhões. O desempenho reforça a expansão do ecossistema da mobilidade corporativa, que segue impulsionando diferentes setores da economia.
O avanço da demanda vem acompanhado de maior atenção à gestão de riscos nas viagens corporativas. Segundo Hugo Reichenbach, sócio e diretor de operações da Real Seguro Viagem, o aumento de deslocamentos presenciais intensifica a busca das empresas por proteção financeira e operacional.
“[O ano de] 2026 certamente registrará mais deslocamentos e reencontros profissionais. Isso exige planejamento e proteção adequados”, disse Reichenbach. Ele acrescentou que imprevistos como problemas de saúde, acidentes, extravio de bagagem, atrasos ou cancelamentos de voos podem comprometer compromissos estratégicos e gerar custos adicionais.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 05/12/2025, às 09h40
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