A Venezuela notificou companhias aéreas estrangeiras para que pagamentos por combustível Jet A-1 sejam feitos diretamente a contas administradas pelos EUA

O governo da Venezuela notificou companhias aéreas estrangeiras que operam no país sobre uma alteração no processo de pagamento do combustível aeronáutico fornecido localmente.
Segundo comunicado enviado pelo Ministério dos Hidrocarbonetos na última quinta-feira (28), os valores referentes à compra de combustíveis como Jet A-1 deverão ser transferidos diretamente para contas vinculadas ao governo dos Estados Unidos.
A comunicação foi encaminhada a pelo menos uma companhia aérea latino-americana e uma empresa espanhola, de acordo com a agência espanhola EFE. O texto foi acompanhado por um anexo contendo dados bancários fornecidos por autoridades norte-americanas.
No comunicado, o Ministério dos Hidrocarbonetos elenca os procedimentos para transferências internacionais destinadas ao pagamento do consumo de combustíveis utilizados pelos setores aéreo e marítimo.
A notificação também informa que o governo dos Estados Unidos pode receber recursos em nome da Venezuela por meio da rede Fedwire, sistema de transferências eletrônicas operado pelo Federal Reserve. Segundo o texto, os valores são direcionados para uma conta de custódia, com exigência de identificação da origem dos recursos transferidos.
A medida ocorre em um contexto de mudanças na administração das receitas provenientes de recursos energéticos venezuelanos. Após a captura do ex-presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas durante uma operação realizada em janeiro, autoridades dos Estados Unidos anunciaram que passariam a supervisionar receitas ligadas às exportações de petróleo e outros produtos energéticos do país.
Na ocasião, Chris Wright, secretário de Energia dos Estados Unidos, declarou que Washington controlaria de forma indefinida as vendas de petróleo venezuelano e depositaria os recursos em contas administradas pelo governo norte-americano.
Em comunicado divulgado anteriormente, a Casa Branca afirmou que os recursos mantidos nas contas de custódia continuam sendo propriedade soberana da Venezuela.
“A ordem declara que os fundos são propriedade soberana da Venezuela, mantidos sob custódia dos EUA para fins governamentais e diplomáticos, e não estão sujeitos a reivindicações privadas”, segundo a Casa Branca.
A nova orientação afeta diretamente operadores internacionais que abastecem aeronaves em aeroportos venezuelanos, incluindo empresas que utilizam combustível Jet A-1 para voos comerciais regulares e operações internacionais. O procedimento também se aplica a combustíveis destinados ao setor marítimo.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 04/06/2026, às 10h17
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