Força Aérea dos EUA realiza teste em voo integrando F-22 Raptor e MQ-20 Avenger em conceito de manned-unmanned teaming

A Força Aérea dos Estados Unidos (USAF, na sigla em inglês) realizou ontem (23), uma demonstração em voo de integração entre aeronaves tripuladas e sistema aéreo não tripulado, conectando um caça F-22 Raptor e um drone MQ-20 Avenger.
O teste teve como objetivo avaliar como aeronaves autônomas podem apoiar caças de primeira linha em operações futuras.
O teste foi conduzido pela USAF em parceria com a General Atomics Aeronautical Systems, responsável pelo fornecimento da plataforma Avenger e do software de autonomia empregado na missão.
Segundo detalhes do teste, o piloto do F-22 utilizou um enlace de dados tático (data-link) e uma interface para emitir comandos em nível de missão ao MQ-20. Entre as tarefas delegadas estiveram navegação por pontos de referência (waypoints), padrões de patrulha e atividades simuladas de engajamento. Após receber instruções de alto nível, o MQ-20 executou as tarefas de forma autônoma, sem pilotagem remota contínua.
O conceito testado diferencia-se do modelo tradicional de aeronaves remotamente pilotadas, ao priorizar o emprego de sistemas não tripulados como ativos cooperativos sob comando tático, e não como plataformas controladas diretamente em tempo real.
A USAF destacou que a proposta não é transformar pilotos de caça em operadores de drones a partir do cockpit. O conceito de manned-unmanned teaming (MUM-T) busca permitir que aeronaves tripuladas comandem sistemas não tripulados no nível tático, integrando-os como multiplicadores de força em cenários de combate aéreo avançado. Nesse contexto, o MQ-20 atua como plataforma substituta (surrogate) para experimentação.
Embora não esteja previsto para serviço operacional como aeronave de combate colaborativo (CCA) em sua configuração atual, o MQ-20 apresenta desempenho compatível com operações de alta velocidade, capacidade de carga útil relevante e interfaces adequadas para testes de sensores, algoritmos e enlaces de dados.
A participação do F-22 é considerada relevante pelo fato de o caça de quinta geração ter sido concebido décadas antes dos atuais programas autônomos e inteligência artificial embarcada. O caça não foi originalmente projetado para controlar sistemas aéreos não tripulados cooperativos.
As demonstrações em curso concentram-se menos em uma incorporação imediata e mais na compreensão de como vetores legados podem operar ao lado de futuros CCA, ampliando a interoperabilidade entre plataformas tripuladas e aeronaves autônomas em arquiteturas de combate distribuído.
Nos últimos anos, a USAF vem adaptando plataformas existentes para experimentos com sistemas autônomos e inteligência artificial. No âmbito do programa Venom, caças F-16 Fighting Falcon estão sendo convertidos em bancadas de testes para avaliar software de controle de voo autônomo e algoritmos de tomada de decisão em combate.
Esses ensaios antecedem fases mais amplas de validação operacional, com foco na integração progressiva de agentes autônomos em missões complexas.
Na Europa, a sueca Saab realizou voos com o caça Gripen E equipado com o agente de inteligência artificial Centaur, desenvolvido pela Helsing, capaz de executar manobras complexas e apoiar missões além do alcance visual (BVR).
A França, por sua vez, adaptou o Mirage 2000D RMV como plataforma de testes para inteligência artificial aplicada ao combate e conceitos de interação homem-máquina, com potencial de influenciar sistemas aéreos futuros.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 24/02/2026, às 12h14
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