Scott Kirby, CEO da United Airlines, confirmou que buscou uma fusão com a American Airlines. A proposta foi rejeitada pela concorrente

A possibilidade de uma fusão entre United Airlines e American Airlines foi oficialmente confirmada nesta segunda-feira (27), por Scott Kirby, CEO da United, após dias de especulação no setor aéreo.
Segundo o executivo, a companhia procurou a rival para discutir uma combinação entre as duas maiores empresas da aviação comercial dos Estados Unidos, mas a proposta foi recusada pela American, encerrando as tratativas.
A declaração ocorreu após a agência Reuters publicar, no último dia 13 de abril, que Kirby teria discutido o tema diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante uma reunião na Casa Branca sobre o futuro do aeroporto internacional de Washington (IAD).
Em comunicado oficial, Scott Kirby disse que a proposta não tinha como foco cortes operacionais, mas crescimento de malha aérea, ampliação internacional e fortalecimento da competitividade das companhias norte-americanas frente às transportadoras estrangeiras.
“Eu procurei a American para explorar uma combinação porque achei que poderíamos fazer algo incrível para os clientes juntos”, disse Kirby.
Segundo o executivo, a fusão permitiria ampliar a oferta de voos internacionais, expandir serviços para comunidades menores e criar uma operadora com maior escala para competir globalmente.
Ele destacou ainda que, historicamente, fusões no setor aéreo ocorreram entre companhias em dificuldades, com foco em redução de custos, voos e pessoal. No caso da proposta entre United e American, segundo ele, o objetivo seria oposto. “A ideia ousada que eu queria perseguir era sobre crescimento, que inauguraria uma nova era de liderança da aviação dos Estados Unidos”, disse.
De acordo com a Reuters, a discussão sobre uma eventual fusão ocorreu no fim de fevereiro, durante encontro entre Scott Kirby e Donald Trump na Casa Branca. A pauta principal era o futuro do aeroporto internacional de Washington, mas o tema da consolidação entre as empresas teria surgido no encerramento da agenda.
Segundo fontes ouvidas pela agência, Kirby argumentou que a combinação entre United e American criaria uma empresa mais forte para disputar mercados internacionais, especialmente diante da participação crescente de companhias estrangeiras nas rotas de longo curso para os Estados Unidos.
No comunicado, o CEO reforçou esse ponto ao afirmar que transportadoras estrangeiras operam cerca de 65% dos assentos internacionais de longa distância para os EUA, embora apenas 40% dos passageiros sejam cidadãos estrangeiros.
Quatro dias após a publicação, a American Airlines informou publicamente que não participa e não tem interesse em discussões sobre uma possível fusão com a United.
A empresa sustenta que uma eventual combinação entre as duas companhias seria prejudicial à concorrência, aos consumidores e poderia enfrentar barreiras significativas no campo regulatório e antitruste.
Segundo Scott Kirby, sem um parceiro disposto, uma operação desse porte não pode avançar. “Sem um parceiro disposto, algo desse tamanho simplesmente não pode ser feito”.
O CEO da United defendeu que a fusão poderia aumentar a oferta total de assentos econômicos, ampliar programas de fidelidade, acelerar investimentos em tecnologia e fortalecer a indústria aeronáutica dos Estados Unidos.
Entre os argumentos apresentados estão a geração de milhares de empregos sindicalizados, estímulo à fabricação doméstica de aeronaves e maior fluxo de receitas para comunidades locais e cadeias produtivas americanas.
O executivo também afirmou que não proporia uma combinação que elevasse tarifas aos passageiros. “Nós não proporíamos uma combinação que causasse aumento de preços para os clientes”, declarou.
Apesar da defesa pública da proposta, uma eventual fusão entre United Airlines e American Airlines enfrentaria forte escrutínio regulatório nos Estados Unidos, especialmente sob legislação antitruste.
O executivo da United reconheceu que desinvestimentos em determinados mercados domésticos seriam inevitáveis, mas afirmou acreditar que uma operação baseada em crescimento e expansão, e não em redução de capacidade, poderia obter aprovação regulatória.
Com a negativa da American, a possibilidade de consolidação entre as duas empresas fica, ao menos por ora, fora de pauta.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 27/04/2026, às 08h55
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