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Preço do combustível dispara e aviões da Embraer reduzem voos na África

A Rano Air suspendeu temporariamente parte de suas rotas domésticas na Nigéria após um aumento de 300% no preço do combustível Jet A1


E145
Companhia aérea nigeriana reduz malha doméstica e prioriza rotas de maior demanda com o Embraer E145 - Divulgação

A companhia aérea Rano Air anunciou recentemente a suspensão temporária de parte de suas rotas domésticas feitas pelos seus Embraer ERJ-145 após o aumento de 300% no preço do combustível de aviação Jet A1 na Nigéria.

Segundo a empresa, a escalada dos custos tornou determinadas operações “comercialmente insustentáveis”, levando à redução da malha aérea para preservar a continuidade operacional.

Em comunicado, a transportadora disse que a elevação do preço do combustível tornou “extremamente desafiadora” a manutenção de algumas ligações regionais. A empresa declarou que a medida busca assegurar operações “seguras, confiáveis e sustentáveis”.

Rotas domésticas afetadas

A Rano Air não detalhou oficialmente quais serviços foram suspensos, mas confirmou que as interrupções são temporárias. Dados de rastreamento ADS-B divulgados pela imprensa africana indicam que a empresa passou a concentrar suas operações em rotas triangulares de maior demanda e rentabilidade entre Kano, Abuja e Lagos.

Os voos para destinos de menor densidade de tráfego foram reduzidos ou interrompidos, incluindo serviços para Kaduna, Gombe, Maiduguri, Bauchi, Sokoto, Katsina e Warri.

A estratégia acompanha um movimento observado em companhias aéreas africanas diante da pressão de custos operacionais, especialmente relacionados ao combustível de aviação e à volatilidade cambial.

Frota e operação atual

De acordo com dados da plataforma ch-aviation, a Rano Air opera uma frota de cinco Embraer ERJ-145 incorporados em 2022, dos quais três permanecem ativos atualmente.

Antes da redução operacional, a companhia atendia dez rotas domésticas na Nigéria. Com a reorganização da malha, a operação passou a priorizar corredores considerados mais rentáveis dentro do mercado doméstico nigeriano.

Pressão do combustível

O aumento do preço do Jet A1 tem pressionado companhias aéreas em diferentes mercados emergentes, especialmente operadores regionais e empresas com frota de jatos de menor capacidade. O combustível de aviação representa uma das principais parcelas do custo operacional das empresas aéreas, influenciando diretamente a sustentabilidade de rotas de baixa demanda.

No Brasil, o querosene de aviação (QAV) representa cerca de 40% do custo das companhias aéreas, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).

Por Marcel Cardoso
Publicado em 19/05/2026, às 09h28


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