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Philipe Figueiredo diz que JSSI aposta no Brasil para crescer em peças e leasing aeronáutico

Vice-presidente de desenvolvimento de negócios da JSSI Parts & Leasing afirma que o Brasil será central na estratégia de crescimento da empresa, com foco em peças, motores, APU para leasing e suporte à aviação de negócios


Philipe Figueiredo
JSSI

Philipe Figueiredo afirma que o Brasil terá papel estratégico na expansão global da JSSI, sobretudo pela força da aviação executiva e pela demanda em regiões remotas, com destaque para o agronegócio.

A empresa aposta em atendimento direto, estoque próprio e leasing de peças, motores e APU para reduzir prazos, enfrentar gargalos logísticos e oferecer previsibilidade de custos aos operadores.

Segundo o executivo, a nova geração de proprietários valoriza planejamento financeiro, proteção do valor residual da aeronave e soluções ágeis, ampliando a adesão aos programas de manutenção.

Com mais de 25 anos de experiência em aviação, logística e comércio internacional, Philipe Figueiredo acaba de assumir o cargo de Vice-Presidente de Desenvolvimento de Negócios da JSSI Parts & Leasing, onde será responsável por liderar as iniciativas comerciais globais da divisão, que mantém mais de 100 mil peças em estoque, um portfólio de mais de 80 motores e APU disponíveis para leasing e presença estratégica em armazéns ao redor do mundo.

  • A JSSI nasceu em 1989. Qual era o cenário do mercado de manutenção naquela época e como a empresa se posicionou?
    A companhia surgiu identificando lacunas nos programas de manutenção existentes. Desde então, buscamos caminhos onde os grandes fabricantes não atuavam. Completamos 36 anos este ano ampliando portfólio e capacidade de atendimento, mas mantendo como núcleo os programas de motor, no modelo Hourly Cost Maintenance, em que o cliente paga por hora de voo.

  • E como surgiu a JSSI Parts & Leasing, área sob sua gestão?
    A JPL foi criada há 11 anos para dar escala ao negócio. Em vez de depender do mercado para comprar peças, passamos a manter nosso próprio estoque, atendendo tanto os clientes dos programas quanto terceiros. Hoje, como VP global da divisão, gerencio operações em todo o mundo, incluindo um pool de motores e APUs disponíveis para venda e aluguel.

  • O mercado de financiamento de aeronaves, motores e APU é tradicionalmente dominado por bancos. Qual é o diferencial da JSSI nesse segmento?
    Nosso foco não é competir com grandes instituições financeiras, mas oferecer soluções de nicho, muito customizadas, alinhadas ao perfil de cada cliente. O diferencial está no ecossistema: somos uma empresa inovadora, com forte ênfase na experiência do cliente e no relacionamento pessoal. Aqui, o cliente pode ligar diretamente para alguém da nossa equipe e terá atendimento imediato.

  • Esse atendimento próximo parece ser uma tendência no setor, fabricantes oferecem esse atendimento direto para operadores. Pode dar um exemplo prático que a JSSI se destaca?
    Um cliente em viagem de lazer teve uma falha de motor na África. Em vez de ligar para o hotline, acionou diretamente o nosso VP das Américas. Em quatro dias, conseguimos resolver o problema que, em condições normais, levaria cerca de 30 dias. Organizamos logística de peças, deslocamos equipe técnica da Europa até a Tanzânia, fizemos troubleshooting e a substituição do componente. Esse tipo de resposta rápida e personalizada é parte essencial da nossa proposta.

  • Queria entender como funcionam os programas de manutenção em complemento à garantia de fábrica. Qual a vantagem de um operador de um avião em garantia adicionar um serviço adicional? É um custo extra.
    Os programas da JSSI são complementares. Quando a aeronave ainda está em garantia, o custo horário é naturalmente menor. A principal vantagem é a previsibilidade: literalmente o cliente ganha paz de espírito (peace of mind) sabendo que não terá grandes oscilações de custo. Além disso, a participação em programas de motor protege o valor residual da aeronave, já que em muitos modelos — como o Praetor 600 — o mercado precifica considerando essa cobertura. Sem ela, há depreciação e impacto direto na liquidez.

  • Essa previsibilidade ajuda a preservar o valor de revenda da aeronave?
    Sim. Muitos modelos têm preço de mercado calculado já considerando motores em programa. Sem isso, a depreciação é maior e a liquidez do ativo cai. O motor pode representar até 85% do valor de uma aeronave.

  • A adesão varia muito entre tipos de operadores e aeronaves?
    Historicamente, operadores de turbo-hélices tinham menos cultura de aderir a programas de manutenção. Isso está mudando, principalmente por questões geracionais. Hoje vemos maior adesão também em helicópteros e jatos leves. O perfil do comprador também mudou: antes eram empresários acima dos 50 anos, agora temos clientes na faixa dos 30–40, com mentalidade digital e foco em planejamento financeiro. Essa nova geração valoriza previsibilidade e gestão de ativos.

  • Sobre previsibilidade, a pandemia trouxe desafios severos às cadeias de suprimentos. Como a JSSI reagiu?
    Identificamos que os prazos de overhaul aumentaram muito por falta de peças e mão de obra. Para mitigar, ampliamos nosso estoque e investimos no pool de motores e APUs para aluguel. Assim, conseguimos oferecer ativos substitutos enquanto o motor passava por manutenção prolongada. Esse modelo se mostrou fundamental e segue como diferencial após a pandemia, já que a demanda aumentou e novos proprietários ingressaram na aviação executiva.

  • O agronegócio também é uma demanda relevante, em especial no Brasil...
    Sem dúvida. O agro é motor da economia brasileira e opera em regiões remotas. Nosso papel é oferecer o mesmo padrão de atendimento rápido, seja em uma pane no interior do Brasil ou em um AOG na África. O senso de urgência aqui é ainda mais forte, e isso se conecta com nossa filosofia de relacionamento direto.

  • Quais são os principais desafios da sua área?
    O maior desafio é garantir excelência na integração da cadeia: vendas, suprimentos, logística e atendimento precisam funcionar como engrenagens de um relógio suíço. Quando cada parte trabalha de forma coordenada, conseguimos entregar o que o cliente espera — prazos menores, custos controlados e alto nível de serviço. A pandemia testou essa estrutura, mas conseguimos adaptar rapidamente, expandindo capacidade de atendimento e ajustando recursos.

  • Olhando para frente, quais oportunidades você enxerga no mercado brasileiro?
    A principal é ampliar o volume de vendas para terceiros e consolidar a JSSI como referência em fornecimento de peças, motores e APUs para aluguel. Já existe reconhecimento, mas há espaço para crescimento. O fortalecimento de equipe técnica, a maior disponibilidade de estoque e a presença em eventos vão acelerar esse processo.

Por Edmundo Ubiratan
Publicado em 16/04/2026, às 16h00


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