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Latam e outras companhias aéreas são multadas em R$ 4,6 bi por prática de cartel

Corte da União Europeia aplica 770 milhões de euros em multas contra companhias aéreas por cartel no transporte de cargas


B767F Latam
Decisão encerra disputa judicial iniciada há mais de 15 anos sobre coordenação ilegal no transporte aéreo de cargas - Motiva Aeroportos

A Corte de Justiça da União Europeia encerrou um dos mais longos processos antitruste da aviação comercial ao aplicar multas que somam cerca de 770 milhões de euros (R$ 4,67 bilhões) contra treze companhias aéreas, incluindo a Latam Airlines, por práticas de cartel no transporte aéreo de cargas.

A decisão publicada ontem (26), rejeitou integralmente os recursos apresentados por doze transportadoras contra sanções aplicadas originalmente em 2017 pela Comissão Europeia.

As penalidades estão relacionadas à coordenação ilegal de sobretaxas e condições comerciais em serviços globais de carga aérea entre 1999 e 2006, afetando o mercado internacional de frete aéreo e logística aeronáutica.

A única alteração relevante envolveu a SAS Scandinavian Airlines, cuja multa foi reduzida de 70,2 milhões para 62,8 milhões de euros (de R$ 425,7 milhões para R$ 380,8 milhões) após identificação de erro no cálculo aplicado na decisão anterior.

Companhias aéreas multadas e valores confirmados

Com o esgotamento da última instância judicial europeia, dez companhias deverão pagar integralmente as multas estabelecidas. Além da Latam (ainda como LAN Chile entre 1999 e 2006), foram punidas a Air Canada, a Air France, a KLM, a Martinair, a British Airways, a Cargolux, a Cathay Pacific, a Japan Airlines e a Singapore Airlines.

As empresas foram consideradas participantes de um esquema coordenado envolvendo sobretaxas de combustível e segurança aplicadas ao transporte internacional de cargas aéreas.

Imunidade por colaboração com autoridades europeias

A Lufthansa e sua subsidiária Swiss International Air Lines também foram consideradas culpadas, porém receberam imunidade total com base no programa europeu de leniência.

Segundo o entendimento da Comissão Europeia, ambas alertaram as autoridades sobre o funcionamento do cartel e forneceram informações consideradas decisivas para a investigação.

Mesmo sem penalidades financeiras, os recursos apresentados pelas empresas contra o reconhecimento de culpa foram igualmente rejeitados pela corte.

Processo antitruste durou mais de 15 anos

O caso remonta às primeiras investigações conduzidas pela Comissão Europeia no fim dos anos 2000. A cronologia judicial inclui múltiplas revisões:

2010: aplicação inicial das multas contra transportadoras de carga aérea;
2015: anulação das penalidades por questões processuais pelo tribunal europeu;
2017: reimposição das multas com nova fundamentação jurídica;
2022: confirmação parcial das sanções pelo Tribunal Geral da UE;
2026: decisão definitiva da Corte de Justiça da União Europeia.

A decisão atual encerra definitivamente as tentativas das companhias aéreas de reverter as condenações relacionadas à coordenação comercial no segmento de carga aérea internacional.

Impactos para o mercado de carga aérea

O julgamento consolida o entendimento regulatório europeu sobre práticas anticoncorrenciais na aviação comercial, especialmente no segmento de frete aéreo internacional, considerado estratégico para cadeias globais de suprimentos e logística aeronáutica.

Autoridades europeias reiteraram que a coordenação de sobretaxas entre operadores compromete a concorrência e impacta diretamente embarcadores, operadores logísticos e o custo do transporte aéreo de mercadorias.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 27/02/2026, às 20h00


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