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Boeing irá pagar US$ 49,5 milhões à família de vítima de acidente com 737 MAX

Justiça dos EUA fixa indenização de US$ 49,5 milhões à família de vítima do voo ET302, da Ethiopian Airlines, em março de 2019


737 MAX
Veredicto amplia pressão sobre o histórico do Boeing 737 MAX, enquanto operadores latino-americanos expandem suas frotas com o modelo - Divulgação

A Justiça Federal dos Estados Unidos determinou ontem (13), o pagamento de US$ 49,5 milhões à família de uma passageira de 24 anos que morreu no acidente de um Boeing 737 MAX 8 da Ethiopian Airlines, em março de 2019.

O veredicto foi emitido após menos de duas horas de deliberação e incluiu US$ 21 milhões destinados exclusivamente ao sofrimento consciente e ao terror vividos pela vítima nos minutos finais do voo.

O julgamento tratou exclusivamente da definição dos danos financeiros, uma vez que a Boeing já havia reconhecido responsabilidade compensatória na maioria das ações relacionadas ao acidente.

O valor supera os US$ 28,4 milhões concedidos em novembro de 2025 à família de outra vítima do mesmo acidente e reforça uma tendência de aumento nas indenizações determinadas por tribunais civis norte-americanos em comparação com acordos extrajudiciais.

Falha técnica

O acidente do voo ET302 deixou 157 mortos e teve como causa principal a ativação incorreta do sistema MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System), software desenvolvido para compensar a tendência de elevação do nariz do Boeing 737 MAX em razão da configuração dos motores CFM LEAP-1B.

Segundo o relatório técnico da investigação, o sistema foi acionado com base em dados incorretos provenientes de apenas um sensor de ângulo de ataque (AoA). A ausência de redundância na leitura dessas informações permitiu que uma falha isolada evoluísse para um acidente catastrófico.

Limitações operacionais

Tecnicamente, o MCAS tinha capacidade para mover o estabilizador horizontal para baixo a uma taxa de 0,27 grau por segundo, com limite de 2,5 graus por ciclo de ativação em 9,26 segundos.

Durante o voo da Ethiopian Airlines, o sistema foi ativado repetidamente, ultrapassando a capacidade física da tripulação de neutralizar os comandos automáticos por meio do trim manual ou elétrico. O resultado foi uma perda progressiva de controle da aeronave até o impacto.

O acidente ocorreu poucos meses após o desastre envolvendo uma aeronave da Lion Air, que também envolveu um 737 MAX e expôs falhas semelhantes no sistema.

Operação do 737 MAX em expansão

Enquanto os processos judiciais avançam nos Estados Unidos, a operação do Boeing 737 MAX 8 continua crescendo na América Latina.

A Aerolíneas Argentinas prevê incorporar duas novos 737 MAX 8 até o fim de 2026 como parte de sua estratégia de padronização da frota em rotas domésticas e regionais.

Já a Copa Airlines anunciou recentemente um pedido de quarenta aeronaves, com opção para mais vinte unidades adicionais, destinadas à expansão de seu hub no Panamá.

O modelo também mantém presença relevante em ocompanhias como a Gol Linhas Aéreas e a Arajet, ampliando o foco de reguladores regionais sobre treinamento contínuo de pilotos e atualização dos softwares de controle de voo.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 14/05/2026, às 09h19


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