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Demanda de passageiros recua e carga mantém crescimento em junho

A IATA reportou queda de 1,7% na demanda por transporte aéreo de passageiros em junho de 2026, enquanto a carga aérea cresce 8,5%


BEL
Relatório mostra retração da demanda global por passageiros devido aos mercados domésticos da China, EUA e Japão, enquanto a carga aérea registra crescimento impulsionado pelo comércio e remessas de alto valor - NOA Airports

A demanda global por transporte aéreo de passageiros registrou queda de 1,7% em junho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (30), pela Associação do Transporte Aéreo Internacional (IATA).

O desempenho foi influenciado principalmente pela retração dos mercados domésticos da China, dos Estados Unidos e do Japão, enquanto o transporte aéreo de cargas manteve trajetória de crescimento, com alta de 8,5% no período.

A oferta global de assentos também diminuiu, enquanto o fator de ocupação permaneceu acima de 84%, indicando continuidade da utilização elevada da capacidade disponível pelas companhias aéreas.

Mercado de passageiros

A demanda total, medida em passageiros-quilômetro pagos (RPK), caiu 1,7% em relação a junho de 2025. Excluindo os mercados do Oriente Médio, a redução foi menor, de 0,6%.

A capacidade global, medida em assentos-quilômetro disponíveis (ASK), recuou 1,3%, enquanto o fator de ocupação atingiu 84,2%, queda de 0,4 ponto percentual na comparação anual.

No segmento internacional, a demanda diminuiu 0,9%. Sem considerar o Oriente Médio, houve crescimento de 1,1%. A capacidade internacional caiu 0,6% e o fator de ocupação permaneceu em 84,2%, redução de 0,2 ponto percentual.

Já os mercados domésticos registraram retração mais acentuada. A demanda caiu 3%, acompanhada por redução de 2,4% na capacidade. O fator de ocupação ficou em 84%, 0,5 ponto percentual abaixo do registrado em junho de 2025.

América Latina 

As companhias aéreas da América Latina registraram crescimento de 3,5% na demanda internacional de passageiros em relação ao mesmo período do ano anterior.

No entanto, a expansão da capacidade foi superior, com aumento de 6,3%, reduzindo o fator de ocupação para 81,6%, queda de 2,2 pontos percentuais.

Mercado doméstico brasileiro

Entre os principais mercados domésticos avaliados pela IATA, apenas o Brasil apresentou crescimento da demanda, com avanço de 0,9%. A Austrália manteve estabilidade, enquanto os demais grandes mercados registraram retração.

As maiores quedas ocorreram na China (-5,2%) e no Japão (-3,8%). Segundo a associação, o aumento dos custos com combustível é um dos fatores que podem ter influenciado o desempenho desses mercados.

Apesar do crescimento da demanda doméstica brasileira, o país apresentou a maior redução do fator de ocupação entre os mercados analisados, com queda de 2,5 pontos percentuais.

Oriente Médio

Segundo a IATA, a recuperação gradual das companhias aéreas do Oriente Médio contribuiu para reduzir parte do impacto observado nos resultados globais, embora as tensões geopolíticas permaneçam afetando o setor.

Transporte aéreo de cargas

Enquanto o mercado de passageiros apresentou retração, o transporte aéreo de cargas continuou em crescimento.

A demanda global, medida em toneladas-quilômetro de carga (CTK), aumentou 8,5% em relação a junho de 2025. Nas operações internacionais, o crescimento foi ainda maior, alcançando 9,6%.

A capacidade de carga, medida em toneladas-quilômetro disponíveis (ACTK), cresceu 4,4% no mercado total e 4,9% nas operações internacionais.

Comércio internacional

De acordo com a IATA, o crescimento da carga aérea foi impulsionado principalmente pelo transporte de produtos tecnológicos de alto valor agregado e remessas urgentes.

O comércio mundial expandiu-se 5,2% na comparação anual, enquanto os preços do combustível de aviação recuaram 20% em relação ao mês anterior, embora permanecessem 45,8% acima dos níveis registrados um ano antes.

Os indicadores industriais mostraram desaceleração moderada. O Índice Global de Produção Industrial (PMI) caiu 0,5 ponto, para 53, enquanto o índice de novos pedidos de exportação permaneceu abaixo de 50 pelo quarto mês consecutivo, encerrando junho em 49,4.

Segundo a associação, esse cenário indica que o crescimento da carga aérea está concentrado em fluxos comerciais específicos, e não em uma expansão generalizada das exportações globais.

Baixo desempenho latino-americano

As transportadoras da América Latina e do Caribe registraram crescimento de 3,5% na demanda por transporte aéreo de cargas, o menor desempenho entre todas as regiões avaliadas pela IATA.

A capacidade disponível para carga aumentou 9,8% na comparação anual, superando o ritmo de crescimento da demanda.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 30/07/2026, às 08h34


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