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Ex-DJ é condenado por vender peças de aviões falsas

Venezuelano é condenado no Reino Unido por fraude de US$ 52 milhões envolvendo peças de aviões falsas


CFM56
Mais de 60.000 peças com certificados forjados foram negociadas em esquema internacional - Divulgação

Um ex-DJ venezuelano de 38 anos foi condenado no Reino Unido a quatro anos e oito meses de prisão por comandar, a partir de casa, um esquema que abasteceu o mercado internacional com dezenas de milhares de peças de motores aeronáuticos acompanhadas de certificados falsificados — uma fraude que acionou alertas de segurança, levou aeronaves a inspeções extraordinárias e expôs fragilidades na rastreabilidade da cadeia global de suprimentos do setor.

A condenação de Jose Alejandro Zamora Yrala, diretor da empresa AOG Technics, ocorreu após a confissão do crime em um tribunal de Londres, no início de dezembro.

Esquema envolveu 60.000 peças e certificados forjados

De acordo com o órgão britânico de combate a crimes financeiros (SFO), a investigação iniciada em outubro de 2023 identificou que Zamora vendeu mais de 60.000 peças de motores aeronáuticos, avaliadas em US$ 9,3 milhões (R$ 48,1 milhões), acompanhadas de certificados de liberação falsificados.

Os componentes eram destinados a companhias aéreas, operadores de manutenção, reparo e revisão (MRO) e fornecedores de peças. A maioria dos itens era projetada para motores CFM56, amplamente utilizados no Boeing 737 e no Airbus A320.

Segundo o SFO, o esquema foi interrompido após uma companhia aérea contatar a Safran — co-proprietária da CFM International — para verificar a autenticidade de um componente. A empresa identificou o certificado como falso e alertou as agências reguladoras do Reino Unido, dos Estados Unidos e da Europa a emitirem alertas de segurança.

Aeronaves imobilizadas e impacto financeiro

Com a emissão dos alertas, aeronaves em diversos países foram temporariamente retiradas de operação para inspeções e verificação de conformidade das peças instaladas. Entre as companhias aéreas afetadas pelo caso estão Delta Air Lines, American Airlines, Southwest Airlines, TAP Air Portugal, Ryanair, WestJet e Virgin Australia.

Modus operandi: documentos alterados e funcionários fictícios

Conforme apurado, Zamora operava o esquema a partir de seu escritório, em casa. Ele alterava certificados legítimos e criava memorandos falsos de remessa para indicar que a AOG Technics havia adquirido peças diretamente de fabricantes originais (OEM), como a Safran.

O esquema incluía ainda a criação de funcionários fictícios. Clientes recebiam e-mails e documentos assinados por supostos gerentes de vendas e de qualidade inexistentes, estratégia descrita pelo SFO como parte da “criação da ilusão de um negócio legítimo”.

Motores sob suspeita e tipologia das peças

Em outubro de 2023, a CFM International informou ter identificado 126 motores potencialmente equipados com peças acompanhadas de documentação fraudulenta. À época, foi indicado que a maioria dos itens envolvidos não possuía número de série individual, como parafusos, porcas, arruelas, amortecedores, vedações e buchas.

O fabricante declarou não ter identificado documentação fraudulenta associada a peças com vida útil limitada (life-limited parts), que possuem controle rigoroso de rastreabilidade na aviação comercial.

Por Marcel Cardoso
Publicado em 24/02/2026, às 08h16


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