O governo dos EUA fechou contrato de US$ 140 milhões para compra de seis Boeing 737 destinados a operações de deportação

O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) anunciou na última semana, a conclusão de um contrato de US$ 140 milhões para a aquisição de seis Boeing 737 destinados exclusivamente a operações de deportação de imigrantes ilegais ou que cometeram crimes.
A iniciativa marca a primeira vez em que o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) – responsável pela divisão de crime transfronteiriço e da imigração ilegal que ameaçam a segurança nacional e a segurança pública – passa a operar uma frota própria de aviões dedicados a remoções de imigrantes ilegais. Até então, a agência dependia majoritariamente de serviços de fretamento e de assentos em voos comerciais.
Segundo o DHS, a mudança busca reduzir custos operacionais e ampliar a previsibilidade logística das operações aéreas.
De acordo com o contrato os 737, adquiridos da Daedalus Aviation, serão configurados especificamente para missões de deportação e permitirão voos diretos a partir de centros de operação nos estados do Arizona, Texas, Louisiana e Flórida. Os destinos incluem países da América Central, Caribe e em alguns países da América do Sul.
Em entrevista à Bloomberg News, Tricia McLaughlin, secretária assistente do DHS para assuntos públicos, disse que “esta nova iniciativa vai economizar US$ 279 milhões em recursos dos contribuintes ao permitir que o ICE opere de forma mais eficaz, inclusive com padrões de voo mais eficientes”.
A aquisição está alinhada à meta anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, de intensificar as deportações, com foco prioritário em imigrantes em situação irregular e com antecedentes criminais.
O financiamento do programa decorre de uma alocação orçamentária superior a US$ 150 bilhões (R$ 809,9 bilhões) ao longo de dez anos, aprovada pelo Congresso, destinada à expansão de detenção, transporte, pessoal e segurança de fronteiras.
A divisão de Operações Aéreas do ICE registrou forte expansão em 2025. Desde janeiro, foram realizados mais de 1.700 voos internacionais de deportação para 77 países, segundo dados divulgados pela Bloomberg. A maior parte das operações teve como destino a América Latina e o Caribe.
No mercado doméstico, mais de 6.300 voos transportaram migrantes entre centros de detenção, número que representa aproximadamente o dobro do ritmo observado no período anterior.
Por Marcel Cardoso
Publicado em 15/12/2025, às 09h03
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