AERO Magazine

Aero Ideias

Vamos fechar o Campo de Marte

Governo paulista espera encerrar as operações do aeroporto paulista e substitui-lo por um parque

Por Shailon Ian em 11 de Janeiro de 2019 às 16:00

Ontem o Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), anunciou que irá fechar o aeroporto do Campo de Marte. Embora seja administrado pela Infraero, uma empresa federal, não vou entrar no mérito se o governo do estado tem autonomia para fechar ou não o aeroporto, vou apenas assumir que sim, ele pode fazer o que disse que fará. E isso é uma pena.

O aeroporto está aonde está há muito tempo, segundo o site da Infraero, foi fundado em 26 de julho de 1929, sendo assim o primeiro aeroporto da cidade de São Paulo. Naquele ano foi construída uma pista de pouso e decolagem, além de um hangar no local onde a Força Pública do estado de São Paulo mantinha sua escola de aviação. Ou seja, o Aeroporto comemorará em julho 90 anos!

No ano de 1931 foi inaugurado o Aeroclube de São Paulo no Campo de Marte, dez anos mais tarde o Parque Aeronáutico de São Paulo (hoje Parque de Material Aeronáutico de São Paulo – PAMASP), na época o maior complexo industrial da América Latina.

Assim como o Campo de Marte em Paris (em francês Champ de Mars) presenciou os primeiros voos de Santos Dumont, o Campo de Marte paulistano presenciou o nascimento da aviação brasileira. São Paulo cresceu e inexoravelmente abraçou o aeroporto, onde antes havia área de sobra para pousos de emergência e eventuais problemas que a aviação pequena que tem no Campo de Marte sua casa tanto precisa, agora temos casas, prédios e avenidas. Infelizmente, numa lógica que somente o brasileiro consegue entender, em uma mistura de descaso do poder público com falta de cultura somado ao descaso da população, nenhum cuidado foi tomado com as proximidades do aeroporto (assim como aconteceu com Congonhas, Guarulhos, Fortaleza, e tantos outros!).

Existem inúmeras soluções para “o problema de Marte” mas, de fato, fechar o aeroporto é a solução que dá menos trabalho. Caso ela realmente seja adotada o tempo mostrará que não se fecha um aeroporto impunemente. Aeroporto é um polo de desenvolvimento e gera empregos diretos e indiretos, movimentando a economia. As condições no entorno do aeroporto mudaram, mas a culpa não é dos operadores que precisam de alternativas para poder sair. A aviação também prefere um aeroporto com uma área de escape maior, que ofereça mais segurança, desde que ele exista.

Antes de fechar o aeroporto alternativas como limitar os tipos de operação, assim como fizeram em Congonhas, monitoramento mais severo da utilização do aeroporto, redução da pista para limitar as aeronaves que operam naquele aeródromo, e diversas outras medidas podem ser adotadas.

De fato, o que espero é que o Governador que usa o sobrenome trabalho, não escolha a solução preguiçosa para resolver a questão.

Shailon Ian é formado pelo ITA como Engenheiro Aeronáutico, é CEO Vinci Aeronáutica.


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