O preço da desonestidade

Caso de corrupção na Airbus custará US$ 4 bilhões em multas

Fabricante foi considerada culpada por subornar autoridades em 16 países ao redor do mundo


A Airbus deverá pagar US$ 4 bilhões em multas após uma longa investigação de quatro anos que acusou a fabricante europeia de conspirar através de uma vasta rede de corrupção global. Um tribunal francês anunciou que a multa será aplicada após um acordo entre as autoridades da França, Grã-Bretanha e Estados Unidos.

A Airbus é acusada de ter subornado funcionários públicos de vários países, entre 2004 e 2016, para obter contratos de vendas para suas aeronaves civis e militares, assim como de satélites. A empresa deverá arcar com a multa que a mantém apta a continuar participando de contratos internacionais, especialmente na Europa e Estados Unidos. Ainda assim, a Airbus estará sujeita a três anos de monitoramento para regras de compliance.

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A Airbus pagará 2,1 bilhões de euros à França, outros 984 milhões de euros à Grã-Bretanha e 526 milhões de euros aos Estados Unidos. A fabricante passou a ser investigada internacionalmente após ter sido encontrada evidencias de que uma vasta rede de representantes terceirizados da Airbus terem subornado funcionários de 16 países, incluindo Japão, Rússia, China e Nepal, com objetivo de obter contratos de venda para aeronaves e satélites civis. Além disso, os Estados Unidos também abriram uma investigação sobre possíveis violações dos controles de exportação.

A investigação começou após a Airbus descobrir irregularidades durante uma auditoria interna, onde constatou irregularidades em suas práticas de negócios ao redor do mundo. Após a confirmação das evidências a fabricante informou as autoridades sobre o caso, visando reduzir as sanções que estaria exposta.

Segundo as autoridades francesas, a Airbus obteve uma multa que representa metade do valor que seria imposta caso as provas tivessem sido obtidas pela justiça sem colaboração. “Ao chegar a esse acordo hoje, estamos ajudando a Airbus a virar a página”, disse o promotor francês Jean-Francois Bohnert.  A investigação levou ao afastamento dos principais executivos da companhia, incluindo o CEO Tom Enders, que iniciou o processo de auditoria interna.

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Por Edmundo Ubiratan

Publicado em 3 de Fevereiro de 2020 às 12:00


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