Aeroportos do Rio e de São Paulo usam IA para automatizar operações

Plataforma utiliza inteligência artificial, visão computacional e OCR para automatizar operações nos aeroportos Campo de Marte e Jacarepaguá

Por Marcel Cardoso Publicado em 31/07/2026, às 08h52

Solução já está em operação nos aeroportos Campo de Marte e Jacarepaguá - Divulgação

Uma plataforma baseada em inteligência artificial, visão computacional e análise de vídeo foi desenvolvida para transformar imagens de câmeras de monitoramento em informações operacionais utilizadas na gestão aeroportuária, segurança operacional e faturamento.

A tecnologia está em operação nos aeroportos de Campo de Marte, em São Paulo, e de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, ambos administrados pela concessionária PAX Aeroportos, automatizando processos relacionados à cobrança de tarifas aeroportuárias, rastreabilidade de operações e monitoramento de infraestrutura.

O projeto foi desenvolvido para atender à demanda da concessionária por maior precisão na cobrança de pousos, permanência em solo e utilização da infraestrutura aeroportuária. A plataforma elimina a necessidade de repasses manuais de informações entre operadores e sistemas distintos ao registrar automaticamente os eventos operacionais.

Por meio da identificação das aeronaves e do acompanhamento de sua movimentação desde o pouso até a decolagem ou permanência em pátios e hangares, o sistema registra eventos em tempo real e os integra aos sistemas de gestão aeroportuária. Entre as aplicações estão a automação do faturamento, o controle de ocupação de pátios e a rastreabilidade das operações.

Reconhecimento automático

A solução utiliza modelos de visão computacional treinados para identificar aviões e helicópteros em diferentes condições operacionais. Após a detecção da aeronave, um sistema de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) identifica automaticamente sua matrícula.

Com a leitura do prefixo, a plataforma pode consultar bases oficiais, como o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), obtendo informações como modelo da aeronave, peso máximo, proprietário e outros dados cadastrais.

Além da identificação, o sistema registra horários de pouso e decolagem, localização em pátios e hangares e o histórico completo de movimentação, permitindo que essas informações sejam utilizadas pelos sistemas de cobrança e pelas equipes responsáveis pelo planejamento operacional.

Integração

A plataforma foi desenvolvida para utilizar a infraestrutura já instalada nos aeroportos. Nos projetos implementados em Campo de Marte e Jacarepaguá, foram aproveitadas câmeras existentes, complementadas por novos pontos de captura para ampliar a cobertura das áreas operacionais.

Segundo a Radix, empresa responsável pelo projeto, a arquitetura tecnológica reúne imagens, eventos operacionais e dados provenientes de diferentes sistemas em um data lake voltado ao setor aeroportuário. As informações são consolidadas em um ambiente único, permitindo monitoramento em tempo real por meio de dashboards e centros de comando.

Aplicações

Além das funções relacionadas ao faturamento e à gestão aeroportuária, a plataforma possui aplicações voltadas à segurança operacional. Entre elas estão o monitoramento de áreas restritas, o controle de acesso e a rastreabilidade das movimentações realizadas no ambiente aeroportuário.

Potencial de expansão

A plataforma foi projetada para adaptação a diferentes perfis de aeroportos, incluindo terminais concessionados, públicos e privados. Além das aplicações já implementadas, a tecnologia pode ser utilizada em atividades como logística em solo, abastecimento de aeronaves, movimentação de bagagens e monitoramento de serviços aeroportuários.

De acordo com a empresa, o mercado potencial inclui aproximadamente setenta aeroportos brasileiros administrados sob regime de concessão, além de aeroportos públicos e privados que utilizam sistemas de monitoramento por vídeo em suas operações.

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