
Ela continua majestosa, imponente. Alguns entusiastas ainda hoje a chamam carinhosamente de "a rainha dos céus". E certamente é o apelido mais pronunciado ao redor do mundo desde que essa grande aeronave, o Boeing 747, levantou voo pela primeira vez, em 2 de setembro de 1969. Os anos se passaram, a aviação evoluiu e uma das melhores invenções da Boeing continuou a receber aprimoramentos para se manter viva na disputa pelo mercado. E foi assim até o início da década de 1990, quando a indústria começou a discutir a criação de uma aeronave ainda maior que o quadrirreator. Os norte-americanos, em princípio, descartaram a ideia, já que não viam espaço para um avião que transportasse mais de 500 passageiros. Porém, do outro lado do Oceano Atlântico, os franceses decidiram apostar em um supergigante e a Airbus Industrie surpreendeu o mundo quando oficializou o lançamento do primeiro concorrente do jumbo norte-americano: o A3XX, que mais tarde ganharia o designativo de Airbus A380. Mesmo diante do avanço do programa europeu, a Boeing relutou em lançar uma nova versão do seu Boeing 747 e acabou pagando um preço um pouco alto pela avaliação pessimista. Embora as vendas do A380 ainda não tenham atingido o ponto de equilíbrio para que a Airbus consiga recuperar o capital que já investiu no desenvolvimento do projeto - e talvez não atinjam, segundo analistas, considerando que o break-even point seria de pelo menos 450 aeronaves -, as encomendas vêm aumentando significativamente e já superaram a marca de 238 unidades. Sem outra saída, a Boeing reagiu e, em tempo recorde, anunciou a nova versão do jumbo: o Boeing 747-8.
A nova asa do 747-8 tem envergadura maior e conta com raked wingtips no lugar dos winglets
Com 5,6 metros a mais de fuselagem em relação à versão anterior (747-400), o novo membro da família perdeu os winglets, mas ganhou uma envergadura maior, dotada de raked wingtips, o mesmo tipo de pontas de asa hoje encontradas nos modelos 777-300 e 787. O interior foi totalmente revisto e mescla tudo o que há de mais moderno em termos de conforto, entretenimento para o passageiro e iluminação de cabine, a exemplo do que acontece com o novíssimo Boeing 787. Sua versão cargueira logo chamou a atenção dos clientes fiéis da aeronave, já que o 747-8F recebeu homologação para transportar até 147 toneladas, 22 toneladas a mais que o modelo -400, inferior apenas ao An-124-150, com 150 toneladas, e ao único An-225 em operação, que tem payload máximo de 250 toneladas. Como o programa da versão cargueira do concorrente, o A380F, continua suspenso por falta de pedidos, a Boeing acabou aproveitando o espaço para alavancar as primeiras vendas do novo jato e, assim, conseguiu um número de encomendas suficiente para que o novo jumbo pudesse entrar na linha de produção. As vendas do Boeing 747-8 ainda são tímidas, mas a Boeing aposta no crescimento do número de encomendas ainda neste ano, assim que o primeiro jato na versão de passageiros (747-8I Intercontinental), entregue à companhia alemã Lufthansa, entre em operação.
Lufthansa é o primeiro cliente para o 747-8I e deve colocá-lo em operação na rota entre Frankfurt e Buenos Aires
As primeiras entregas dos cargueiros aconteceram em meio a muita festa, principalmente entre os clientes que vêm aproveitando bem toda a potencialidade da aeronave 747 desde as versões anteriores. "É um jato notável, que nos permitirá transportar mais carga, mas com um consumo de combustível substancialmente menor", ressaltou Frank Reiman, CEO da Cargolux International Airlines, de Luxemburgo. A companhia recebeu os primeiros dois jatos 747-8F de uma encomenda de 13 unidades no último mês de outubro, tornando-se oficialmente a primeira operadora do novo jato da Boeing - o primeiro jumbo (LX-VCB) foi batizado com o nome City of Esch-sur-Alzette (c/n 35806). Em novembro, foram entregues mais duas aeronaves, sendo uma para a Cathay Pacific, de Hong Kong, que fechou encomenda inicial para 10 jatos, e outra para a norte-americana Atlas Air Worldwide Holdings, que arrendará em regime de wet-lease os primeiros três jumbos para a British Airways World Cargo - os 747-8F da British voarão a partir de Londres com destino a aeroportos da Ásia, África, Índia e Estados Unidos. "O novo jato é líder do mercado em eficiência, payload, baixos custos por tonelada-quilômetro, além do fato de ser peça fundamental em nossa estratégia para ampliação de mercado nos voos de longo alcance", disse Jude Winstanley, vice-presidente sênior da IAG Cargo, empresa administrada pela British Airways World Cargo e pela espanhola Iberia Cargo.
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