Terra de gigantes

Dubai inaugura terminal exclusivo para atender aos superjumbos A380 da Emirates e da parceira australiana Qantas

Robert Zwerdling | Fotos Divulgação em 26 de Fevereiro de 2013 às 08:06

Fotos Divulgação

O Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, acaba de concluir a primeira fase de implementação do Concourse “A” no Terminal 3, que é a primeira edificação aeroportuária do mundo erguida para atender exclusivamente às aeronaves modelo Airbus A380. Quatro pontes de embarque já foram liberadas. O edifício, quanto estiver concluído, provavelmente no fim deste ano, poderá acomodar até 18 superjumbos, e mais dois widebodies de menor porte. A cerimônia de inauguração foi marcada pela partida do voo 003 da Emirates Airline para o Aeroporto Internacional de Heathrow, em Londres, e contou com a presença de diversas autoridades árabes. Em seu discurso, Paul Griffiths, CEO da companhia Dubai Airports, ressaltou que o aeroporto estará apto para receber até 75 milhões de passageiros ao ano quando o Concourse “A” estiver operando em sua total capacidade. Em 2013, Dubai espera receber 66 milhões de visitantes, levando em consideração as projeções de crescimento. Em novembro de 2012, o aeroporto atendeu a 4,875 milhões de usuários, contra 4,431 milhões registrados no mesmo período de 2011, o que perfaz um crescimento de 10%. E o total de passageiros recebidos entre novembro de 2011 e novembro de 2012 foi de 52.363.589 que, se comparados aos 46.287.234 atendidos entre 2010 e 2011, representam um acréscimo de 13,1%.

De acordo com pesquisa realizada pela Dubai Airports, a maioria dos passageiros chega, ou tem como destino, cidades na Europa, na Índia e na Ásia. Mas o mercado responsável atualmente pelo crescimento nas estatísticas de movimento de passageiros em Dubai é justamente o da América do Sul, com as linhas operadas pela Emirates para São Paulo, Rio de Janeiro e Buenos Aires. Além dos grandes atrativos turísticos que oferece, Dubai conta hoje com um aeroporto de infraestrutura invejável, e que facilita o trânsito de passageiros que vem das Américas e pretende chegar a países asiáticos e a Oceania. A própria Emirates promete inaugurar neste mês de março a quinta frequência regular entre Dubai e Bangcoc, na Tailândia.

EXERCÍCIO SIMULADO
Ao contrário do que acontece com o Aeroporto de Berlim – Brandenburg, que deveria ter sido inaugurado em 2011 e ainda hoje está sem data definida para entrar em operação, o cronograma de entrega das obras do novo Concourse “A” segue sem atrasos e a inauguração aconteceu no prazo previsto, com participação da comunidade dos arredores de Dubai. Mais de 3.800 pessoas assinaram memorando de intenção para participar dos testes operacionais, e poderão ainda ser chamados nas próximas etapas de ampliação do aeroporto. Deste total, 1.500 voluntários foram selecionados e marcaram presença em testes conduzidos pelas autoridades aeroportuárias, que puderam avaliar a fluidez dos usuários nas áreas críticas que foram liberadas ao público em janeiro. “A participação dos moradores foi incrível e nós somos muito gratos a todos que vieram ao aeroporto com suas famílias e amigos para participar dos exercícios”, disse Paul Griffiths em seu discurso durante a entrega dos quatro primeiros fingers no Concourse “A”. O exercício simulado contou ainda com a colaboração da Dubai Aviation Engineering Projects, da Emirates, do Dubai Duty Free, da polícia de Dubai, e da Imigração. Além de testar o funcionamento de todos os sistemas da nova ala, a Dubai Airports permitiu que os funcionários do aeroporto tivessem acesso sem restrições de modo a deixá-los confiantes e plenamente familiarizados com o edifício antes de sua inauguração. Para o executivo de Dubai, o maior desafio na ampliação do aeroporto não foi agora, mas em 2008, na entrega do Terminal 3 e do Concourse “B”, edificações gigantescas que passaram a atender todos os voos operados pela Emirates.

Além de finalizar o edifício do Concourse “A”, a Dubai Airports continuará investindo pesado na ampliação do aeroporto, seguindo um cronograma registrado no “Strategic Plan 2020”. O programa prevê a aplicação total de US$ 7,8 bilhões de modo a deixar o complexo pronto para atender a 90 milhões de passageiros por ano até 2018, tendo como base a taxa média de crescimento anual no movimento de passageiros da ordem de 7,2%. Até 2020, o aeroporto ganhará outro Concourse e um sistema de alta velocidade para transferência de bagagem com o objetivo de melhorar o tempo entre as conexões.

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Três fingers garantem o embarque em um A380 da Emirates

TERMINAIS 1 E 2
Embarque e desembarque de passageiros são realizados em três edifícios principais em Dubai. O Terminal 1, também conhecido como Sheikh Rashid Terminal (SRT), tem capacidade para atender a 33 milhões de passageiros ao ano, e atualmente recebe mais de 90 linhas aéreas. Ocupa uma área de 515.020 m², e está dividido em seis pavimentos, com a comodidade de 221 balcões de check-in e alas exclusivas para atendimento de passageiros de primeira classe e classe executiva. No desembarque, são 14 esteiras para restituição de bagagem e mais 40 balcões para atendimento no setor de imigração. Para suprir a demanda, o terminal opera no lado oposto ao pátio de manobras do Concourse “C”, com 28 fingers, sendo dois deles especiais para atender aos Airbus A380, e nele o usuário conta com 17 lojas de gastronomia, um hotel de categoria cinco estrelas, além de centros de negócios e áreas para repouso.

Erguido ao norte do aeroporto e separado pelas duas pistas paralelas de Dubai, está o Terminal 2, reservado para atendimento exclusivo de linhas aéreas de baixo custo e charters, além de ser o principal hub da companhia aérea Flydubai. Ele foi revitalizado recentemente e ganhou mais espaço e iluminação natural. Com capacidade para movimentar até 18 milhões de passageiros ao ano, o edifício conta com 108 balcões de check-in, sendo que embarque e desembarque de passageiros são realizados em 43 posições remotas – a conexão dos usuários entre os terminais 1 e 2 é cumprida em 20 minutos via serviço interno de ônibus.

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A Dubai Airport pretende investir US$ 7,8 bilhões de modo a deixar seu complexo pronto para atender a 90 milhões de passageiros por ano até 2018
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O Terminal 3 de Dubai, que inclui os Concourses “A” e “B”, já é considerado o maior do mundo
ESTATÍSTICAS
Aeronaves (jan/nov 2012) 13.300
Passageiros (nov 2011 a nov 2012) 52.363.589
Carga Aérea (nov 2011 a nov 2012) 2.077.676

MAIOR DO MUNDO
O Terminal 3, que inclui os Concourses “A” e “B”, ocupa uma área de 1.713.000 m², e já é considerado o maior do mundo, tendo superado o grande terminal de embarque de Pequim, na China. Atende aos voos da Emirates Airline, e mais recentemente passou a receber os jatos da australiana Qantas, com a qual a companhia de Dubai fechou acordo de code share. Os Concourses “B” e “C” estão conectados diretamente, tendo na área média um verdadeiro símbolo do Aeroporto Internacional de Dubai, que é a sua Torre de Controle com desenho arquitetônico futurista. Para acessar os Concourses, o passageiro tem que se deslocar por esteiras rolantes ou via trens automáticos do tipo APM (Automated People Mover). A obra para construção deste gigante já consumiu mais de US$ 4,5 bilhões, mas garantiu a Dubai posição de destaque no quesito infraestrutura aeroportuária.

Parte do Terminal 3 está construída abaixo da superfície, 10 metros sob o pátio de manobras e suas instalações contam com 180 balcões de check-in, sendo 126 destinados aos passageiros de classe econômica e 36 para atendimento dos clientes de classe executiva e da primeira classe, além de 18 quiosques de autoatendimento. O usuário encontra lounges inigualáveis, como o de atendimento dos clientes de primeira classe, localizado no Concourse “B”. Ele ocupa uma área de 12.600 m² e tem capacidade para receber nada menos que 1.800 passageiros. O mesmo edifício também oferece sala exclusiva para atendimento de passageiros de classe executiva, com 13.500 m² e espaço para movimentar 3.000 usuários. O Concourse “B” trabalha com 26 pontes de embarque, sendo cinco delas especiais para a operação dos superjumbos. Para visualizar mais detalhes operacionais do Terminal 3, basta acessar o vídeo promocional disponibilizado no endereço eletrônico www.emirates.com/br/portuguese/flash/terminal3_video.aspx.

Quem chega a Dubai pode seguir de táxi para o centro pela rodovia D89, em uma corrida média de 10 minutos. Também há serviços regulares de ônibus que partem de 10 em 10 minutos entre 6h00 e 22h00. E o passageiro ainda encontra uma linha de metrô – Red Line, que atende ao Terminal 3 e, em breve, chegará ao Terminal 1.

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CARGA DEVE DOBRAR
As taxas de crescimento projetadas para o movimento de passageiros devem se repetir também no segmento da carga aérea. De acordo com a administração da Dubai Airports, o movimento pode dobrar nos próximos 10 anos, passando de 2,2 milhões de toneladas por ano, registradas em 2010, para 4,1 milhões de toneladas por ano em 2020. Obras de ampliação já estão em execução para deixar os terminais de cargas do aeroporto prontos para atender a um movimento de 3,1 milhões em 2018.

O Cargo Mega Terminal (CMT), o principal em Dubai, que hoje tem espaço para movimentar 1,2 milhão de toneladas ao ano, passará a trabalhar com até 1,5 milhão graças à ampliação do seu espaço com um adicional de 30.000 m². Logo ao lado, outros dois terminais, o Hall A e o Freight Gate 1, também estão sendo revitalizados. E um novo edifício está sendo erguido para trazer a Dubai um espaço extra para manuseio e armazenamento de até 400.000 toneladas ao ano. “Com essas obras, atenderemos adequadamente aos anseios dos principais operadores de carga aérea em Dubai, que incluem mais de 35 linhas aéreas”, ressalta Paul Griffiths. O executivo lembra que o aeroporto oferece 17 posições de estacionamento para widebodies cargueiros e nada menos que 56 docas para caminhões nos armazéns de importação e exportação, além de sete posições exclusivas para o trânsito de carga do porto para o avião e vice-versa. É importante lembrar que, além de toda a infraestrutura e logística oferecida no Aeroporto Internacional de Dubai, a região já está trabalhando com um segundo aeroporto, o Dubai World Central, que vem batendo recordes em movimentação de carga aérea.

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Dubai trabalha com aproximações ILS CAT II/III nas cabeceiras 12L e 30R

TÁXI REQUER ATENÇÃO
Em novembro de 2012, Dubai registrou um total de 29.749 pousos e decolagens, com acréscimo de 2,3% sobre o mesmo período no ano anterior, quando o aeroporto recebeu 29.093 aeronaves. De janeiro a novembro foram 313.300 movimentos e um crescimento de 5,6% em relação aos mesmos 11 meses em 2011, quando 296.799 aviões pousaram e decolaram em Dubai. Para atender a demanda, o aeroporto trabalha com duas pistas paralelas: a 12R/30L, com 4.447 m, e a 12L/30R, que oferece 4.000 m, ambas com 60 metros de largura. Como a distância entre ambas não permite operações simultâneas, as diretrizes publicadas em carta aérea orientam os pilotos a livrar a pista o quanto antes após o pouso por uma das várias saídas rápidas. Além disso, um voo pode tocar o solo mesmo que outra aeronave esteja livrando a pista ou acabe de cruzar a cabeceira oposta em procedimento de decolagem. Como existem muitas taxiways e áreas para cruzamento de pistas, os pilotos devem estar muito atentos às orientações dos controladores de voo, à carta de aeródromo e à sinalização, de modo a evitar acidentes ou incidentes de runway incursion. Na carta Jeppesen 10-9A estão sinalizados seis hot spots, ou áreas de risco para cruzamento ou ingresso, onde a atenção do piloto deve estar redobrada.

Dubai trabalha com aproximações ILS CAT II/III nas cabeceiras 12L e 30R e, como recomendação imperiosa, os voos devem manter obrigatoriamente as velocidades solicitadas pelos controladores de voo. Se por motivos operacionais o piloto precisar voar com outra velocidade, deverá comunicar imediatamente ao radar. Não se aceita 10 nós a mais ou a menos. É preciso respeitar exatamente o que foi solicitado pelo serviço de controle de tráfego aéreo. Está publicado em carta aérea que os voos poderão ser solicitados para operar com velocidades entre 180 e 230 nós na perna do vento; de 160 a 210 nós na base e longa final; 180 nós a 10 milhas para a cabeceira; e 160 nós até quatro milhas para o toque no solo.


Infraestrutura

Artigo publicado nesta revista


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