Segundo brasileiro se prepara para ir para o espaço

Jovem que venceu concurso de companhia aérea holandesa voará no fim do ano a bordo da nave suborbital Lynx Mark II

Da redação em 19 de Junho de 2015 às 17:02

Pedro Henrique Dória Nehme, 23 anos, estudante de engenharia da Universidade de Brasília (UNB), vencedor de um concurso da companhia aérea holandesa KLM, vai se tornar, até o final do ano, o segundo brasileiro a ir ao espaço. No mês de agosto, Pedro viaja para Star City, na Rússia, na segunda unidade de referência espacial no mundo. Em outubro, ele vai para Holanda para um voo acrobático de caça. O estudante, que sempre sonhou ir para o espaço, já emagreceu 15 quilos desde novembro do ano passado para suportar as condições de um voo espacial.

O voo espacial vai ser realizado na nave Lynx Mark II, da empresa XCOR Aeroespace. A duração prevista é de uma hora, mas lá em cima serão só cinco minutos. Por enquanto, a viagem ainda não está agendada, mas a previsão é que aconteça até o final deste ano. Ele iniciou o treinamento em uma das unidades da Força Aérea Brasileira (FAB), nesta semana, na Base Aérea de Canoas (BACO), no Rio Grande do Sul. O treinamento faz parte da rotina de preparo para um voo espacial suborbital que deve acontecer ainda este ano. Pela primeira vez, Pedro voou numa aeronave supersônica de alta perfomance, a 38.000 pés (cerca de 12 km de altura) e a uma velocidade de 1.400 km/h, o que corresponde a aproximadamente 10% a mais que a velocidade do som. O voo foi realizado numa área de instrução a aproximadamente 100 milhas náuticas da Base de Canoas.

Pedro viveu a experiência de sentir no corpo a força da carga g (positiva e negativa) e gravidade zero, assim como participou de manobras verticais e de desorientação espacial. “Foi interessante fazer de forma repetida várias manobras para treinar. Isso contribuiu para a percepção do meu corpo e vou me lembrar dessa experiência”, disse o estudante.

O futuro astronauta estava acompanhado do comandante do Esquadrão Pampa, o tenente-coronel aviador Ricardo Guerra Rezende. “Foi um voo de alta capacidade de aceleração, subida vertical e carga g. Só em aeronaves de caça é possível simular situações bem parecidas com o voo espacial”, afirma o militar.

Durante todo o dia, Pedro passou também por orientações técnicas, que fazem parte do treinamento na FAB. Foram aulas teóricas sobre o caça F-5 EM, com direito a apresentação da aeronave, treinamento de ejeção, simulador para conhecer o painel da aeronave e aula de fisiologia humana, acompanhado por uma médica especialista em medicina aeroespacial. “Para nós, é uma forma de reconhecimento ser designado como a unidade da FAB responsável por esse treinamento”, comenta o comandante do esquadrão.

Em abril deste ano, Pedro passou por um treinamento fisiológico no Instituto de Medicina Aeroespacial Brigadeiro Médico Roberto Teixeira (IMAE), onde executou atividades no assento ejetável, na câmara de altitude e na cadeira de Barany. O estudante será o segundo brasileiro a voar até o espaço. O primeiro foi o astronauta militar Marcos Pontes, em 2006. 


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