Segredos de uma boa gestão

Tullamarine, em melbourne, já está pronto para atender à demanda de aeronaves e passageiros das próximas décadas, mas as obras de melhoria não param

Robert Zwerdling em 13 de Setembro de 2011 às 07:28


Melbourne Airport

No pátio observa-se, emparelhados, um Boeing 747-400, um superjumbo Airbus A380 e mais pelo menos meia dúzia de birreatores Boeing 777 e Airbus A330. Mas há também dezenas de aeronaves de médio porte, que até parecem de brinquedo ao lado dos "irmãos" de fuselagem larga. Esse é o cenário visto nos pátios do Aeroporto Internacional Tullamarine, em Melbourne, na Austrália, a segunda cidade mais importante na Oceania, do ponto de vista econômico e cultural, com uma população estimada em 4,4 milhões de habitantes. O aeroporto perde em número de passageiros embarcados para Sydney, a capital australiana, mas trabalha pesado para reverter essa situação, oferecendo boa infraestrutura e descobrindo meios para auxiliar seus turistas da melhor maneira possível e se tornar um terminal cada vez mais simpático.

"Fazemos anúncios pelo sistema de som em mandarim e, sempre que possível, realizamos eventos alusivos às datas comemorativas orientais, o intuito é ajudar nossos visitantes chineses, que costumam vir em grande quantidade para a Austrália", conta Chris Woodruff, CEO do aeroporto, que é administrado pela iniciativa privada desde julho de 1997 e hoje está sob o comando da Australia Pacific Airports Corporation (APAC). A administração de Melbourne pretende diminuir a necessidade que hoje muitos usuários têm de viajar a Sydney para prosseguir voos para países asiáticos ou com destino à América do Norte. Em 2010, cerca de 7,2 milhões embarcaram em Melbourne para chegar ao aeroporto de Kingsford Smith, em Sydney, de onde prosseguiram em rotas transoceânicas. Por isso, Melbourne, de olho na maior operação de aeronaves de grande porte em ligações de longo curso sem escalas, passou a investir na remodelação de terminais, pistas e pátios.

No início dos anos 2000, Tullamarine, ou simplesmente "Tulla", foi um dos primeiros aeroportos do mundo a se preparar para a operação dos superjumbos Airbus A380. No terminal de embarque internacional, os gestores instalaram pontes duplas nos portões de embarque e também alargaram em 15 metros a pista principal (16/34), além executarem obras nas pistas de táxi e nos pátios de manobras. O primeiro teste com um A380 da própria fábrica da Airbus Industrie ocorreu no dia 14 de novembro de 2005, mas, pouco tempo depois, em 15 de maio de 2008, um -80 da Singapore Airlines realizou o primeiro pouso trazendo passageiros a bordo. Vale esclarecer que não se tratava de uma linha regular, mas da necessidade de alternar o pouso em virtude de Sydney estar fechado por nevoeiro. De qualquer maneira, o aeroporto passou bem no teste e, logo depois, no mês de outubro daquele mesmo ano, a companhia australiana Qantas começou a operar seus quadrirreatores regularmente em Melbourne, executando voos sem escalas para Los Angeles (CA), nos Estados Unidos. E a própria Singapore chegou a Melbourne com o A380 em setembro de 2009.

Planos ambiciosos
O aeroporto é realmente de encher os olhos em matéria de espaço, para aviões e passageiros. A receita não é segredo: investir, investir e investir. Sim, o aeroporto não parou no tempo à espera da saturação para tomar medidas emergenciais. E ainda continua trabalhando com planos ambiciosos. Hoje, o aeroporto conta com nada menos que quatro terminais de passageiros: o terminal 1 conta com 15 pontes de embarque divididos em dois piers operados pela Qantas e as subsidiárias domésticas Jetstar, QantasLink e Qantas Jetconnect; os voos internacionais são operados pelo terminal 2, que oferece mais 15 fingers e dois portões para embarque em posição remota; o terminal 3, que pertencia à falida companhia Ansett Australia, trabalha com dois piers e 11 pontes de embarque, além de oito posições para embarque em posição remota, sendo utilizado pelas companhias aéreas Virgin Blue e Regional Express (Rex); e finalmente o terminal 4, que recebeu investimentos da quase US$ 4,5 milhões em 2007 para obras de revitalização, hoje atende prioritariamente aos voos operados por companhias de baixo custo.

O terminal 4 não oferece tantas facilidades como os demais, caso das passarelas telescópicas, por isso as tarifas cobradas das companhias são mais baixas. Quem está lá é a Tiger Airways Australia, que opera aeronaves Airbus A320 em voos para Sydney, Brisbane e Darwin. No último mês de março, a administração da APAC anunciou que pretende demolir o Terminal 4 para iniciar as obras de construção do Terminal 5, que será bem mais amplo e confortável, servido por fingers, e que também permitirá a transferência para lá dos voos operados pela Jetstar no Terminal 1.

O Terminal 2, o da ala internacional, também está passando por reformas e recebe investimentos de mais de US$ 300 milhões para ampliação. O aeroporto pretende instalar nas áreas dos lounges das companhias aéreas um novo sistema de ar condicionado e aquecimento, que trará maior economia de energia para o aeroporto. Os gestores também trabalham em um novo complexo de esteiras de bagagem e na ampliação das salas de embarque, considerando que hoje Melbourne já está operando três fingers especiais para os jatos A380. O número de aparelhos de raios X já subiu de seis para 10 e os balcões da imigração passaram de 18 para 24. Trabalhos de ampliação do piso de embarque deverão aumentar em mais 5.000 m² a área útil para movimentação de passageiros e alguns corredores estão sendo envidraçados para propiciar vista do pátio e das pistas do aeroporto.

Tulla foi um dos primeiros aeroportos do mundo a se preparar para receber o Airbus A380

Tullamarine não tem pretensão de parar seus investimentos nesses próximos anos, já que as projeções apontam para um movimento de 37 milhões de passageiros ao ano, entre 2017 e 2018, chegando a 45,8 milhões de passageiros por volta de 2023. No ano fiscal encerrado no último mês de junho, o aeroporto contabilizou um total de 28.190.457 passageiros, com acréscimo de 7,7% sobre o período anterior. O fluxo do movimento internacional cresceu 13,5%, com aumento da ordem de 26,2% em passageiros oriundos da China, 16,0% em visitantes de Cingapura, 15,8% em volume de turistas procedentes da Malásia e 15,2% no aumento de desembarques internacionais do Japão. A utilização de aeronaves do tipo A380 está crescendo, embora companhias como a Singapore Airlines ainda operem com o Boeing 747-400 e o Boeing 777. A companhia de bandeira australiana Qantas aumentou significativamente seus voos operados com A380 em Melbourne e hoje oferece seis voos para Los Angeles e mais um para o Aeroporto Internacional de Heathrow, em Londres (Inglaterra).

#Q#

Mais pistas, mais aeronaves
O Aeroporto Internacional Tullamarine está localizado a 25 quilômetros do centro de Melbourne e o trajeto é cumprido em 30 minutos por via terrestre. Existe um serviço de ônibus executivo que opera regularmente, liberando veículos a cada 10 minutos. O preço da passagem de ida e volta para adulto sai a AU$ 26 (R$ 43,50) e o pacote familiar, que inclui dois bilhetes de adultos e a viagem de até quatro crianças, AU$ 56 (R$ 93,70). Passagens podem ser compradas antecipadamente pelo www.skybus.com.au.

No ano encerrado em junho de 2010, quando o aeroporto de Melbourne fechou sua estatística anual de 2009/2010, foram contabilizados 195,9 mil pousos e decolagens, sendo que, entre 2007 e 2008, o aeroporto registrava uma média semanal de 450 operações internacionais, 3.010 movimentos domésticos, com um total de 3.460 pousos e decolagens. Logicamente, esse número aumentou bastante, mas a APAC ainda não divulgou os números finais para o período 2010/2011, encerrado no último mês de junho. Como as projeções para o ano 2017 apontam para um movimento total de 248 mil pousos e decolagens, o aeroporto trabalha na ampliação de sua pista principal 16/34, que passará de 3.657 metros para 4.500 metros de comprimento, no aumento do número de taxiways de saída rápida e na melhoria dos equipamentos de apoio à navegação, sendo que o aeroporto acaba de instalar um sistema de aproximação ILS de categoria 3 na cabeceira 16, o primeiro desse tipo na Austrália.

Há uma pista transversal (09/27) - configuração de pistas em "T" - que hoje oferece 2.286 metros, e também deverá ser ampliada para 3.500 metros. Além desses trabalhos, Melbourne iniciará a construção de mais duas pistas, paralelas às duas já em operação, e promete entregar pelo menos uma delas até 2017. As cabeceiras mais utilizadas são a 16 e a 27, que operam ILS, enquanto as demais cabeceiras oferecem apenas procedimentos de aproximação por auxílios de não precisão e RNav. Não há elevações significativas e os alertas emitidos nas cartas aéreas são alusivos à presença de pássaros no entorno do campo e à existência de um aeroporto secundário, o Essedon, a cinco milhas náuticas a sudeste.

Estatísticas
Passageiros 2010/2011: 28.190.457
Aeronaves 2009/2010: 195.900


Aeroporto

Artigo publicado nesta revista


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