projeto f-x2 também indefinido

Novos movimentos devem acontecer somente após eleições na França, visita de Dilma Rousseff aos EUA e definição da real dimensão da crise europeia

Da redação em 23 de Março de 2012 às 11:29

Richard Rau

O cenário do programa F-X2, cujo objetivo é selecionar um novo modelo de avião de combate de primeira linha para atender às necessidades da Força Aérea Brasileira (FAB) a partir de 2015, também continua indefinido. E novos movimentos deverão acontecer somente depois de maio próximo. A razão dessa delonga tem aparentemente um coquetel de motivos.

Entre abril e maio, haverá eleições presidências na França e uma eventual derrota de Nicolas Sarkosy poderá redundar em mudanças no posicionamento de política externa do governo daquele país. Também em abril, Dilma Rousseff encontra-se com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e certamente discussões em torno do negócio acontecerão, sobretudo em relação à desconfiança brasileira sobre o cumprimento das promessas de transferência de tecnologias embutidas na proposta que envolve o supersônico F/A-18E/F Super Hornet. Paralelamente, persistem as incertezas quanto aos reflexos da crise mundial sobre o Brasil, embora o país possa obter vantagens da fragilidade econômica dos países participantes da licitação, incluindo reduções de preços.

Nos quesitos técnicos, persistem as discussões em torno da autonomia dos caças - embora a FAB não veja isso como um problema - e da capacidade de transporte e do porte de armamento de cada um. Em um país de território continental e variedade de condições em terra, a autonomia de voo, que depende da reserva de combustível e do consumo específico dos motores, é um quesito importante. Sem autonomia, a aeronave deve pelo menos transportar combustível extra em tanques subalares ou ser reabastecida em voo, tecnologia que a FAB já domina. A menor autonomia é o principal ponto fraco do sueco Saab Viggen, antecessor do Gripen. Nos itens versatilidade, alto desempenho e sistemas os candidatos se equivalem, e tanto o Rafale como o F-18 já foram testados em combate. O Rafale e o F-18 têm duas turbinas, o que significa maior segurança operacional, e ambos possuem versões navais embarcadas (mais robustas para esse tipo de operação). Já o F-18 transporta maior carga e variedade de armas externas, mas a preferência da FAB é para aviões que possam ser bons em luta ar-ar e ar-terra, e para isso o caça precisaria de canhão de pelo menos 30 mm, ou equivalente, para destruir veículos blindados. O F-18 usa canhão de 20 mm.

DASSAULT RAFALE
A vitória obtida pelo Rafale da Dassault Aviation na disputada concorrência MMRCA da Índia teria motivado a visita do ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, à Índia, notadamente pela possibilidade de acesso às documentações do resultado da competição indiana. Os franceses se mostram dispostos a reduzir custos da mesma forma como fizeram na concorrência da Suíça, além de manterem a promessa de transferência irrestrita de tecnologias. Um ponto que pode favorecer o Rafale está ligado à sua boa performance nas ações da OTAN sobre a Líbia no ano passado.

BOEING F/A-18 SUPER HORNET
Os norte-americanos continuam firmes no propósito de demonstrar as virtudes da proposta da Boeing para fornecimento do Super Hornet. O fabricante, além de ter seus custos congelados aos níveis de 2009, garante que os prazos exigidos pela FAB serão cumpridos à risca. Há de prevalecer também que o Super Hornet é o concorrente que mais participou de ações de combate, colecionando desde 2002 operações de ataque e interceptação, principalmente no Iraque e no Afeganistão. Por último, o cancelamento da encomenda de Super Tucanos da Embraer pela USAF parece não ter abalado a imagem da Boeing Military Aircraft. A empresa, aliás, enviou ao Brasil seu presidente, Cristopher Chadwick, encarregado de apresentar uma proposta mais atraente.

SAAB GRIPEN NG
Apesar de ser considerado por seus rivais do F-X2 um "caça teórico", os suecos afirmam que o Gripen NG da Saab oferece ao Brasil oportunidades únicas, entre elas, a de participar do seu desenvolvimento e de absorver passo a passo boa parte da tecnologia nele empregada. Um trunfo do Gripen NG fica por conta de ser o mais barato, tanto em termos de aquisição quanto no aspecto operacional, bem como de ter conquistado a preferência da FAB em seus relatórios.

Colaborou ROBERTO PEREIRA DE ANDRADE


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