Personagem

Piloto-repórter

A rotina do mais bem-equipado jornalista aéreo do país, o comandante Hamilton, que ganhou fama no Programa do Gugu e hoje trabalha para a TV Record

Texto E | Fotos Rodrigo Cozzato em 7 de Novembro de 2011 às 14:52

Acidente com caminhão no Cebolão causa congestionamento de mais de vinte quilômetros na Marginal Tietê. Helicóptero de instrução cai no Parque Ecológico do Tietê. Outro acidente, dessa vez na Avenida Sapopemba, para o trânsito na Zona Leste da capital paulista. Na Zona Oeste, uma mulher se amarra a uma árvore. Novo acidente, agora com caminhão e quatro carros, complica a vida do motorista na Rodovia Presidente Dutra. Moradores de um conjunto habitacional na Zona Norte protestam contra a desocupação imposta pela Prefeitura por conta da existência de gás metano no subsolo. Polícia persegue e captura bandidos em fuga com carro roubado no Rio Pequeno.

As manchetes se multiplicam na voz e nas lentes do mais conhecido jornalista aéreo do país. Fornecer informações ao vivo e gravar acontecimentos importantes da Região Metropolitana de São Paulo é parte da rotina do único piloto- -repórter brasileiro, o comandante Hamilton, que cumpre pelo menos duas horas de voo por dia para participar, no horário do almoço, do telejornal Record Notícias. Durante a tarde e à noite, Hamilton e sua equipe ficam de prontidão para decolar em caso de necessidade. Além de pilotar seu helicóptero Robinson R44 repleto de equipamentos de captura e transmissão de imagens de última geração e se comunicar com o controle de helicópteros, o comandante ainda conversa com as centrais da polícia e dos bombeiros, com os produtores da TV Record e com sua equipe de jornalistas, que atuam nos bastidores à procura de ocorrências. Na prática, o R44 mais se parece uma miniestação de TV que voa - ou, no jargão jornalístico, um link aéreo (leia mais no infográfico das p. 62 e 63).

Brevê na Flórida
José Hamilton Alves da Rocha tem 55 anos de idade e, segundo suas contas, contabiliza, "por baixo", 15 mil horas de voo. "Mais de dez mil, tenho seguramente. Parei de contar faz tempo, só anoto o mínimo". Filho único de pais humildes, nasceu em São Francisco, às margens do rio de mesmo nome, no extremo norte de Minas Gerais. A família mudou-se para São Paulo quando Hamilton tinha 6 anos, para tratar a doença de Chagas de sua mãe. Não adiantou. Dona Amélia Alves morreu logo em seguida e seu Onofre Mendes da Rocha, falecido há três anos, fez de tudo um pouco: pedreiro, faxineiro, encarregado de serviços gerais. "O salário do meu pai não dava pra pagar sequer uma hora de voo", recorda. Por isso, já nos anos 1980, quando começou a se interessar por aviação, foi em busca de uma oportunidade na Flórida, nos Estados Unidos. Lá ajudava um piloto a vender peças de avião e, com o pouco que ganhava, comprava horas de voo. E assim conseguiu o brevê de helicóptero. Lá também conheceu algo que mudaria sua vida: o jornalismo aéreo.

Ao voltar para o Brasil, em 1986, começou a fazer voos panorâmicos e as primeiras filmagens aéreas para produtoras de televisão. Até que, nos anos 90, entrou de vez no universo da TV. Fez algumas poucas imagens para o extinto telejornal Aqui Agora, do SBT, e ganhou fama no Domingo Legal, programa dominical do apresentador Gugu. "Na época, cobri o acidente que matou os Mamonas Assassinas. Foi a maior audiência do Domingo Legal". Do SBT, o piloto colecionou passagens por diversas emissoras de São Paulo, chegando a trabalhar em três ao mesmo tempo. "Era uma correria danada, saía de um jornal e ia para o outro. Uma vez troquei os nomes dos apresentadores", confessa. Hamilton ainda encontrou tempo para cursar a faculdade de Jornalismo, entre 2002 e 2005. Hoje, a Helicóptero Digital, empresa do piloto, faz todos os tipos de filmagens aéreas com fins publicitários ou particulares, além das reportagens para emissoras de TV.

Nenhum acidente
Apesar da fama, a principal doutrina de Hamilton é a aviação. "Mais de 70% do que fazemos está relacionado aos procedimentos de voo. A preocupação com a segurança vem em primeiro lugar". Tanto que o piloto nunca sofreu um acidente nem sequer um pouso de emergência. "Eu acabo de pousar e o helicóptero já é vistoriado. Se tiver alguma peça com defeito, por menor que seja, troco na hora". Outro detalhe que chama atenção é que os helicópteros são usados, em média, durante um ano e meio, no máximo dois anos. Antes que atinjam o tempo máximo de utilização, Hamilton os troca por novos. "É mais barato e seguro". O ritmo puxado dos voos faz com que as aeronaves cheguem a voar 1.500 horas por ano. Também por questões de segurança, o comandante deixou de fazer "ponte" para os motolinks, que exigia voos pairados para retransmitir o sinal da motocicleta. "Decidi abolir o voo pairado. Se você tem uma pane, até configurar o helicóptero para um pouso de emergência, perde segundos preciosos", explica.

#Q#

Hamilton conta que a cobertura mais complexa que fez até hoje foi uma perseguição policial a um veículo roubado na véspera do feriado de 12 de outubro de 2010. Ele mostrava imagens do imenso trânsito da capital paulista quando percebeu que se iniciava a perseguição, na região da Barra Funda. "Foi tudo muito rápido, mas conseguimos chegar". A cena foi assustadora. Depois de correr por uma grande avenida, o bandido ficou acuado em meio ao congestionamento. Para tentar fugir, atropelou diversos policiais que estavam em motocicletas. A fuga foi frustrada, e o bandido, preso.

O braço direito de Hamilton é seu filho mais velho, Uan, de 26 anos, que também é piloto, cinegrafista e operador dos equipamentos - ele tem outros dois filhos, Ian, de 24 anos, que é advogado, e Vitor, de 5 anos. Uan é formado em Mecatrônica e responde pela tecnologia de bordo dos helicópteros. "Antes precisava instalar tudo nos Estados Unidos. Hoje, Uan faz tudo por aqui, está sempre ligado nos lançamentos", explica Hamilton. A equipe é formada, ainda, por mais um piloto. Também há três operadores, dois jornalistas e quatro estagiários, responsáveis pela checagem das ocorrências - eles ficam em um escritório na região central de São Paulo - e mais um mecânico exclusivo, além do suporte de manutenção prestado pelos funcionários do Helipark, em Carapicuíba, na Grande São Paulo, onde os helicópteros ficam baseados.

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