Difícil decisão

Piloto norte-americano condecorado por derrubar avião de seu próprio país

A história do comandante que atacou um C-47 durante a Segunda Guerra Mundial

Santiago Oliver em 12 de Dezembro de 2016 às 12:53

Na minha mais recente visita ao Pima Air and Space Museum, próximo a Tucson, no estado de Arizona, fiquei surpreso ao entrar no Hangar 4 e me deparar com uma das mais recentes restaurações: o avião que, quando criança, sonhava em pilotar, o North American P-51D Mustang. Mas estranhei seu nome: “Bad Angel” (Anjo Mau).

Fiquei admirando suas aerodinâmicas linhas e lembrando muitas histórias da sua atuação na Europa e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial, quando algo ainda mais estranho do que seu nome, me chamou a atenção.

Orgulhosamente exibidas na lateral da fuselagem do “Bad Eagle” pilotado pelo tenente Louis Curdes, estavam suas vitórias sobre aeronaves inimigas, dez aviões! Mas algo devia estar errado: sete alemães, um italiano, um japonês e... um norte-americano? 

O quadro de vitórias do tenente Louis Curdes

Imediatamente soube que deveria haver uma boa história ali. Como em todo bom museu norte-americano, um dos monitores estava por perto e fui perguntar o porquê da bandeira dos Estados Unidos. Devia ser um engano. Não podia ser. Caso tivesse sido um erro do piloto, ele não teria acrescentado a bandeira às suas vitórias. 

Eis a história

Em 1942, os Estados Unidos necessitavam urgentemente de muitos pilotos para a quantidade de aviões de combate que estavam produzindo. O tenente Louis Curdes foi um deles. Com 22 anos, saiu da escola de treinamento e imediatamente foi enviado para o teatro de operações do Mediterrâneo para combater os nazistas.

Ele chegou ao 95º Esquadrão do 82º Grupo de Caça da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos (USAAF) em abril de 1943, para pilotar um Lockheed P-38 Lightning. Dez dias depois já havia derrubado três caças Messerschmitt Bf.109. Nos dias seguintes derrubou mais dois Bf.109 e, em menos de um mês, Louis era um ás. 

Cinco vitórias sobre os alemães, um ás

Durante os três meses seguintes, o tenente Curdes derrubou um caça italiano Macchi C.202 e mais dois Bf.109, mas a sua sorte mudou. Em 27 de agosto de 1943, um caça alemão o derrubou sobre Salerno, na Itália. 

Capturado pelos italianos, foi enviado para um campo de prisioneiros perto de Roma, onde pensou que passaria o restante da guerra, mas estava enganado. Poucos dias depois os italianos se renderam. Louis e outros pilotos conseguiram fugir antes que os nazistas ocupassem o campo.

O tenente Curdes voltou para as linhas americanas, mas dessa vez, o Tio Sam o enviou para as Filipinas, onde passou a voar no North American P-51 Mustang e poucos dias depois derrubou um Mitsubishi perto de Formosa. Agora ele era um dos três pilotos norte-americanos a ter vitórias contra as três potências do Eixo: Alemanha, Itália e Japão. 

Até aquele momento, a carreira de combate do jovem tenente Louis Curdes tinha sido normal, mas a sua história mudaria de maneira tão bizarra que daria um filme de ficção.

Enquanto atacava a ilha de Bataan, ocupada pelos japoneses, o ala de Louis foi abatido e desceu no oceano de paraquedas. Circulando sobre ele, Louis viu que o piloto estava vivo e ficou na área para guiar o avião de resgate e proteger o piloto abatido.

Pouco depois ele viu um avião maior, com o trem de pouso abaixado se preparando para pousar no aeroporto de Bataan e se aproximou para investigar. Para sua surpresa, o avião que tentava pousar na ilha ocupada pelos japoneses era um transporte Douglas C-47 com insígnias norte-americanas.

Tentou sem sucesso fazer contato pelo rádio. Realizou várias manobras frente ao grande transporte tentando alertá-lo. Mas o C-47 continuou na aproximação. Aparentemente a tripulação do bimotor não sabia que estava prestes a pousar em uma ilha ocupada pelos japoneses.

As metralhadoras do North American P-51D Mustang

O tenente Curdes já havia lido notícias sobre a crueldade dos japoneses com seus prisioneiros. Ele sabia que quem estivesse naquele C-47 seria morto no desembarque. O que ele poderia fazer?

Audaciosamente, depois de uma difícil decisão, ele alinhou seu P-51 atrás da asa direita do C-47 e atirou no motor com suas metralhadoras .50. Mas o C-47 continuava voando em direção a Bataan, por isso Louis atirou no outro motor deixando o confuso piloto com uma única opção: pousar no oceano.

O grande bimotor pousou na água a uns 50 m do ala do Louis que, como já era noite e estava com pouco combustível, voltou à sua base. 

Na manhã seguinte, o tenete Curdes procurou e encontrou o Consolidated PBY Catalina que havia resgatado o piloto de Mustang, os dois pilotos e os 12 passageiros do C-47, incluindo duas enfermeiras. Todos sobreviveram e, mais tarde, o tenente Curdes casou com uma daquelas enfermeiras.                                                              

Por ter derrubado um avião de transporte norte-mericano desarmado, evitando que seus ocupantes caíssem nas mãos dos japoneses, o tenente Louis Curdes foi condecorado com a Distinguished Flying Cross. Por isso, no quadro de vitórias da fuselagem do seu P-51D Mustang “Bad Angel”, ele orgulhosamente pintou, junto aos sete alemães, um italiano e um japonês derrubados, uma bandeira dos EUA.

 


Notícias Louis Curdes Lockheed P-38 LIghtning North American P-51 Mustang Douglas C-47.Macchi 202


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