Na semana da 19ª Intermodal South America, principal feira de logística, transporte de carga e comércio exterior do continente, que aconteceu em São Paulo no último mês de abril e reuniu mais de 600 empresas e quase 50 mil visitantes, algumas novidades surgiram no campo do transporte aéreo de carga no Brasil, duas delas protagonizadas por empresas com fortes laços com a aviação executiva.

Uma das boas notícias foi a fusão das empresas Two Aviation e a Flex Aero, esta última dirigida por Rui Thomaz de Aquino, que antes de iniciar seu próprio negócio em sociedade com o empresário Luiz Eduardo Falco, presidiu a TAM Táxi Aéreo e foi presidente da ABAG (Associação Brasileira de Aviação Geral).

Rui Aquino (à esq.) e Anderson Davo

A nova empresa TWO-FLEX une duas frotas com nove Grand Caravans próprios de cada uma das empresas originais, totalizando 18 aeronaves combinadas - e mais dois aviões de terceiros. Além de gerarem a companhia aérea de transporte de carga expressa com a maior frota do país, a união das duas passa a contar com 11 bases de operação (Belém do Pará, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte, Brasília, Palmas, Manaus, Santarém, Recife e Jundiaí).

A natureza da operação é a de cargas expressas com pesos e volumes pequenos, capilaridade e controle de tempo pelo cliente, e os produtos típicos a serem transportado são medicamentos, valores e autopeças. A companhia já atende aos Correios e pretende aumentar essa parceria, além disso, acredita que as entregas derivadas do e-commerce podem vir a ser um mercado promissor.

A aeronave Caravan da Cessna foi lançada em 1995 justamente a pedido da Fedex para o transporte de cargas expressas. O Grand Caravan tem capacidade de até 1,5 tonelada de carga e grande versatilidade para atuar em pistas não pavimentadas e curtas. E é justamente esta uma das missões a que a companhia se propõe: atender a destinos não servidos pela aviação regular, inclusive em pistas não pavimentadas, desde que homologadas.

PROBLEMAS RODOVIÁRIOS
Contribuem para a estratégia da empresa os crônicos problemas de infraestrutura rodoviária do Brasil, onde os atrasos e a insegurança motivam empresas a utilizar o transporte de carga aérea expresso para poder ter controle completo sobre a carga, contando até com acompanhamento em tempo real pela internet.

Os usuários desse serviço não são clientes com um fluxo regular de transporte, em sua maioria utilizam o serviço quando ocorre uma situação extraordinária. Um exemplo são as empresas de autopeças que são solicitadas a remeter, com urgência, peças para evitar o atraso ou mesmo paralisação de uma linha de montagem de automóveis. O transporte de uma carga expressa média com 1.000 kg de peças da entrega no aeroporto Jundiaí até a retirada no aeroporto de Curitiba leva apenas 3 horas e seu custo gira à volta de R$ 6.000. Barato? Não, mas capaz de evitar prejuízos milionários.

Hoje as duas companhias faturam, juntas, R$ 75 milhões e transportam 7.500 toneladas de carga anualmente. Esperam crescer 30% em 2013 e dobrar de tamanho em dois anos com atuação no Brasil e no Mercosul. Para isso, estão previstos investimentos de US$ 30 milhões neste ano na aquisição para levar a frota de Grand Caravans a 30 aeronaves e, ainda, adquirir mais duas aeronaves ATR usadas, cuja missão possível é o transporte de cargas de sapato do Rio Grande do Sul para São Paulo.

A diminuição de espaço de carga nas companhias de transporte regular também favorece as empresas de carga expressa, como salienta Rui Aquino: "Em Brasília, por exemplo, existe um gargalo de carga das grandes companhias, nesta situação, sobrou carga, somos contratados. Também somos complementares quando, a partir de um aeroporto grande, é necessária capilaridade para um volume menor de carga". Aquino descarta mudança do perfil de sua frota: "Nunca vamos comprar aeronaves grandes, como um Boeing".

A Anac foi comunicada da consolidação e pretende ter a integração completa e autorizada neste primeiro semestre. Os sócios também optaram por fazer uma consulta ao CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) sobre a fusão, que resulta numa participação societária dividida igualitariamente entre os empresários Anderson Davo e Breno Bittencourt Jorge, da TWO, e Luiz Eduardo Falco e Rui Thomaz de Aquino, da FLEX.

Para atingir seus objetivos, a companhia conjunta, que conta com 160 funcionários, garante que não vai demitir e, sim, contratar para dar vazão ao crescimento projetado, com operação de manutenção própria e conjunta sendo realizada centralizadamente em Jundiaí (que também funcionará como base principal da companhia), e otimização de rotas e da maior capilaridade do número conjunto de bases de operação. Os sócios esperam atingir no mínimo 10% de redução de custos em sinergia.


Reportagens

Artigo publicado nesta revista

NBAA 2016

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