Para inglês ouvir

Pilotos devem buscar nível 5 de proficiência do idioma segundo parâmetros da Icao para garantir não apenas sua vaga em companhias aéreas como também maior segurança em voo

Por Paul Davey / arquivo em 6 de Agosto de 2012 às 14:10


No atual estágio tecnológico do transporte aéreo, a maioria dos pilotos passará por carreiras inteiras sem quaisquer problemas significativos no ar. Raros serão os que precisarão usar as palavras "Mayday, Mayday, Mayday" fora de um simulador. Porém, cada um dos aviadores foi treinado para esse momento, e todos estão preparados para ele. Mas será que estão mesmo? Para tentar responder a essa pergunta, imagine o seguinte cenário. Você é o comandante de um voo internacional indo do Rio de Janeiro para Hamburgo, na Alemanha, e, no exato instante em que está tomando café da manhã em algum lugar acima dos Alpes Franceses e aproveitando um momento de calma antes de preparar sua descida, há um grande estrondo e tudo no painel de controle indica um incêndio incontido do motor. A solução do que acontecerá desse incidente em diante dependerá de sua completa atenção. Assim, em algum momento, será preciso não apenas falar com o controlador de voo para explicar a situação, como também compreender o que ele diz - falando inglês com sotaque francês -, processar a resposta dele e, enfim, aplicar em voo o que seu interlocutor em solo disser.O cancelamento de testes de inglês de pilotos brasileiro recoloca em discussão a proficiência de aviadores do país na considerada língua oficial da aviação. O idioma falado pelos ingleses nunca se mostrou tão necessário no meio aeronáutico quanto agora, sobretudo diante da evidência internacional que o Brasil ganhou com seu boom econômico e a perspectiva de sediar grandes eventos esportivos mundiais. Em outras palavras, o momento é apropriado para encarar os desafios da língua inglesa na aviação.

Diante de um episódio como esse, procure se perguntar: "Serei capaz de lidar com uma situação desse tipo em sua totalidade?". Bem, se a resposta for não, é hora de rever o seu ensino de inglês. Note que uma das palavras dessa pergunta foi escolhida com muito cuidado: "rever". Isso porque o custo de um curso de inglês no Brasil é relativamente alto, com preços variando entre 60 e 100 reais por hora de aula em lugares variados como escolas, domicílios e on-line (que está crescendo cada vez mais). Considerando que um piloto precisa estudar cerca de 100 horas para subir um nível nos parâmetros da Icao (International Civil Aviation Organization), dá para calcular o investimento necessário para um aviador aprender inglês desde o início.

A recente retirada dos resultados do exame de tripulantes brasileiros da escola de aviação Flight Crew, de Madri, na Espanha, serve como indicativo da expectativa da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) em relação ao uso correto e eficiente de inglês - embora alguns pilotos considerem a medida uma manobra para impedir a redução da arrecadação da agência. Polêmicas à parte, o fato de 88 profissionais, de uma amostra de 95, terem sido obrigados a refazer seus testes no Brasil é uma forte mensagem de que os pilotos devem estar preparados para os testes de inglês. Além disso, com a busca cada vez mais intensa por redução de gastos, necessária para manter as margens ou melhorar os balanços, é improvável que as companhias aéreas considerem seriamente um apoio à educação continuada do inglês de seus pilotos após contratá-los. "Conheço vários pilotos que tiveram contratos encerrados de imediato por não passarem no teste de inglês", disse um piloto que preferiu não se identificar.

O INGLÊS NUNCA SE MOSTROU TÃO NECESSÁRIO NO MEIO AERONÁUTICO QUANTO AGORA, SOBRETUDO COM A EVIDÊNCIA INTERNACIONAL DO BRASIL DEPOIS DE SEDIAR EVENTOS ESPORTIVOS MUNDIAIS

É preciso assumir que isso não vai mudar e, assim, considerar a retomada dos estudos do inglês. Não são poucos os pilotos que procuram ajuda a apenas um mês da prova, e muitos desses tiveram pouco ou nenhum contato com o idioma desde seu último teste. Garanto que se eu voltasse para a Inglaterra amanhã e não tivesse mais contato com o português - estou no Brasil há dois anos -, não seria capaz de escrever este artigo e certamente não poderia explicar a um controlador de tráfego aéreo no Brasil o que eu precisaria para fazer uma aterrissagem prioritária em função de vibração excessiva do motor e um possível vazamento hidráulico.

Manter-se atualizado em inglês requer um compromisso contínuo do aluno. O contato regular deve ser mantido e uma língua não pode certamente ser aprendida de uma hora para outra. Atualmente, a lista de espera para o exame de inglês da Anac é longo. Em alguns casos, os pilotos precisam aguardar até 10 meses para o dia da sua prova.

A alternativa é pagar R$ 500 e fazer o teste em uma escola particular. As taxas altas e a longa espera são as principais críticas, mas talvez seja o caso de olhar pelo lado bom: o piloto tem 10 meses para se concentrar no teste com uma abordagem maior de estudo em casa, recebendo visitas quinzenais do professor de inglês de aviação. Nos últimos dois meses, o aluno deverá receber duas visitas semanais, no mínimo, o que não apenas manterá o seu nível como também poderá elevá-lo para o próximo.

O nível 5 da Icao deve ser o objetivo de um piloto brasileiro. Ao atingi-lo, ele só precisa refazer seu exame depois de seis anos e, principalmente, garante um aumento da segurança em voo das missões em que estiver envolvido. A segurança da aviação é uma "criatura viva" e, com a investigação exaustiva dos acidentes e a previsão de pilotos e órgãos que regem o céu, sempre se aperfeiçoa. "O problema que enfrentamos hoje com o inglês na aviação é que os pilotos estão 'apanhando' com a mudança de regulamentos", diz Andy Roberts, diretor de treinamento da Emery Roberts Aviation English Training.

O Icao nível 4 é o grau de conhecimento que se exige para um piloto voar internacionalmente. Quando todos os pilotos atingirem verdadeiramente esse patamar, a segurança da aviação ganhará muito com isso, mas, ainda assim, não será o fim da viagem. Atualmente, o Icao nível 4 permite que erros sejam cometidos na utilização do idioma inglês. A definição de nível 4 da Icao, em termos de estrutura da frase, afirma que: "As estruturas gramaticais básicas e os padrões de frases são usados com criatividade e normalmente bem-controlados. Erros podem ocorrer, particularmente em circunstâncias excepcionais ou imprevistas, mas raramente interferem no significado". Felizmente, ainda não houve um acidente grave determinado por um "erro raro" cometido em um estágio crítico de voo. Algumas companhias aéreas internacionais já estão exigindo um mínimo de Icao nível 5 para os seus pilotos. O próximo passo a ser tomado é o Icao nível 5 passar a ser obrigatório para todos os voos internacionais.

 

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Artigo publicado nesta revista

AERO Magazine 219 · Agosto/2012 · Titulo


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