O ano de 2013 marca o início da celebração do centenário da aviação comercial, que começou em 1º de janeiro de 1914, quando Tony Jannus pilotou o primeiro voo com essa finalidade já registrado, levando um único passageiro (ocupação de 100% de carga) em uma viagem aérea de 23 minutos entre Tampa e St. Petersburg, na Flórida, Estados Unidos.

Esse evento histórico, que ocorreu mais de uma década depois do primeiro voo dos irmãos Wright, e quase oito anos após o voo de Santos Dumond a bordo do 14 Bis, foi praticamente esquecido fora da comunidade da aviação. No entanto, é difícil medir o impacto mundial que continua a ter. Hoje, a aviação provê cerca de 57 milhões de empregos em todo o mundo e injeta US$ 2,2 trilhões na economia global. Mais de 35% dos bens comercializados internacionalmente são transportados por via aérea. No Brasil, o segmento de transporte aéreo doméstico gera quase 940 mil empregos diretos e indiretos e representa um mercado de R$ 42 bilhões, ou 1,3% do PIB do país, quando os benefícios do turismo estão incluídos.

Este ano, pela primeira vez, as companhias aéreas de todo o mundo esperam transportar mais de 3 bilhões de passageiros, o equivalente a 44% da população do planeta. E eles farão isso com segurança. A aviação comercial vem melhorando nesse quesito ao longo das décadas, resultado de avanços tecnológicos e operacionais, combinados com o enorme empenho de todos os envolvidos para fazer da segurança a prioridade máxima. O ano de 2012 foi o melhor da história para a indústria de transporte aéreo em termos de segurança, com média de apenas um jato ocidental perdido para cinco milhões de voos. Esse número superou em 46% o recorde anterior, estabelecido em 2011.

O desempenho das 240 companhias aéreas ligadas à IATA foi ainda mais notável: nossos membros não experenciaram a perda de nenhum jato ocidental. Além disso, não houve o registro de perda de nenhum jato ocidental dentre as companhias da IATA Operational Safety Audit (IOSA) - mais de 140 não são membros da IATA.

Em uma visão mais ampla, é nítido que a aviação se transformou em atividade de alto risco exclusivamente para uma parte da rotina da vida moderna dos acrobatas barnstormers e daredevils.

Simplesmente não há outros meios de transporte de longa distância equivalentes para essa transformação rápida. Considere que, aproximadamente 20 meses antes de Jannus tomar o céu, mais de 1.500 pessoas morreram no naufrágio do RMS Titanic, que havia sido anunciado como o navio mais moderno e seguro no mundo.

É claro que, graças ao avião, poucas pessoas viajam longas distâncias em navios atualmente - viajar pelo mar é uma busca de lazer, e não um dirigente do mercado global e do comércio. A inevitabilidade dessa evolução foi anunciada em janeiro de 1914, quando Jannus, no comando do barco voador Benoist XIV, diminuiu as horas de viagem entre Tampa e St. Petersburg, anteriormente acessível apenas por navio a vapor (lento), estrada (ainda mais lento) ou viagem de trem. Tony Jannus não viveu para ver a aviação comercial mudar o mundo. Ele morreu em um acidente durante treinamento, poucos anos após a linha Airboat St. Petersburg Tampa anunciar a revolução que se aproximava. À medida que começamos a contagem regressiva para o 100º aniversário do nascimento da indústria da aviação, não há melhor maneira de honrar seu legado do que continuar a fazer da segurança a nossa maior prioridade.

Tony Tyler é diretor-geral e CEO da IATA


Aviação Comercial

Artigo publicado nesta revista

NBAA 2016

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