Obras resolvem, mas conturbam

Christian Burgos, Giuliano Agmont em 4 de Novembro de 2011 às 13:08

O transporte aéreo brasileiro inaugura uma fase decisiva de sua história. A concessão de alguns dos principais aeroportos do país para a iniciativa privada marca uma transição crucial na aviação nacional. A despeito da data dos leilões, a expectativa é a de que comecemos a desafogar nosso principal gargalo infraestrutural. Mas a solução para o impasse dos aeroportos embute alguns problemas preocupantes, e inerentes ao processo: as obras vão criar restrições operacionais e a situação tende a se tornar crítica nos grandes terminais do país. Para o vice-presidente Comercial e de Marketing da Avianca, Tarcisio Gargioni, com quem conversamos durante o anúncio da compra dos Airbus A320 da Avianca, as consequências são inevitáveis. Difícil discordar. O próprio SNEA (Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias) manifestou ao ministro Wagner Bittencourt, da Secretaria de Aviação Civil, preocupação com obras concomitantes nos aeroportos e risco de redução de oferta de assentos. Gargioni figura nas páginas de AERO há bastante tempo. Em 2004, quando era executivo da Gol, comemorava a conquista de 22% do mercado com 22 aeronaves (edição 121). A Anac nem existia na época. Hoje, a primeira companhia low-cost low-fare brasileira tem mais de 110 aviões e ostenta um market share de aproximadamente 35%. Mas a infraestrutura aeroportuária ainda é praticamente a mesma. E o que fazer? Sim, obras. Só que, a reboque delas, deveremos enfrentar mais transtornos. Precisamos estar preparados para amenizar os efeitos das melhorias ou, se possível, evitá-los. Quanto aos méritos da concessão, o tempo se encarregará de mostrar se é o melhor caminho ou se a condução do processo tem sido a mais adequada. Na entrevista coletiva da Avianca, outro executivo da companhia, o presidente José Efromovich, que confirmou que empresas aéreas não participarão dos leilões, tem uma opinião apropriada para o atual momento: “As regras precisam ser claras, sejam elas quais forem”. Em tempos de revisão do Código Brasileiro de Aeronáutica, transparência, de fato, é uma boa pedida.

Bom voo
Giuliano Agmont e Christian Burgos


Editorial

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