Do avião para casa

Tecnologias de aviões que usamos em nosso dia a dia

Dez soluções domésticas que nasceram de pesquisas da indústria do transporte aéreo

Por Ernesto Klotzel em 15 de Junho de 2016 às 16:54

A tecnologia da aviação e do espaço proporcionou a criação de uma série de produtos derivados que a maioria de nós usufrui no dia a dia, muitas vezes sem saber. Compilamos algumas das principais soluções advindas do universo astronáutico e que se tornaram objetos obrigatórios em nossa rotina. Definitivamente, um precioso legado. 

Cartões de crédito

Já no final dos anos 1920, algumas lojas de departamentos ofereciam a certos clientes vales de compras. Mas, em 1934, a Associação do Transporte Aéreo dos Estados Unidos estabeleceu um sistema de multipagamento compensatório entre companhias aéreas, o Universal Air Travel Plan (UATP) – “Plano Universal para Viagens Aéreas”, juntamente com um cartão Air Travel Card (Cartão para Viagens Aéreas). A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), pioneira antes da Segunda Guerra na implantação dos pagamentos de compensação entre as companhias aéreas e no uso de uma passagem padrão para viagens, uniu-se ao sistema UATP em 1948. Isso aconteceu dois anos antes do lançamento do primeiro cartão Diners Club.

Videogame e cinema 

Imagens geradas em computador (CGI) foram desenvolvidas no final dos anos 1960 – primeiro, para a indústria de simuladores de voo. Os usuários exigiram um grau maior de resolução das imagens, a ponto de possibilitar a transição dos comadantes do simulador para o cockpit em "tempo-zero". Os engenheiros conseguiram dividir cada vez mais os diversos cenários e descobriram meios para converter a fotografia em imagens que podiam ser inseridas em cenas sintéticas. Quando surgiu a disponibilidade comercial da computação, as mesmas tecnologias formaram a base das imagens geradas em computador no cinema e nos jogos para videogame.  

Turbo / Supercompressão 

O primeiro turbo-compressor prático foi desenvolvido pela General Electric e testado em 1918 para compensar a perda de potência dos motores aeronáuticos causada por voos a grande altitude. O recurso foi amplamente adotado na maioria das aeronaves militares da Segunda Guerra Mundial, juntamente com o "intercooling" – resfriamento do ar comprimido do turbo-compressor para evitar a detonação na cabeça dos cilindros. Na década de 1960, a GM lançou dois carros equipados com sistemas de turbo-compressão, mas a era moderna surgiu mesmo nos anos 1970 com os carros BMW, Porsche e Saab.

Freios a disco e sistema anti-skid

Freios multidisco com ampla área de atrito em volume pequeno tornaram possível substituir as enormes rodas (de 110 polegadas) do trem de pouso do gigantesco bombardeiro B-36 por truques de 4 rodas bem menores. Os mesmos princípios e materiais foram adotados em freios de automóveis nos anos 1950. Pouco depois, o primeiro sistema de freios ‘anti-skid’ foi incorporado ao bombardeiro Boeing B-47.

Forno de micro-ondas

Os britânicos inventaram o magnetron de cavidades, segredo do radar de ondas de alta frequência que podia ser instalado em aeronaves, dispensando grandes antenas externas. A Raytheon foi encarregada de sua produção. Peter Spencer, engenheiro da empresa, notou, assim como alguns de seus pares, que barras de chocolate em seu bolso amoleciam quando trabalhava perto de radares ativos. Spencer patenteou o forno micro-ondas em 1945 e a Raytheon lançou o RadarRange, primeiro modelo doméstico, em 1947.

Raquetes e bicicletas de materiais compostos

O desenvolvimento de materiais sintéticos compostos – fibras aglutinadas por uma matriz de resina – sempre teve ligação com a aviação. Os pesquisadores britânicos, em busca de um substituto para as colas orgânicas de caseína, desenevolveram novos materiais como matriz de uma série de novas fibras, construindo diversas fuselagens para ensaios. No final dos anos 1950, foram lançados os primeiros planadores em fiberglass (fibras de vidro). Leves e resistentes, os materiais compostos por fibras de carbono foram desenvolvidos para a indústria aeroespacial nos anos 1960 e hoje são aplicados em todo tipo de produto, de raquetes de tênis a bicicletas de alta performance.

Panelas de cerâmica 

Em 1953, o diretor de pesquisas da Corning Glass Works dos EUA se enganou no ajuste de um termostato e submeteu uma amostra de vidro a 900ºC em vez de 600ºC – facilmente suportáveis. Não só o vidro não derreteu como apresentou uma resistência extraordinária, com a mudança de sua estrutura molecular, tornando-se "vidro-cerâmica". O novo material patenteado pela Corning como ‘Pyroceram’ foi fabricado primeiramente para radomes (proteção das antenas de radar) de mísseis, antes de tornar-se um apreciado produto doméstico, a panela.

Irish Coffee

O que é hoje uma bebida-simbolo, mistura hábil de café com uísque coberta por generosa quantidade de creme chantilly foi Invenção de um chef em um restaurante na escala de um turbulento voo de um aerobote aos passageiros na Irlanda que tentavam refazer seus maltratados estômagos e labirintos. A coletividade ‘verde-enjôo ’ foi brindada com café quente para reanimação, uísque para esquecer as horas anteriores à bordo e creme para afagar o estômago. Uma mistura tão oportuna e talentosa que passou para o elenco dos barmen mundo afora. Dentro e fora de qualquer aeroporto.

Alimentos congelados 

Os gigantescos bombardeiros Convair B-36 eram um hotel de luxo quando comparados ao seu sucessor, o jato Boeing B-52, que voa até hoje. Para enfrentar missões que podiam varar dois dias, as tripulações tinham à disposição, além de camas, uma galley muito bem abastecida e dois fornos elétricos. A alimentação, cuidadosamente preparada nas cozinhas da base, era colocada a bordo congelada em recipientes práticos para o consumo – após o devido degelo e aquecimento. Nos anos 1950, o produto derivado para consumo doméstico foi lançado, desta vez para missões nas poltronas das salas de TV dos americanos viciados em reality shows, novelas e outros tais. Chegara a época do famoso ‘TV Dinner’ servido igualmente em embalagens decartáveis de alumínio.

Projetor de imagens

Diante da necessidade de ministrar rapidamente treinamento técnico relativamente complexo a um grande número de convocados para a Segunda Guerra Mundial, o Exército e a Força Aérea dos Estados Unidos foram os primeiros a utilizar os projetores de imagens Impressas em grandes transparências (8,5 por 11 polegadas) em lugar dos limitantes slides de 35 mm. A versão digital desta solução vive sob o nome PowerPoint, hoje igualmente conhecido pela maioria dos envolvidos em treinamento, palestras, apresentações etc. 

 


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