Depois de meses de pesadelo e perdas milionárias, a All Nippon Airlines (ANA) reiniciou os voos com o Boeing 787 Dreamliner. O "avião dos sonhos" do fabricante norte-americano teve problemas com as baterias de lítio-ion que provocaram a parada dos jatos e ansiosamente se procurava uma solução para o problema. Novas baterias foram instaladas e o 787 voltou a voar. A ANA foi a segunda companhia aérea, depois da Ethiopian Airlines, a obter a autorização para reiniciar as operações com a aeronave.

A companhia aérea líder do Japão, que conta com cinco estrelas nos rankings da SkyTrax, recebeu seu primeiro 787-8 Dreamliner em 26 de setembro de 2011, em 10 de janeiro de 2013 iniciou as operações para os Estados Unidos, com um voo entre Tóquio/Narita e Seattle, WA, no dia 15 começou a voar para San Jose, na Califórnia, e, cinco dias mais tarde, teve de suspender todos os seus voos com o 787.

Finalmente, em 23 de maio 2013, os 787-8 Dreamliner de ANA receberam as modificações. "A segurança dos passageiros é a nossa prioridade. Modificações foram feitas nos 787 e a ANA realizou seus próprios testes, tendo em vista a eficiência e o conforto do passageiro", declarou o presidente e CEO da companhia, Osamu Shinobe. Na América do Norte, San Jose foi a primeira cidade a receber o 787, em 1º de junho último e, por enquanto, Seattle continuará a ser servida com um 777-300.

AERO Magazine foi convidada para realizar o primeiro voo com o "novo" Boeing 787 Dreamliner entre San Jose e Tóquio. Após recebermos a reserva do voo, a marcação do assento é muito fácil no ótimo site da companhia aérea. Escolho a poltrona 2H, na janela, numa fileira de três, na cabine dianteira, longe da entrada de ar dos motores e afastada das galleys e dos toaletes dianteiros e traseiros. Já no aeroporto, o atendimento mostra-se excelente, e com a tradicional educação japonesa, antes de me entregar o cartão de embarque, o atendente do balcão perguntou se estava satisfeito com a escolha da poltrona.

ANA é conhecida por oferecer aos seus passageiros dos programas ANA Diamond, Platinum e Star Alliance Gold as melhores salas VIP nos aeroportos em que opera, e o "The Club", em San Jose não é a exceção, simplesmente ótima, com tudo o que o passageiro mais exigente pode imaginar em termos de conforto, entretenimento, refeições e bebidas: de chuveiros a um café.

O embarque do voo NH1075 é iniciado após as palavras de boas vindas do chefe de operações da companhia naquele aeroporto. Já no portão entrego o cartão de embarque, o qual me é devolvido no mais educado estilo japonês, segurando-o com as duas mãos, uma reverência e um sorriso.

A ANA encomendou 31 Boeing 787-8 Dreamliner com duas configurações de cabine. Para voos de longa distância, como o NH1075, a configuração é de 46 poltronas na classe executiva e 112 na econômica. O curioso dessa disposição é que, ao contrário das aeronaves das outras companhias aéreas, a classe executiva ocupa mais da metade da cabine de passageiros. Graças a essa configuração de baixa densidade, o embarque é rápido e até na classe econômica, os enormes bins (compartimentos superiores) facilitaram a acomodação da bagagem e evitaram os costumeiros "engarrafamentos" provocados por passageiros tentando achar lugar para suas bagagens.

A classe econômica conta com oito poltronas com 47 cm de largura em 14 fileiras de 8 lugares (2+4+2), com pitch de 83,8 cm (33 pol) e 86,3 cm (34 pol). O interessante dessas poltronas é que o encosto não reclina, mas o assento se desloca 8 cm para frente. Isso aproxima os joelhos do passageiro do encosto da poltrona à frente, mas como ele não se reclina, o espaço físico do passageiro, se mantém.

Já as poltronas das duas cabines da classe executiva são fora de série: com largura de 49,2 cm e com encosto que reclina 170º - estão dispostas em 13 fileiras alternadas de 3 e 4 lugares (1+1+1 e 1+2+1), com pitch de 112 cm (44 pol) e todas com acesso ao corredor. Cada uma conta com uma mesa lateral grande, luz de leitura, conexões para laptop e iPod, mesa para refeições ou trabalho e o mais moderno sistema de entretenimento em uma tela LCD larga de 17 polegadas. É possível assistir TV e filmes, ouvir música, enviar mensagens a outras poltronas, conferir a rota da aeronave num excelente mapa móvel e muito mais. Um travesseiro grande, um cobertor, fones de ouvido com isolante acústico e macias pantufas, completam o cenário de luxo e conforto.

O push-back é iniciado pontualmente e, com ele, a nossa aventura transpacífica rumo ao Japão. Desengatado, o 787 segue por seus próprios meios até a cabeceira da pista 03 e, após uma silenciosa decolagem as grandes janelas do Dreamliner ofereceram uma espetacular vista do Silicon Valley. Durante alguns minutos nivelados a pouco mais de 1.500 m (5.000 pés), é possível desfrutar da espetacular vista da ponte Golden Gate, da baía e do aeroporto de San Francisco. O ruído dos motores Rolls-Royce é quase imperceptível, o ar-condicionado se revela particularmente úmido (ao contrário dos outros aviões) e a pressurização mostra-se muito sutil.

Bem atendido e depois de apreciar um champagne Brut Réserve Montaudon Première e um prato da cozinha japonesa à internacional no almoço, a cabine é ambientada com o Mood Lighting, com todas as janelas escurecidas eletronicamente. Uma hora antes do pouso, as comissárias acordam os passageiros. O silêncio e a umidade presentes na cabine do 787 permitem a todos repousar melhor que em qualquer outro avião atualmente no mercado. Iniciamos a descida às 22h40, hora de San Jose, nove horas e meia após a decolagem. O pouso em Narita é perfeito, dando fim a uma experiência de 9 horas e 54 minutos com um atendimento atento aos detalhes e uma aeronave realmente inovadora.

O profissionalismo da ANA e a sua total atenção aos detalhes é algo que raramente se observa na indústria da aviação comercial. Quanto ao Dreamliner, não resta dúvida de que é uma obra de arte. ANA soube tirar vantagem de todas as qualidades da aeronave, oferecendo aos seus passageiros todo o necessário para que a viagem seja a melhor possível.

O jornalista viajou a convite da ANA


Aviação Comercial voo inaugural All Nippon Airways Boeing 787-8

Artigo publicado nesta revista

NBAA 2016

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