Fusões consolidadas

Competição global aumenta e novas companhias aéreas se tornam cada vez maiores

Santiago Oliver em 22 de Março de 2013 às 08:50

Boeing 777 da American Airlines

Durante o século 20, houve centenas de fusões ou aquisições de companhias aéreas, e elas continuaram no século 21, mas, diferente do que acontecia no passado, quando consolidações eram motivadas pela vontade de as empresas crescerem e se tornarem cada vez mais fortes, os acordos dos últimos anos visaram, além de uma posição mais forte no mercado - como no caso das europeias e da LAN/TAM - e a eliminação da concorrência - como nos casos Azul/Trip e Gol/Webjet -, a própria sobrevivência, como ocorreu nas grandes fusões norte-americanas.

A mais recenete fusão nos Estados Unidos foi a da American Airlines com a US Airways. A operação, que será limitada à troca de ações, está estimada entre US$ 10,5 bilhões e US$ 11 bilhões. A nova empresa manterá o nome da American Airlines e será sediada em Dallas, no Texas. Ela terá 94.000 empregados, 950 aviões e 6.500 voos diários, além de um total de vendas de quase US$ 39 bilhões. Os credores da American, que pediram concordata em novembro de 2011, ficariam com 72% da nova companhia, e os 28% restantes ficariam nas mãos da US Airways, que em 2005 já havia se unido à America West.

Em 2011, a American, que em janeiro de 2001 havia adquirido a Trans World Airways (TWA), ocupava o terceiro lugar no ranking mundial das companhias aéreas pelo critério de passageiros transportados, e a US Airways estava em oitavo. Na avaliação de especialistas, a fusão deve pôr fim à onda de consolidação no setor nos últimos anos no país. Desde 2001, houve várias grandes fusões. Diante do aumento dos custos de combustível e da perda de dezenas de bilhões de dólares na última década, os executivos das companhias aéreas argumentam que a única maneira de sobreviver é a consolidação.

No final de setembro de 2010, a Southwest Airlines adquiriu a maioresAir Tran Airways. Essa negociaição fortaleceu as empresas do setor de baixo custo. As duas companhias atendiam na época a 106 regiões nos Estados Unidos, no México e no Caribe, com 685 aeronaves Boeing e um total de 43.000 funcionários.

Em maio do mesmo ano, ocorreu a fusão entre United e Continental Airlines. A nova empresa passou a se chamar "United", mas usa as cores e o logotipo da Continental. Com 700 aeronaves e quase 90.000 trabalhadores, ficou com 21% do mercado americano e 7% do mundial. A United passou a servir 370 destinos em 59 países, transportando 145 milhões de passageiros por ano. Nas rotas entre o Brasil e os EUA, ficou em segundo lugar, atrás da American Airlines.

Northwest e Delta Air Lines passaram pelo processo de fusão em 2008. A transação levou ao pagamento de cerca de US$ 3 bilhões em ações, sendo que cada papel da Northwest foi trocado por 1,25 ação da Delta. Na época, previa-se que a companhia conjunta teria receita anual de cerca de US$ 35 bilhões e aproximadamente 75.000 funcionários.

Na Europa, em abril de 2010, a British Airways e a Iberia assinaram o contrato definitivo para sua fusão. Uma vez concluída a fusão, a BA ficou com 56% e a Iberia com 44% do novo grupo, o International Consolidated Airlines Group. A BA, a Iberia e a American, todas elas parte da aliança Oneworld, querem aprofundar o pacto para se valer do acordo Open Skies entre Estados Unidos e União Europeia, que propõe a liberalização da aviação transatlântica.

A BA e a Iberia continuarão a operar suas marcas originais, reproduzindo a estrutura da fusão entre Air France e KLM, em 2003, por meio da qual as duas companhias mantiveram separadamente suas frotas e redes, mas pertenciam a uma mesma companhia, a Air France-KLM S.A.

Em setembro de 2009, a Comissão Europeia autorizou a fusão do Austrian Airlines Group com a Lufthansa e a ajuda de custos de reestruturação a ser paga pelo ÖIAG (Grupo Industrial Austríaco S/A) para reduzir as dívidas da Austrian Airlines. Tanto a liberação antitruste quanto a autorização da ajuda de custos de reestruturação da Austrian Airlines no valor de 500 milhões de euros foram concedidas tendo em vista a viabilidade econômica para a Lufthansa. A empresa alemã havia adquirido em 2005 a companhia aérea Swiss, que fora criada em 2002 como substituta da Swissair (que faliu em 2001), mas que desde então apresentava um prejuízo de R$ 4,2 bilhões.

AMÉRICA LATINA
Na América Latina, a chilena LAN e a brasileira TAM completaram seu processo de fusão em 2012. O acordo para combinação das operações entre as duas maiores companhias aéreas da América do Sul, anunciado em 10 de agosto de 2010, foi desenhado de uma forma para atender a legislação, que restringe a participação estrangeira no setor aéreo brasileiro.

A família Amaro, fundadora da TAM, continua controlando a empresa holding TAM Empreendimentos e Participações, que é dona da empresa operacional TAM S/A. Dessa forma, a operação respeitará a restrição do Código Aéreo Nacional, que impede que os estrangeiros tenham mais de 20% de uma empresa aérea nacional, mesmo que esse limite seja elevado com a proposta hoje em tramitação no Congresso (a ideia é que chegue a 49%).

Boeing 777 da United-Continental

A transação é complexa. A holding da família Amaro tem uma participação no capital da empresa chilena. Esta, por sua vez, absorveu os acionistas minoritários da empresa operacional TAM. A estrutura societária da empresa da família Amaro, que possui os direitos sobre as rotas e os aviões, entre outros, foi mantida. Mas, na prática, a transação representa uma compra da empresa brasileira pela companhia chilena, dizem os analistas, numa operação avaliada em US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 6,8 bilhões), que resultou na criação de uma nova companhia, chamada LATAM, que reúne as atividades das duas empresas.

#Q#

Os chilenos ficaram com a maior parcela das ações do capital da empresa aérea combinada. Os donos das duas empresas mantêm um acordo compartilhado de gestão e as duas marcas serão mantidas.

No que se refere especificamente ao Brasil, em 2012 também foi aprovada a fusão entre a Azul e a Trip. Criada e comandada por David Neeleman, que também foi o fundador da companhia JetBlue, dos Estados Unidos, a Azul iniciou suas operações em 15 de dezembro de 2008. A intenção inicial era de ter uma frota composta exclusivamente de Embraer E-Jets e, para tanto, encomendou 76 aeronaves. Porém, em 2009, sentindo a necessidade de atender cidades menores com voos de pequenas distâncias, encomendou também aviões turbo-hélice ATR-72, que entraram em operação a partir de 2010.

A Azul é a empresa aérea que mais rapidamente chegou a 1 milhão de clientes transportados no mundo, com menos de 8 meses de operações, no dia 13 de agosto de 2009. O recorde anterior pertencia à JetBlue Airways, que havia conquistado essa marca com apenas 10 meses de vida. Outro recorde alcançado pela Azul em 2009 foi transformar-se na primeira linha aérea do mundo em transportar mais de 2 milhões de passageiros durante seu primeiro ano de operações. Também foi a primeira a atingir a marca de 5 milhões de passageiros em menos de dois anos e nos anos de 2009 e 2010 a Azul foi eleita a empresa aérea mais pontual do Brasil.

Boeing 767-300 da Delta

Após a fusão, a TRIP Linhas Aéreas - que há alguns anos adquirira a divisão de transporte de passageiros da Total - deixou de existir, herdando a Azul Trip S.A. todas as aeronaves e rotas da empresa, que passou a operar somente com o nome Azul. Os executivos da nova companhia não escondem a intenção de transformá-la na maior empresa aérea do Brasil ainda nesta década.

Também no ano que passou foi aprovada a fusão entre a Gol e a Webjet. A negociação avaliada em US$ 96 milhões decretou o fim da Webjet e a demissão de 850 funcionários. A Gol foi criada em 15 de janeiro de 2001. A chegada da Gol naquele ano, instalou um novo sistema no Brasil, o sistema low fare low cost, que permite uma operação a baixo custo. Essa operação acabou com a época de ouro da aviação brasileira. A Gol é apontada por muitos como uma das causas da falência da Varig e Vasp. Em 28 de março de 2007, a Gol comprou da VRG Linhas Aéreas, também conhecida como a "Nova Varig", por cerca de US$ 320 milhões.

Em janeiro de 2012, foi divulgado que a Gol pretendia reativar a marca Varig para voos internacionais de longa distância para Estados Unidos e Europa. A companhia aérea deveria ficar com as aeronaves que a Gulf Air, do Barém, encomendou à Boeing, mas desistiu de comprar. Com a volta da marca Varig, a Gol faria frente a expansão da TAM no mercado internacional. Em abril 2012, a Delta Airlines divulgou intenção de comprar ações da Gol Linhas Aéreas. Finalmente, em outubro de 2012, a empresa divulga voos regulares para Miami e Orlando, partindo de São Paulo e Rio de Janeiro - com Boeing 737-800 e em classe única -, fazendo conexão em Santo Domingo, na República Dominicana. Há estudos de expandir os voos para Las Vegas e Los Angeles, nos EUA, e Cancún, no México, utilizando o aeroporto dominicano.


Especial

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