Fidae 2012

Desfile de debutantes

Maior feira de aviação da américa latina recebe pela primeira vez aeronaves como airbus A400m e boeing 787 e reafirma a importância do continente para o mercado aeroespacial

Texto E | Fotos Giuliano Agmont, De Santiago em 25 de Abril de 2012 às 06:38

O abalo sísmico que antecedeu a maior feira de aviação da América Latina causou apreensão em quem estava em Santiago, a capital do Chile, para participar da 17ª edição da Fidae (Feria Internacional Del Aire y Del Espacio). Até o ator e piloto John Travolta, que estava na cidade com seu 707, virou notícia no mundo. Felizmente, o forte tremor, ou "temblor", como dizem os nativos, não passou de um susto e antes mesmo da abertura oficial do evento os motores já roncavam alto na área de exposição estática montada no Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez, que recebeu este ano mais de 100 aeronaves civis e militares. Foram cinco dias de feira, com participação de 557 expositores vindos de 41 países, um aumento de cerca de 30% em relação a 2010, segundo os organizadores. O público também superou a expectativa da Fuerza Aerea Chilena e atingiu a marca dos 90 mil visitantes.

Um dos momentos mais aguardados da Fidae 2012 foi a chegada do segundo protótipo do avião militar de transporte A400M, fabricado pela Airbus Military e exposto pelo braço espanhol da EADS. Denominado Grizzly 2, o quadrirreator aterrissou pela primeira vez na América Latina e cumpriu no continente seu milésimo voo de teste. De acordo com Gustavo García Miranda, vice-presidente de Marketing da Airbus Military, o A400M pode ser empregado em missões táticas, estratégicas e de reabastecimento. "É um avião que decola de pistas curtas com alta capacidade de carga e percorre grandes distâncias", resume o executivo. "A tecnologia embarcada é similar à do A380; a cabine é quase a mesma".

O A380, em seu segundo tour pela América Latina (leia mais na p. 62), também atraiu a atenção de quem compareceu à Fidae. Nesta edição, o gigante rivalizou com outra estrela da feira, o Boeing 787 Dreamliner, que também debutou no Chile. Mike Sinnett, vice-presidente do programa 787 da Boeing, informa que a versão -9, com alcance superior a 15.000 quilômetros, deve chegar ao mercado no ano que vem. "O 787 voa mais rápido com menos combustível, além de proporcionar melhor aproveitamento de espaço na cabine por conta de sua estrutura em material composto, e menor estresse em função da sensação de altitude de 6 mil pés", argumenta o executivo.

Durante a Fidae, a LAN anunciou que começará a operar o 787 antes do fim deste ano. Ela será a primeira empresa latino-americana a integrar o novo avião da Boeing à sua frota. O investimento da LAN supera os US$ 3,5 bilhões e prevê a aquisição de 32 modelos 787 pelo período de 10 anos. As primeiras cidades a receberem voos do 787 da LAN, com 217 assentos na classe Econômica e 30 na Premium Business, serão Santiago, Buenos Aires, Lima, Los Angeles, Madrid e Frankfurt. A Boeing abriu as portas de seu novo avião a convidados. Além do cockpit full fly-by-wire, chamam a atenção as janelas eletrônicas, que "apagam" ou "acendem" com um toque de botão.

FX-2: DESFECHO EM JUNHO?
O Projeto FX-2, como era de se esperar, foi assunto na Fidae. A Boeing Company anunciou uma parceria com a israelense Elbit Systems em um projeto definido como simulação distribuída para o avião de combate F/A-18 E/F Super Hornet. As empresas criaram um link entre um simulador instalado na divisão de Defesa, Segurança e Espaço da Boeing, localizada em Saint Louis, estado do Missouri, e o laboratório de aviônica da subsidiária brasileira da Elbit Systems, a AEL Sistemas, em Porto Alegre (RS). Os executivos da Boeing estão otimistas com o desfecho do programa, que deve acontecer até junho, segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim, que visitou a Fidae.

O encontro do A380 com o Boeing 787; a estreia do EC-725 da FAB (p. oposta); e, acima, o jato coreano T-50

Contudo, apesar das investidas da Boeing, nos bastidores, o que se ouve é que há uma sutil tendência em favor do caça Rafale, da francesa Dassault Aviation. Corroboram essa tese rumores que surgiram após a visita da presidente Dilma Rousseff à Índia, em março último, segundo os quais o governo brasileiro teria demonstrado interesse em conhecer detalhes da proposta vencedora dos franceses para venda de 126 caças à Força Aérea da Índia (IAF), um negócio que poderá chegar a US$ 20 bilhões. Esse interesse estaria relacionado a uma possível parceria binacional para a compra dos caças, entre outras cooperações mútuas.

Já os suecos da Saab, que oferecem o supersônico Gripen NG e marcaram presença da Fidae com seu simulador, continuam na disputa. Assim como a Boeing, a empresa investe em parcerias tecnológicas com o Brasil, como aconteceu na criação do Centro de Pesquisa e Inovação Sueco-Brasileiro (CISB), em São Bernardo do Campo (SP). Em termos de parcerias industriais, os suecos destacam o acordo de cooperação firmado com a brasileira Akaer Engenharia, de São José dos Campos, que adquiriu por meio de transferência de tecnologia conhecimentos específicos para projetar estruturas complexas para uso aeronáutico.

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Presença da aviação executiva na Fidae. Abaixo, o turbo-hélice Bombardier Q400

BRASIL EM DESTAQUE

O Brasil teve sua maior participação na Fidae, com direito a um pavilhão só com empresas nacionais. No total foram mais de 50 expositores com as cores do país. Destaque para a Embraer, que focou sua atuação principalmente nas áreas de defesa e aviação executiva. Breno César Corrêa, diretor de Marketing e Vendas de Aviação Executiva para a América Latina, diz que a porção centro-sul do continente representa 25% das vendas de aeronaves de negócio da Embraer. "Nos próximos 10 anos, a região deve absorver 700 a 900 novos jatos executivos, o que significa 12 a 16 bilhões de dólares", projeta Corrêa. Segundo ele, a frota brasileira de jatos executivos deve superar a do México em 2013 e se tornar a segunda maior do mundo depois da norte-americana. "O Brasil comprou 311 jatos entre 2006 e 2011, três vezes mais do que o México, que adquiriu 101. Hoje, a frota brasileira é de quase 700 jatos enquanto a mexicana se aproxima de 750. Nesse ritmo, vamos ultrapassar o México no ano que vem".

Na área de defesa, a Embraer mostrou-se otimista em relação ao programa Light Air Suport (LAS) da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), que acaba de ser reativado com mudanças em alguns requisitos de propostas. "Venceremos novamente", decreta Luiz Carlos Aguiar, presidente da Embraer Defesa e Segurança, que concorre com EMB-314 Super Tucano. Durante a Fidae, o executivo ainda anunciou contratos de vendas de Super Tucanos para três países africanos, Angola, Mauritânia e Burkina Faso. "Nossa carteira de pedidos firmes para o Super Tucano supera as 182 unidades e as entregas chegam a 158".

Outro projeto de destaque da Embraer na Fidae foi o avião de transporte tático KC-390, cujo primeiro voo deve acontecer em 2014. De acordo com o fabricante, há 60 cartas de intenção de compra de seis países. Um dos concorrentes do KC-390 é a versão de custo reduzido do Hercules C-130J da Lockheed Martin, o C-130XJ. O modelo, que foi desenvolvido para competir com o novo avião militar da Embraer, recebeu promoção especial durante a feira chilena. Segundo a Lockheed, ele chega a custar 15% menos do que as versões vendidas para a Força Aérea dos Estados Unidos.

Os brasileiros protagonizaram mais uma estreia no Chile, a do EC 725 da FAB, última versão militar da família Super Puma - Cougar. O helicóptero é o maior bimotor da categoria de 11 toneladas e faz parte da encomenda do Brasil de 50 unidades para missões de transporte e segurança civil. O EC 725 passará a ser fabricado no Brasil pela Helibras, na cidade de Itajubá, interior de Minas Gerais, assim como sua versão civil, o EC 225.

RUSSOS E COREANOS
Os russos marcaram presença na Fidae. O vice-presidente da Marketing e Relações Externas da Irkut Corporation, Vladimir Sautov, disse que a empresa tem hoje US$ 5,7 bilhões em pedidos para seus aviões, a maioria de companhias russas, mas que se movimenta para expandir seus negócios. A grande estrela desse movimento é o jato comercial MS-21, com capacidade para transportar 150 a 181 passageiros. O executivo destacou o motor Pratt & Whitney PW1000G, que também equipará o Bombardier CSeries e é uma das opções do A320neo. "É um avião mais leve, com excelente aerodinâmica e um motor muito econômico. O resulta é um consumo 23% menor do que os atuais modelos desta categoria", compara Sautov, que não deu previsão de vendas para a América Latina.

Ainda na aviação comercial, a Bombardier demonstrou seu turbo-hélice Q400, concorrente do ATR 72. Trata-se de um avião capaz de alcançar 1.000 milhas náuticas, com autonomia de três horas. O principal diferencial do modelo, derivado do Dash 8, é seu sistema de redução de vibração e ruído, que funciona com um apertar do botões. "A aviação regional do Brasil está crescendo e esse é um mercado estratégico que queremos explorar. Sabemos a importância de uma aeronave mais econômica e versátil em relação ao jato como o turbo-hélice", diz Michael McAdoo, vice-presidente para o Trade Internacional da Bombardier.

No céu de Santiago, além das principais novidades da Fidae e da sexagenária Esquadrilha da Fumaça (leia mais na p. 40), brilhou também o jato de treinamento militar da sul-coreana Korea Aerospace Industries. Desenvolvido em parceria com a Lockheed Martin, o T-50 Golden Eagle fez barulho e soltou bastante fumaça durante o evento. O avião oferece, segundo o fabricante, uma plataforma de voo de treinamento avançado do tipo Lead-In Fighter Trainer (LIFT), cujas funcionalidades possuem estreita semelhança com aquelas encontradas nos aviões de combate de 4ª e 5ª geração.

Colaborou Ivan Plavetz


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Artigo publicado nesta revista


Airbus, Nova Rival da Embraer

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