Cores no céu

Os melhores ângulos do 21º Campeonato Mundial de Balonismo, que aconteceu pela primeira vez na América Latina

Texto e fotos Maurício Lanza, de Rio Claro em 2 de Outubro de 2014 às 00:00

21º Campeonato Mundial de Balonismo

21º Campeonato Mundial de Balonismo

A essência da competição com balões é o voo de precisão. Em outras palavras, é a habilidade do piloto de levar sua aeronave aonde deseja, e não somente ser levado pelo vento, como em um voo de passeio ou recreativo. Realizado pela primeira vez na América Latina, o Campeonato Mundial de Balonismo, coloriu os céus de Rio Claro, no interior de São Paulo, com mais de 60 balões de ar quente de 22 países, incluindo Brasil, China, Rússia, Alemanha, Lituânia, Japão e Estados Unidos. As decolagens ocorriam logo nas primeiras horas do dia, entre 7h e 8h, e à tarde, por volta das 16h, quando os ventos estavam mais calmos, condição importante para a realização de voos seguros e mais controláveis. O vencedor da 21ª edição do mais importante torneio do balonismo internacional foi o japonês Yudai Fugita, seguido pelo alemão Uwe Schneider. O brasileiro Lupércio Lima ficou em terceiro, com uma pontuação muito próxima da obtida pelo segundo lugar. Quarto e quinto lugares ficaram, respectivamente, com o suíço Stefan Zeberli e o lituano Rimas Kostiuskevicius. A próxima edição do campeonato mundial ocorrerá em 2016, na cidade de Saga, no Japão, e deve contar com ao menos cinco brasileiros. Selecionamos as melhores imagens da festa deste que é dos mais belos desportos aeronáuticos, o balonismo.

21º Campeonato Mundial de Balonismo

Torneio reuniu mais de 60 balões de ar quente de 22 países

21º Campeonato Mundial de Balonismo

21º Campeonato Mundial de Balonismo

As regras

No balonismo de competição moderno, cada voo prevê o cumprimento de duas ou mais tarefas. Todos os dados de voo (altitude, velocidade, razão de subida ou descida e demais parâmetros) são registrados em um aparelho chamado “Logger” via sinal GPS. O piloto também leva consigo um tablet ou notebook com dados sobre a prova, a meteorologia e demais informações para traçar sua estratégia. Após o voo, o júri analisa os dados do Logger para definir a pontuação, e até penalizações, caso o piloto cometa alguma infração, como voar em altitude mais baixa do que a permitida ou tocar o solo. Dentre as inúmeras tarefas possíveis numa competição, veja as que foram selecionadas para o mundial deste ano:

  • Fly in: piloto escolhe um ponto de decolagem dentro da área de competição e tenta atingir um alvo (que tem de estar a uma distância mínima, predefinida pelo diretor de prova);
  • Minimum distance double drop: juiz define duas áreas de pontuação e a tarefa é jogar dois marcadores (um saco com areia ou similar, com sua identificação), um em cada área de pontuação (quanto menor a distância entre os dois marcadores, maior a pontuação do piloto);
  • Alvo declarado pelo juiz: diretor de provas determina um alvo a quilômetros do ponto de decolagem e o balonista tenta atingi-lo com marcador (quanto mais próximo do alvo o marcador cair, maior a pontuação);
  • Alvo declarado pelo piloto: piloto determina o alvo a ser atingido, de acordo com sua conveniência, sem saber os alvos declarados pelos outros pilotos da competição, geralmente com decolagem coletiva, do mesmo local;
  • Valsa da hesitação (hesitation waltz): semelhante ao alvo declarado pelo juiz, com a diferença de que existem dois ou mais alvos, e o piloto deve escolher durante o voo o alvo que tentará atingir;
  • Forma em 3D (3D shape): piloto deve voar dentro de um espaço aéreo delimitado por uma forma tridimensional, geralmente um “donut” – forma circular com raio interno, raio externo e altura –, e vence quem percorrer a maior distância dentro deste espaço, em um tempo determinado (é levada em conta somente a trajetória horizontal percorrida);
  • Race to an area: piloto tenta lançar seu marcador o mais rápido possível, após a decolagem, dentro de uma área definida de pontuação;
  • Land run: em um determinado momento após a decolagem, o piloto lança o primeiro marcador no ponto B. Este marcador, junto com o ponto A definido pelo diretor de prova, forma o lado AB de um triângulo. O piloto então voa até um terceiro ponto, C, onde lança um segundo marcador, completando o triângulo ABC. Vence quem formar o triângulo de maior área;
  • Caça à raposa (hare and hounds): a “raposa” (hare), um balão não competidor, decola 10 a 15 minutos antes dos balões competidores (hounds), e tenta despistá-los com mudanças de altitude, o que os faz seguir em várias direções (os caçadores não precisam seguir o padrão de voo da raposa, mas devem deixar um marcador o mais próximo possível do alvo deixado pelo balão perseguido no seu local de pouso.

Especial balões competição Campeonato Mundial de Balonismo Rio Claro América Latina Yudai Fugita Uwe Schneider Lupércio Lima

Artigo publicado nesta revista

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