Experimental

Carro voador: ficção ou realidade?

Projetos de veículos híbridos capazes de se deslocar tanto por ar quanto por terra amadurecem

Por Edmundo Ubiratan em 6 de Novembro de 2015 às 17:00


TF-X, um carro com capacidade VTOL

O sonho de viabilizar a fabricação em série de carros voadores parece mais próximo de se concretizar nos próximos 21 anos, ainda que distante de um cenário como o do desenho animado “Jetsons” e sua Orbit City. A promessa remonta aos primórdios da aviação. Depois de alguns ensaios, o primeiro caso de fusão entre automóvel e avião se deu com o desenvolvimento do Stout Skycar, uma iniciativa dos projetistas do Ford Trimotor, na década de 1930. Quatro foram construídos, e só. Vieram outros projetos, como o ConvairCar, desenvolvido pela Consolidated Vultee Aircraft (Convair), que gerou o Model 116 e o Model 118. Apesar do design arrojado, problemas operacionais inviabilizaram o programa. No solo os veículos sofriam com peso excessivo por conta da metade avião e, no ar, a metade carro dificultava as manobras básicas e oferecia uma resistência aerodinâmica considerável. Anos mais tarde, a Aerocar apresentou um conceito que parecia viável, e até levou a estudos de zonas de decolagem e pouso paralelas a rodovias nos Estados Unidos. Também não deu certo, por conta do elevado custo, das dificuldades de produção e de problemas de segurança. Apesar das postergações históricas, alguns fabricantes retomaram os estudos neste início de século e novos projetos prometem, enfim, oferecer soluções técnicas e financeiras viáveis para o carro voador.

AeroMobil 3.0: esportivo alado

AeroMobil 3.0


híbrido de motocicleta e helicóptero
Esportivo AeroMobil 3.0 (alto) e híbrido de motocicleta e helicóptero

Um tanto ambiciosa, a eslovaca AeroMobil promete iniciar as vendas de seus primeiros carros alados em meados de 2017. O cofundador e CEO da empresa, Juraj Vaculík, afirma que o terceiro protótipo, o AeroMobil 3.0, está pronto. Segundo ele, o veículo poderá ser usado no trânsito como um carro normal e decolar de qualquer aeroporto com pista de 300 m, incluindo as de grama. Movido a gasolina comum, o modelo possui dois lugares e tem comprimento similar ao de uma picape grande, de 6 m. Pesa contra o programa o fato de os dois primeiros protótipos nunca terem sido testados. O AeroMobil 3.0 lembra um carro esportivo, com bom espaço interno e um painel completo, equipado com aviônica digital. Dispõe de um motor Rotax 912, que proporcionará pelos planos dos engenheiros velocidade máxima de 200 km/h em voo e 160 km/h no chão. O consumo deve ser de 12 km/l na estrada e 15 l/h no ar.

PAL-V: moto com asas rotativas

Outro fabricante que aposta em um veículo terrestre voador é a holandesa PAL-V Europe NV, que criou em 2008 o PAL-V (Personal Air and Land Vehicle), um híbrido de motocicleta e helicóptero. Inicialmente, o plano é atender apenas a emergências, oferecendo um modelo barato de se operar e capaz de realizar missões de policiamento aéreo ou monitoramento em catástrofes, podendo, ainda, rodar pelas ruas. O pequeno PAL-V tem capacidade para duas pessoas e alia uma série de inovações tecnológicas, sobretudo aerodinâmicas, com uso de carbono, titânio e alumínio. Com um motor de 230 hp, a velocidade máxima será de 180 km/h tanto na terra quanto no ar, prevê o fabricante. O modelo também deverá utilizar gasolina comum, com autonomia planejada de 1.200 km na estrada e de até 500 km em voo, o que deverá representar 12 l/km e 36 l/h de consumo, respectivamente.

A concepção da conversão de veículo aéreo em terrestre mostra-se inovadora no PAL-V. A motocicleta voadora dobra suas hélices do rotor principal na horizontal, acomodando-as paralelamente à carroceria, enquanto as pás do rotor traseiro dobram próximas à parte posterior do veículo. As superfícies aerodinâmicas, como o leme, também são recolhidas, ajudando a reduzir a largura total. O sistema é similar ao empregado nos helicópteros embarcados. O fabricante trabalha para homologar o PAL-V dentro das regras LSA, embora não descarte uma versão IFR no futuro. O preço estimado será de US$ 300 mil.

Transition: para pilotar e dirigir

A norte-americana Terrafugia também tem um projeto de carro voador adiantado. Apresentado durante a EAA Air Venture 2013, o elegante Transition pode viabilizar o sonho de unir carro e avião. Seus idealizadores não têm a pretensão de que o modelo seja utilizado no dia a dia, mas, sim, circule sem grandes problemas do aeroporto para a garagem de seu proprietário. O Transition acomoda duas pessoas e deve ser enquadrado nas regras LSA. Equipado com um motor Rotax 912iS de 100 hp, o modelo cruza a 160 km/h, com autonomia estimada em 660 km, podendo operar em pistas de aproximadamente 500 m.

carplane
Carplane com duas fuselagens

Protótipo da Terrafugia Transition
Protótipo da Terrafugia Transition e maquete do TF-X

TF-X: carro VTOL

A solução empregada na transição entre avião e carro no projeto da Terrafugia não é das mais simples. As asas são dobradas em duas partes e acomodadas próximas ao corpo do veículo, que tem 6 metros de comprimento, 2,3 m de largura e 2 m de altura. Seu preço é US$ 279.000. Paralelamente ao Transition, a empresa tem um projeto ainda mais ambicioso, que até lembra as naves da série “Star Wars”: o TF-X, um carro com capacidade VTOL (Vertical Takeoff and Landing). Impulsionado por motor elétrico, o modelo terá uma configuração similar à adotada pelos tiltrotors, mas com motor traseiro na disposição push. Seus projetistas aguardam apenas o amadurecimento da tecnologia de propulsão elétrica, em especial a das baterias, na expectativa de começar a voar o veículo em 8 a 12 anos.

Carplane: duas fuselagens

Mais um projeto audacioso é o alemão Carplane. Com design extravagante composto por duas fuselagens, o veículo terá capacidade para duas pessoas com soluções aerodinâmicas avançadas. Diferente da maioria dos concorrentes, os pneus serão montados juntos à carroceria, como num automóvel convencional – nos demais a configuração das rodas se assemelha à dos carros de Fórmula 1 –, o que tende a melhorar o controle nas curvas e diminuir a resistência aerodinâmica. O espaço entre as duas cabines será utilizado para acomodar as asas ao serem rebatidas, economizando espaço e protegendo-as de eventuais danos. Os idealizadores do Carplane pretendem certificá-lo na categoria VLA (Very Light Aircraft), que permite aeronaves com peso máximo de 750 kg. O limite na LSA é de 600 kg.

Como se vê, os projetos são embrionários e promissores. Evidentemente, a imagem da população de uma cidade se locomovendo com carros voadores ainda parece ficção, sobretudo ao se considerar a inviabilidade de as autoridades regulamentarem o uso maciço de veículos voadores numa cidade, por questões de segurança. A alternativa viável para que isso um dia ocorra, presumem engenheiros e projetistas, dependeria da evolução dos veículos aéreos não tripulados autônomos, que usariam complexos sistemas de inteligência artificial para decolar, navegar e pousar de forma completamente independente da intervenção humana, a exemplo da Orbit City.


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