Depois de alguns contratempos em 2013, a Lufthansa promoveu a estreia do Boeing 747-8 Intercontinental na América do Sul ao introduzir seu novo jumbo, sucessor do 747-400, na rota diária entre São Paulo (GRU-SBGR) e Frankfurt (FRA-EDDF). Décima primeira unidade das 19 encomendadas pela empresa aérea alemã, entregue em fevereiro deste ano, o D-ABYM (CN 37837 /LN 1494), batizado “Bayern” (Bavaria), pousou pela primeira vez no país no final da madrugada do dia 30 de março, um domingo, tocando a pista do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, cuja pavimentação recebeu exaustivos testes e inspeções antes do início das operações do avião mais longo em atividade no mundo, com 73,30 m de comprimento. “Aeroportos classe E, como é o caso de Guarulhos, podem receber aeronaves maiores, próprias para terminais classe F, ao adotar procedimentos adicionais. Para acolher o 747-8, além das inspeções de pavimento das pistas, fizemos ajustes de sinalização nas áreas de táxi das aeronaves. Até 2016, pretendemos ampliar as pistas para transformar o aeroporto em classe F”, informa o diretor presidente de GRU Airport, Antonio Miguel Marques, que também espera obter licença para operar os A380 não apenas da Lufthansa como de outras companhias antes da Copa do Mundo. Os alternados de Guarulhos para o novo avião da Lufthansa são Viracopos, que já opera o 747-8F, e Galeão, que acaba de receber a certificação para operar o jumbo com alternativa.

No dia seguinte ao voo inaugural, durante apresentação do avião para a imprensa, o diretor da Lufthansa para a América Latina, Gabriel Leupold, destacou o aumento da cabine do 747-8I e a nova classe executiva da aeronave, localizada no convés superior. “Ganhamos 20% de espaço em relação ao 747-400, com a maior ­business class do mercado”, diz o executivo. Ao lado dele, a presidente da Boeing do Brasil, Donna Hrinak, reconheceu que a autorização para a operação do novo jumbo “não foi fácil” e destacou os ganhos de performance da aeronave. “Com o 747-8I, que incorporou inovações do 787, daí o ‘-8’ em sua designação, proporcionamos mais eficiência ao avião, com economia de dois dígitos no consumo de combustível, item responsável por 30% a 40% do custo operacional das companhias aéreas, além da redução das emissões de poluentes e ruídos dentro e fora da cabine”. No total, a Boeing tem 66 encomendas para o novo jumbo, a maioria na versão cargueira.


Batismo do D-ABYM em Guarulhos; no destaque, classe executiva no piso superior

Os motores General Electric GENx-B2 do 747-830 proporcionaram um ganho de 15% de eficiência, segundo a Boeing, com redução de 30% das emissões de ruídos. De acordo com o fabricante, a propulsão aumentou de 193,7 kN (43.500 lbf) por motor dos 747-400 para cerca de 296 kN (66.500 lbf) estimadas para cada GENx-B2 dos novos jumbos. No interior, a configuração da Lufthansa prevê 386 lugares, com oito assentos na primeira classe, 80 na classe executiva e 298 na classe econômica (F8C80Y298). Subindo os 14 degraus que levam ao segundo piso do avião, percebe-se o investimento da Lufthansa na classe executiva, com assentos que permitem ao passageiro acomodar-se com bastante conforto. Para a pilotagem, as mudanças são mais sutis. De acordo com o comandante do voo que decolou para Frankfurt no dia da apresentação do 747-8I, é basicamente a mesma coisa, a não ser por mudanças como o aumento das asas. A maior diferença é o peso, “ele é 42 toneladas mais pesado do que o antigo, e os motores são mais possantes”. A licença é a mesma dos demais 747, é preciso apenas um curso de três dias com simuladores.

Boeing 747-8 intercontinental Lufthansa (Rota diária FRA/GRU)

Comprimento: 76,30 m
Envergadura: 68,40 m
Altura: 19,40 m
Largura da cabine: 6,10 m
Motores: 4 GEnx-2B67
Empuxo: 296 kN
Passageiros: 386 (8/80/298)
Velocidade cruzeiro: 920 km/h
Alcance: 13.100 km
Peso máximo de decolagem: 442.300 kg


Aviação Comercial Boeing 747-8I Brasil São Paulo Frankfurt

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