A350 XWB
Novo widebody decola de GRU

O silêncio durante a corrida para decolagem do Aeroporto de Santiago do Chile surpreende. O espaço interno na classe executiva também. A bordo do Airbus A350-900 para sua primeira aterrissagem no Brasil, com comissários da TAM, observo através das grandes janelas do novo avião a Cordilheira dos Andes, com os winglets da aeronave em primeiro plano. Vêm à mente imagens do “iron bird” construído na sede do consórcio europeu, em Toulouse, assim como os ensaios estáticos de carga, em que as asas envergaram 5 m sem se romper. Sim, apesar do grau inédito de maturidade para um protótipo, o avião que transporta jornalistas e convidados da Airbus e da Latam é um experimental.

A presença de uma tripulação de cerca de 60 pessoas indica a importância da missão. De uma estação de monitoramento dos parâmetros do voo montada onde seria o primeiro filão da classe econômica, vejo em tempo real o que está acontecendo na cabine. A seriedade dos engenheiros da Airbus não deixa dúvidas, o teste é para valer. Caminho para o fundo da aeronave, com configuração 3-3-3 em sua parte traseira, para conhecer o sarcófago. Subo uma escada próxima à galley e peço permissão para entrar antes de experimentar algumas das camas. “É muito mais espaçosa do que a de outros modelos”, compara uma comissária brasileira. No cockpit do MSN 005, ouço do comandante que a pilotagem do novo widebody muda pouco em relação aos demais integrantes da família de jatos da Airbus.

São cerca de três horas de viagem. Nesse tempo, é difícil avaliar se a sensação de altitude na cabine (de 6000 pés) e as novas iluminações contribuíram para diminuir o desgaste natural da viajem, o jet lag. No desembarque no novo terminal 3 de Guarulhos, conversando com o novo presidente da Airbus para América Latina e Caribe, o espanhol Rafael Alonso, descubro que também é seu primeiro voo a bordo do A350. “O grupo Latam é um cliente de lançamento deste avião e será o quarto cliente a recebê-lo, o primeiro no continente americano”, assegura o executivo.

A350 XWB

A TAM pediu 27 aeronaves A350 à Airbus e deve receber o primeiro em 2015. Os jatos virão configurados em duas classes e 330 assentos, cumprindo rotas do Brasil para Estados Unidos e Europa, substituindo em alguns casos o A330 e o próprio Boeing 777.  O total de pedidos do novo avião chega a 750 unidades, com primeira entrega para a Qatar Airways prevista para o fim deste ano de 2014. O pouso em São Paulo fez parte da fase final de certificação do novo avião da Airbus. O consórcio promoveu um tour mundial por 14 cidades em que o fabricante faz testes de rotas desenvolvidos para demonstrar que o avião está pronto para ser operado por companhias aéreas.

O MSN 005, um dos cinco protótipos do A350 XWB, pousou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, na noite do dia 6 de agosto, vindo de Santiago do Chile. O teste de rotas é um dos processos exigidos para certificação de tipo e inclui um cronograma representativo de operação normal, demonstrando a maturidade do projeto para operações regulares. O MSN 005 acumulava pelo menos 2.250 horas durante os mais de 540 voos que realizou na campanha de ensaios, incluindo aproximadamente 1.380 ciclos (decolagem, cruzeiro e pouso).

Cockpit
Cockpit segue o padrão de família de aeronaves Airbus

O total de pedidos do A350 é de 750 unidades, com primeira entrega para a Qatar prevista para o fim de 2014

Os voos foram operados por pilotos da Airbus, com a participação de membros da Airworthiness Authority da EASA (European Aviation Safety Agency). Segundo Rafael Alonso, os voos se mostraram um complexo exercício de logística, pois exigiu o posicionamento de equipes de teste da Airbus em diversos pontos do globo, além de envolver uma série de contatos com autoridades aeronáuticas e aeroportuárias de diversos países.

Os voos de teste em rota incluíram operações em diversos ambientes, como operações em aeroportos quentes e úmidos, outros altos e secos, além de operações em aeroportos com restrições de manobra e estacionamento. Ao longo da campanha, o MNS 005 visitou Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Finlândia, Alemanha, Nova Zelândia, Qatar, Rússia e África do Sul. A turnê de testes, com duração de três semanas e com quatro viagens, começou em Toulouse, na França. A primeira rota incluiu um voo polar, pelo Ártico, com um pouso na Alemanha e outro no Canadá. O segundo voo teve como destino a Ásia, atualmente o mercado de crescimento mais rápido do mundo, e incluiu visitas a Hong Kong e Cingapura. O voo entre ambos os países teve a simulação de “ponte aérea”, durante a qual foram realizados quatro voos seguidos, com intervalo apenas para reabastecimento e embarque e desembarque de passageiros. O tempo médio entre os voos foi de 90 minutos, similar às operações reais nesse tipo de voo.

O terceiro voo teve como destino Johanesburgo e Sydney, simulando as operações em uma das rotas mais importantes da região. Na Austrália foi realizado um voo com destino a Auckland, que envolveu a operação num importante mercado para o A350. Porém, um dos voos mais desafiadores ocorreu na terceira etapa do voo, que teve como destino Santiago do Chile, uma rota sobre o Pacífico com poucas opções de alternado. Nela os engenheiros verificaram as capacidades do avião em cumprir rotas com grandes exigências ETOPS (Extended Twin Engine Operations). A certificação ETOPS é obrigatória e permite que jatos bimotores operem normalmente em longas rotas transoceânicas.

A quarta etapa envolveu o voo entre Santiago e São Paulo, um potencial mercado para o A350, especialmente devido a sua grande capacidade de carga. Finalmente, o avião decolou para Toulouse, verificando as operações numa das mais importantes rotas da aviação comercial, a ligação entre o Brasil e a Europa. Na quarta e última viagem, o A350 partiu de Toulouse para Doha, seguiu para Perth, retornando para Doha, de onde partiu para Moscou e Helsinki, retornando em seguida para Toulouse.

Segundo a Airbus, o A350XWB tem como foco o mercado intermediário entre o Boeing 787 e o Boeing 777, promovendo uma solução única para diferentes mercados, o que poderá ajudar as empresas a reduzirem os custos ao substituírem dois modelos de avião por uma mesma família. Para Rafael Alonso, a entrada em operação do A350 deve impulsionar ainda mais suas vendas. “Esse avião oferece 25% de redução no consumo de combustível em relação aos concorrentes. Nenhum avião atualmente é tão eficiente”, completa. Sobre a concorrência com o A330neo, o executivo acredita que ambos terão seu espaço no mercado.

Colaborou Edmundo Ubiratan


Indústria A350 Protótipo MSN 005 Brasil widebody Airbus

Artigo publicado nesta revista

AERO Magazine 244 · Setembro/2014 · Especial Legacy 500

Ensaiamos em voo o novo avião full fly-by-wire da Embraer

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